Com uma vitória arrancada a ferros, os Guerreiros do Minho venceram o Friburgo por 2-1 num jogo em que sofreram, mas em que a confiança e o heroísmo no cair do pano decidiu o primeiro duelo das meias-finais da Liga Europa da UEFA.
Numa noite que prometia ser de glória antecipada no Estádio Municipal de Braga, o SC Braga fez aquilo que poucos esperavam: sobreviveu. Sobreviveu à lesão precoce de Ricardo Horta, sobreviveu a um penálti defendido quando a vantagem no marcador parecia imperativa, e sobreviveu a uma exibição aquém do esperado do seu goleador Rodrigo Zalazar. No fim, quando os ponteiros já apontavam para o fim e o empate parecia consumado, Dorgeles surgiu como a figura do destino para selar o triunfo por 2-1 sobre o Friburgo.













A vitória, caiu do céu no minuto 92, mas foi justa. Os dados não mentem: posse de bola de 58% contra 42%, 13 remates contra 10, e uma qualidade do futebol praticado bem mais interessante e objectiva. No entanto, o futebol raramente se resolve com números ou expectativas, e o Friburgo, presente na sua primeira meia-final europeia, mostrou porque merece estar neste patamar frente ao SC Braga que pretende repetir a presença na final da Liga Europa, depois de ter conseguido esse mesmo desiderato em Dublin, curiosamente frente ao FC Porto, numa final portuguesa então vencida pelos dragões.
Entrada a todo o gás
e empate relâmpago
A partida começou da forma mais perfeita para os comandados de Carlos Vicens. Aos oito minutos, o turco Demir Ege Tıknaz, mais conhecido no universo futebolístico tão só como Tiknaz, atirou-se ao cruzamento rasteiro de Victor Gómez para, com um desvio subtil, inaugurar o marcador. A equipa minhota pressionava alto e não dava tréguas à formação da Floresta Negra.










No entanto, a eficácia germânica falou mais alto. Apenas oito minutos volvidos, um estranho colapso defensivo bracarense, num lance que permitiu uma perda de bola ainda no meio-campo defensivo do Friburgo, permitiu que Jan-Niklas Beste, antigo jogador do Benfica agora ao serviço desta formação germânica, corresse em direção à linha de fundo.
Em velocidade, com apenas o guarda-redes Horníček como obstáculo, o alemão serviu Vincenzo Grifo, o capitão da equipa alemã, que apareceu como uma sombra na entrada da área para, com um toque de classe, recolocar a igualdade no marcador. O Friburgo respirava, o SC Braga sentia o gelo na espinha.















O drama da lesão de Horta
e a noite infeliz de Zalazar
Se o empate foi um balde de água fria, o que se seguiria foi um sismo na estrutura dos “Guerreiros”. Aos 25 minutos, Ricardo Horta, o capitão, a alma e o criativo maior da equipa, caiu no relvado sem qualquer contacto adversário. As imagens eram de desolação. O astro português, que leva quatro golos e quatro assistências na prova, tinha de sair, acabando por dar o seu lugar a Mario Dorgeles.
Com o mestre fora de jogo, a batuta passou para Rodrigo Zalazar. Contudo, o uruguaio parecia uma sombra de si mesmo. Sem energia, com passes a sair ao lado, perdendo a bola por diversas vezes e caindo quase sempre nos confrontos individuais, a sua noite degradou-se ainda mais nos instantes finais da primeira parte. Numa grande penalidade assinalada por Anthony Taylor (após revisão do VAR por falta de Philipp Lienhart sobre Lagerbielke), Zalazar assumiu a responsabilidade. O remate foi potentíssimo, no canto, mas Noah Atubolu, o gigante guarda-redes alemão, voou para defender, mantendo a tradição: é o sexto penálti que defende nos últimos sete que enfrentou.















A aposta de Vicens
e o “Lucky Punch” final
A etapa complementar foi um xadrez tático. O Friburgo defendeu com linha de cinco homens, compacto, à espera do erro português para matar o jogo num contra-ataque. Maximilian Eggestein quase o conseguiu aos 64 minutos, mas Lukáš Horníček respondeu com uma defesa de qualidade a manter o empate.
Carlos Vicens, o timoneiro espanhol do Braga, já tinha poucos argumentos para colocar em campo. A entrada de Fran Navarro (para o lugar do apagado Zalazar) trouxe mais presença na área, mas a baliza de Atubolu parecia embruxada. Foi então que Vicens olhou para o banco… para o mesmo Mario Dorgeles que havia entrado por força da lesão de Ricardo Horta aos 25 minutos.
















O costa-marfinense, que é especialista em eficácia (cinco dos golos do Braga na Liga Europa saíram do banco), estava no sítio certo à hora certa. A jogada surgiu já no segundo minuto de compensação: Vitor Carvalho atirou forte de fora da área; o guarda-redes Atubolu, que fora herói na primeira parte, falhou na lição mais simples do “livro de primeiros socorros” e largou a bola morta a dois metros da linha de golo, e eis que Dorgeles, como uma flecha, antecipou-se a todos e atirou para o fundo da rede.
A Pedreira ecoou com o grito dos Guerreiros e os mais de mil adeptos do Friburgo silenciavam-se finalmente como nunca o fizeram até aquele instante. Estava feito o 2-1 para o Sporting de Braga, uma vitória em que já poucos acreditavam e que surgie como o triunfo do sofrimento, do acreditar até ao fim.













Tudo em aberto
na Floresta Negra
A vitória bracarense é merecida, mas o mercado de transferências de ânimos está longe de fechado. Com uma diferença de apenas um golo, o SC Braga viaja para a Alemanha na próxima quinta-feira, 7 de Maio, sabendo que o Friburgo ganhou todos os seus seis jogos caseiros na Liga Europa esta época.
Por outro lado, o Friburgo teme a história: os alemães nunca venceram uma equipa portuguesa em terreno germânico (recorde de duas derrotas e três empates). Para os homens de Carlos Vicens, ter o capitão Ricardo Horta de volta é uma incógnita, mas saber que o grupo conseguiu sobreviver à sua ausência é um tónico moral inegável. Fica o aviso: os “Guerreiros” querem chegar à Final de Istambul… a Floresta Negra treme.














Ficha de Jogo
Competição: UEFA Europa League 2025/26 – Meias-finais (1.ª mão)
Data: 30 de Abril de 2026
Local: Estádio Municipal de Braga.
Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra)
Resultado Final: SC Braga 2 – 1 SC Freiburg
SC Braga: Horníček; Victor Gómez, Vitor Carvalho, Paulo Oliveira, Lagerbielke; Demir Ege Tıknaz, João Moutinho, Gorby; Rodrigo Zalazar (Fran Navarro, 72′), Pau Victor; Ricardo Horta (Mario Dorgeles, 25′).
Treinador: Carlos Vicens
SC Freiburg: Atubolu; Treu, Ginter, Lienhart, Makengo; Eggestein, Manzambi; Beste, Yuito Suzuki (Höler, 81′), Grifo (Scherhant, 81′); Matanović.
Treinador: Julian Schuster
Golos:
Disciplina: Cartões amarelos para Gorby (Braga), Makengo e Manzambi (Freiburg) .





















