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Sporting goleia Bodo/Glimt com reviravolta histórica e garra para os quartos

O Sporting CP assinou esta terça-feira uma das páginas mais gloriosas da sua história europeia. No Estádio José Alvalade, perante mais de 49 mil adeptos, os leões golearam o Bodo/Glimt por 5-0, após prolongamento, consumando uma reviravolta épica nos oitavos de final da Liga dos Campeões, cumprindo um objectivo que muitos apontavam como impossível mas afirmando o enorme querer e a garra do grupo de trabalho do futebol leonino.

Depois da pesada derrota por 3-0 na Noruega na passada semana, que valeu mesmo aos jogadores pesadas críticas dos adeptos que acompanharam a equipa em Bodo, que a brindou com gritos de “palhaços, joguem à bola”, a equipa de Rui Borges respondeu plena de brio e raça, com uma exibição enorme, anulando por completo a equipa sensação desta edição da Champions e carimbando o passaporte para a próxima fase desta prova milionária da UEFA.

O inferno de Alvalade engole
a sensação norueguesa

Se o jogo no Ártico foi um pesadelo congelante, a noite em Lisboa foi uma erupção vulcânica. O Bodo/Glimt, equipa que esta temporada derrubou gigantes como Manchester City, Inter de Milão e Atlético de Madrid, simplesmente não existiu. O vendaval verde e branco começou logo ao minuto 2, com um cabeceamento de Trincão por cima, num aviso do que aí vinha.

No lance de Trincão o Sporting não marcou, mas quem esteve no Estádio de Alvalade deu conta que ficou logo ali claro junto dos adeptos noruegueses (cerca de 2500 no topo norte de Alvalade) a apreensão por verem que a equipa leonina dominava por completo o jogo e ditava o seu rumo que viria a ser consolidado no marcador.

Aos 34 minutos, o estádio explodiu. Num canto batido por Trincão, Gonçalo Inácio, um dos centrais que a antevisão dava como baixa, subiu mais alto que a defesa norueguesa e cabeceou para o fundo das redes. Era o 1-0 e o reacender da chama da esperança.

A primeira parte foi de sentido único, com Luis Suárez e Maxi Araújo a carimbarem a bola na trave adversária. O intervalo chegou com a sensação de que o resultado era escasso para tantas oportunidades, mas a crença mantinha-se intacta.

Crença, entrega, raça
e um banco decisivo

Na segunda parte, Rui Borges provou que a leitura de jogo é uma das suas maiores armas. Com o capitão Hjulmand a dominar o meio campo, mesmo depois de ter visto o cartão amarelo que o irá impedir de jogar na primeira mão dos quartos de final, e apesar das lesões que assombram o plantel, o técnico montou uma equipa que pressionou como um todo e não deu espaços para possíveis transições rápidas dos noruegueses.

Aos 61 minutos, o prémio chegou. Geny Catamo, num dos seus vários rasgos, isolou Luis Suárez pela direita. O colombiano, cerebral e nada egoísta, jogou pela certa e serviu Pedro Gonçalves ao segundo poste, com este a ter apenas que encostar para o 2-0. A eliminatória estava bem encaminhada e o Bodo/Glimt, perdido em campo, já não sabia responder à fúria leonina.

Surgiram por esta altura as substituições de Rui Borges de um modo cirúrgico. Foram assim chamados à equipa leonina Nuno Santos e Daniel Bragança, elementos que deram nova vida à equipa. Aos 78 minutos, após mão na bola de Bjorkan, o VAR chamou o árbitro que, depois de rever o lance, não hesitou em apontar a marca do castigo máximo, abrindo o caminho ao Sporting para empatar finalmente a eliminatória. Luis Suárez chamou a si a responsabilidade de cobrar a grande penalidade e não tremeu: bola para um lado e o guarda-redes Haikin para o outro e estava marcado o 3-0, golo que deixou Alvalade em estado de graça.

O tempo regulamentar chegou ao fim com um remate de Nuno Santos ao poste, numa noite em que a baliza entregue ao guarda-redes russo do Bodo/Glimt parecia protegida por forças ocultas. Mas o destino reservava o melhor para o prolongamento.

Maxi Araújo e o menino Nel
gravam os nomes na história

O prolongamento mal tinha começado quando Alvalade voltou a rugir. Aos 92 minutos, Daniel Bragança encontrou Trincão na esquerda da área. O português, num gesto técnico de génio, deixou a bola escorregar para a entrada de Maxi Araújo que, com um remate colocado ao primeiro poste, enviou a bola por baixo do corpo de Haikin para o 4-0. O melhor em campo, eleito pela sua intensidade e pelo golo que colocou o Sporting na frente da eliminatória, coroou uma noite perfeita.

O Bodo/Glimt estava agora encostado às cordas. Haveria ainda o Sporting de conseguir o golo da confirmação, num lance já nos instantes finais, aos 122 minutos, quando o jovem Rafael Nel entrou para selar a obra de arte. Lançado por Daniel Bragança, o avançado que tinha entrado para o lugar do extenuado Luis Suárez, não tremeu e fuzilou às redes à guarda de Haikin, fixando o resultado em 5-0 e provocando a explosão final das bancadas.

Uma equipa com alma de campeão

O apito final do árbitro surgiu instantes após o 5-0, confirmando o triunfo dos pupilos de Rui Borges, ele que sempre disse acreditar que ia ser possível virar o resultado do primeiro jogo na Noruega, arriscou tudo e ganhou. Tendo que gerir algumas lesões e a debilidade física de elementos que não estavam a cem por cento à partida para este jogo, com uma defesa improvisada em que Eduardo Quaresma foi chamado à posição de defesa central ao lado de Gonçalo Inácio, o treinador soube transmitir a mensagem certa: a equipa apresentou-se como um bloco coeso, intenso e vertical.

Maxi Araújo, que falhara a primeira mão por castigo, foi um vendaval na esquerda, ao mesmo tempo que Morita e os suplentes que saltaram do banco deram a consistência necessária para anular Patrick Berg, o maestro norueguês que na primeira mão pautara o jogo em Bodo.

Para o Bodo/Glimt, resta o conforto de uma campanha histórica. Foram, até esta terça-feira, a equipa sensação da prova, mas esbarraram num Sporting que, em noites de glória, é simplesmente imparável. A provar isso mesmo fica uma exibição histórica e uma “remontada” épica, garantida com uma vitória que permite aos leões seguirem para os quartos de final da Liga dos Campeões, onde irão defrontar o Arsenal, de Mikel Arteta e do bem conhecido Viktor Gyokeres.

Os nomes dos próximos adversários, individuais ou colectivos, não assustam, até porque se há algo que esta noite provou em Alvalade é que este Sporting, depois de conseguir uma das cinco maiores reviravoltas da história da Champions e após ter conseguido a segunda presença do clube nos quartos de final da competição, decididamente não teme ninguém.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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