No ano em que o Casino Lisboa celebra duas décadas de portas abertas no Parque das Nações, o renovado Restaurante Beltejo reafirma-se como um espaço onde a cozinha tradicional portuguesa encontra nova vida. Reaberto em outubro passado, este espaço do piso 2 tem conquistado visitantes com um conceito simples e eficaz: jantares em buffet livre, ao preço fixo de 21€, das 19h00 às 22h30.
Entre o jogo e a cultura, este restaurante é um miradouro sobre o Tejo, com uma localização que resulta, desde logo, como um dos trunfos do Beltejo. Integrado no edifício que foi o Pavilhão do Futuro da Expo 98, o restaurante oferece uma vista privilegiada sobre a Avenida dos Oceanos — um cenário que, por si só, justifica a visita. Lá dentro, a aposta na renovação estética traduz-se num ambiente contemporâneo, onde os tons neutros e terrosos se combinam com apontamentos em vermelho queimado e dourado fosco, criando uma atmosfera acolhedora sem excessos de formalidade.
O nome “Beltejo” não é acidental. A fusão simbólica entre Lisboa e o Alentejo, duas regiões que se encontram precisamente nas margens do Tejo, traduz a identidade gastronómica do espaço: uma cozinha de raiz portuguesa que bebe tanto das tradições ribeirinhas como das planícies alentejanas.







Um buffet que honra
o “feitio” português
Ao contrário do que o termo “buffet” pode sugerir, a proposta do Beltejo está longe das grandes superfícies de comida sem identidade. Aqui, o que se encontra é uma seleção curada de especialidades da cozinha tradicional portuguesa — saladas simples e compostas, pratos quentes de peixe e carne, e uma variedade generosa de sobremesas.
Numa visita recente ao espaço, a reportagem do LusoNotícias pôde confirmar a qualidade da oferta: um coelho à caçador de excelente nível, mas também umas lulas confeccionadas com rigor, e uma carne de porco à alentejana que honra a designação do restaurante. No capítulo das sobremesas, o pudim de ovos, a mousse de chocolate ou o bolo também de chocolate figuravam naquele dia entre as escolhas mais acertadas, complementadas por fruta variada que alargava ainda mais a oferta.
Será bom recordar que num passado recente, antes da reabertura com o formato de buffet, o Beltejo já se distinguia pelos jantares temáticos quinzenais — noites dedicadas ao leitão de Negrais ou ao cozido à portuguesa. Embora esses eventos específicos já não se realizem desde a reabertura, a filosofia de valorização da cozinha nacional mantém-se intocada.






Um preço justo,
um serviço afável
Os 21 euros por pessoa representam, no panorama actual da restauração em Lisboa, uma relação qualidade-preço difícil de ignorar. Sobretudo num bairro como o Parque das Nações, onde jantar com vista para o rio costuma implicar valores substancialmente mais elevados.
O serviço, rápido e profissional, surge também como um Ás de trunfo, não das cartas do jogo das mesas do Casino, mas dos argumentos deste restaurante Beltejo, onde se mantém um registo informal que põe o cliente à vontade — algo que nem sempre é garantido em espaços associados a casinos.






Apreciação final: um espaço
que merece ser descoberto
O Restaurante Beltejo é assim, pelo que pudemos constatar, mais do que uma sala de jantar para quem já está no Casino Lisboa. É um destino gastronómico autónomo, onde a cozinha tradicional portuguesa é servida com honestidade e sem artifícios. Num edifício que poderia resumir-se à agitação das mesas de jogo, o Beltejo demonstra que é possível conciliar o prazer da mesa com a vertente cultural que o Casino Lisboa tem vindo a afirmar — a do teatro, da música, das exposições e dos espectáculos que fazem deste espaço um polo cultural activo, sempre no ritmo da capital.
Aos 20 anos do Casino Lisboa, o Beltejo renova-se e adapta-se. Não como uma aposta segura — dessas que se fazem nas mesas de blackjack — mas como uma certeza: a de que a boa cozinha portuguesa, quando bem feita e a preço justo, continua a ter lugar de destaque numa Lisboa que não pára de pulsar. A refeição surge pronta, disponível de forma mais ou menos rápida e agradável, prosseguindo a animação sem precisar sequer de sair do edifícil do Casino Lisboa.
Aceda ao Beltejo, sente-se à mesa, faça as suas apostas na gastronomia, e quem sabe se não ouvirá mesmo um elegante crupiê anunciar o fecho das apostas, talvez até de uma forma bem tradicional… “Rien ne va plus”











