A epopeia europeia do Sporting nos oitavos de final da Liga dos Campeões sofreu um valente mergulho nas águas gélidas do fiorde de Bodo. Na noite desta quarta-feira, 11 de março, no Aspmyra Stadion, a equipa de Rui Borges foi atropelada pela sensação norueguesa Bodo/Glimt, que venceu por 3-0 e colocou um pé nos quartos de final.
Para a turma de Alvalade foi uma noite para esquecer na qual os leões, depois de um início equilibrado, se desmoronaram perante a velocidade e eficácia nórdicas, vendo a tarefa para a segunda mão, terça-feira em Alvalade, transformada numa missão de cariz quase milagroso.
Um cartão apontou o colapso frente aos amarelos
A noite até começou com um fio de esperança para os visitantes. Rui Borges surpreendeu nas escolhas iniciais, promovendo as entradas de João Simões, Luis Guilherme e Vagiannidis, num onze que parecia desenhado para tentar igualar a intensidade do adversário. No entanto, o equilíbrio inicial, com ambas as equipas anulando-se no meio-campo, durou pouco mais de 20 minutos.
O primeiro sinal de alarme soou exactamente aos 20 minutos, quando Morten Hjulmand viu um cartão amarelo bem cedo. Numa jogada aparentemente inócua, o capitão leonino derrubou duramente um adversário no meio-campo e saiu do lance amarelado. A partir desse momento, o pulmão da equipa ficou a jogar sobre uma corda bamba, perdendo a agressividade que lhe é característica com medo de uma nova falta que o deixaria fora da próxima mão. Esse receio espalhou-se como uma nevasca pela equipa, que começou a congelar.

O castigo não tardou. Aos 29 minutos, o grego Vagiannidis, uma das apostas de Rui Borges, cometeu uma grande penalidade ao derrubar Sondre Fet dentro da área. O próprio Fet chamou a si a responsabilidade e, com frieza, deslocou Rui Silva para fazer o 1-0. Longe de acordar o Sporting, o golo teve o efeito oposto. A equipa nunca mais se reencontrou.
Já nos descontos da primeira parte, aos 45+1, Ole Didrik Blomberg aproveitou uma defesa verde e branca partida para, de ângulo apertado, fazer o 2-0, numa jogada em que a velocidade e a crença norueguesas deixaram os leões a olhar para o relvado sintético.
Segunda parte para esquecer na gélida Noruega
No regresso dos balneários, Rui Borges terá certamente puxado das palavras, mas o antídoto para o furacão amarelo não foi encontrado. O Sporting tentou subir no terreno e ter mais bola, mas esbarrou sempre numa muralha disciplinada e, mais importante, num adversário que saía em velocidade com uma letalidade assustadora.

Aos 71 minutos, o pesadelo tornou-se completo. Kasper Hogh, o matador da equipa, surgiu solto na área para encostar para o 3-0, o seu quinto golo em cinco jogos na Liga dos Campeões. A partir dali, ficava evidente a imagem de um Sporting irreconhecível: partido, lento e ineficaz. A defesa, aos papéis, não conseguiu travar as investidas de Hauge e Blomberg, que fizeram o que quiseram nas alas. O meio-campo, com Hjulmand amarrado pelo amarelo e João Simões a sentir o peso da estreia, nunca conseguiu impor-se e a bola, essa, queimava nos pés de Trincão e Luís Suárez, mesmo quando este surgia isolado na frente, lutando contra moinhos de vento.
No final, 3-0 é um resultado que até sabe a pouco para a exibição avassaladora dos noruegueses, que somam a quinta vitória consecutiva na prova. O Bodo/Glimt, a equipa que já eliminou o Inter Milão e venceu o Manchester City, continua a sua saga de conto de fadas e tem tudo a seu favor para seguir em frente na milionário Champions.

Já para o Sporting, a realidade é a mais negra e ficou bem espelhada nas muitas críticas que os adeptos leoninos em Bodo fizeram ao grupo de trabalho de Rui Borges, despedindo a equipa aos gritos de “palhaços, joguem à bola”. Transportando para Portugal esta derrota pesada por 3-0, o Sporting avança para a segunda mão em Alvalade onde, acima de tudo, tem como imperativo poder honrar a camisola, até porque, para a história a eliminação está esboçada ainda que os jogadores do Sporting queiram ir encontrar forças ao fundo do baú. Será tudo menos fácil!









