Os leões travaram o que poderia ter sido o tetracampeonato do Palma e voltam ao topo da Europa cinco anos depois, isto com a conquista por parte do Sporting Clube de Portugal, uma vez mais, do título de campeão da Europa de futsal.
Com efeito, a equipa orientada por Nuno Dias conquistou este domingo, 10 de maio, a UEFA Futsal Champions League, ao vencer na final o Illes Balears Palma Futsal, detentor dos três últimos títulos, por 2-0. O triunfo, alcançado na Arena de Pesaro, em Itália, devolve o cetro continental ao clube de Alvalade, que não vencia a competição desde 2021 e iguala agora o próprio Palma com três troféus no seu palmarés.
A vitória leonina carrega um simbolismo acrescido. Para além de interromper o ciclo vitorioso dos espanhóis, que ambicionavam o inédito tetracampeonato, o Sporting reafirma a sua posição como potência mundial da modalidade. Esta é a oitava final da história do clube na prova, um recorde absoluto, e o triunfo número três junta-se aos alcançados em 2019 e 2021.
Um golo cedo e resiliência heróica
O encontro começou da melhor forma para os leões. Aos quatro minutos, o guarda-redes Bernardo Paçó, numa noite inspirada, lançou o ataque pela direita e serviu Diogo Santos. O ala, sem hesitar, disparou rasteiro de pé esquerdo, a bola passou entre as pernas do guardião Dennis Cavalcanti e entrou para inaugurar o marcador.
O domínio inicial sportinguista era notório, mas a partida ganhou um contorno dramático antes do intervalo. A poucos minutos do fim da primeira parte, o próprio herói do golo, Diogo Santos, viu o segundo cartão amarelo e foi expulso, obrigando o Sporting a jogar em inferioridade numérica durante dois minutos. Foi um momento de enorme pressão.
O Palma atacou com tudo, mas esbarrou na muralha verde e branca: Bernardo Paçó voltou a negar o golo com defesas decisivas, e os três fixos – João Matos, Bruno Maior e Tomás Paçó – ofereceram uma lição de resiliência e sacrifício.
Chishkala sentencia e Zicky é o melhor em campo
Na segunda etapa, com o plantel de Nuno Dias de volta aos cinco elementos, a equipa portuguesa reassumiu o controlo do jogo. Zicky, eleito o Melhor Jogador da Final Four, esteve em destaque, acertando um genial toque de calcanhar no poste e criando desequilíbrios constantes.
Quando o Palma já pressionava com um guarda-redes avançado nos minutos finais, a estrela ucraniana Ivan Chishkala decidiu o destino do troféu. Aos 36 minutos, aproveitou um desarme na zona lateral e, com a baliza deserta, atirou para o fundo das redes adversárias, fazendo explodir a bancada ocupada pelos adeptos sportinguistas.
Com o resultado em 2-0, o Sporting geriu os instantes finais com a inteligência de quem conhece os palcos decisivos, segurando a terceira orelhuda da sua história.
“Uma conquista que não deixa dúvidas a ninguém”
No final do encontro, o técnico Nuno Dias, que soma agora três títulos europeus (tantos quantos Jesús Velasco e Antonio Vadillo), fez um balanço orgulhoso da exibição. “É uma conquista que não deixa dúvidas a ninguém. Quem viu estes jogos e percebe de futsal não tem dúvidas de que fomos merecedores”, afirmou o timoneiro dos leões em conferência de imprensa.
Dias salientou ainda a grandiosidade do percurso: “Vencemos todas as primeiras equipas do ranking da UEFA. Não vencemos por obra do acaso ou sorte, foi porque fomos mesmo competentes”.
Entre os recordes individuais, destaca-se a longevidade de João Matos. O capitão participou em todas as oito finais do Sporting desde 2011, alcançando na final de Pesaro o seu 25.º jogo numa fase decisiva e a 98.ª partida na competição, números que o tornam numa lenda viva da prova.
Com este triunfo, Portugal consolida a sua posição de força maior no futsal europeu, com o Sporting a juntar-se ao Benfica (vencedor em 2010) no restrito lote de campeões continentais portugueses, enquanto o rival Palma regressa a casa sem conseguir ampliar o seu reinado iniciado em 2023.









