Num jogo em que o avançado colombiano Luis Suárez voltou a chamar a si a responsabilidade de decidir mais um jogo a favor dos leões, ele que bisou no jogo desta sexta-feira em Alvalade, isolando-se na frente dos melhores marcadores e mostrando ao Sporting o caminho para mais uma vitória tranquila frente ao Estoril Praia, pudemos assistir, em simultâneo, a um jogo sem casos em que os leões lograram manter a perseguição ao líder FC Porto.
Em termos práticos, o Sporting não falhou o compromisso esta sexta-feira no Estádio José Alvalade. Na receção ao Estoril Praia, em jogo da 24.ª jornada da I Liga, a equipa de Rui Borges construiu uma vitória confortável por 3-0, com um bis do inevitável Luis Suárez ainda na primeira meia hora e um golo tardio de Daniel Bragança já nos descontos.
O triunfo leonino, esse, nunca esteve verdadeiramente ameaçado, permite aos leões manterem-se na perseguição ao FC Porto, segurando a distância que já vinha para esta jornada de quatro pontos para o líder, que também venceu nesta ronda do campeonato.









O instinto de Suárez decide o destino da noite
Se há jogador em forma no campeonato português, esse jogador chama-se Luis Suárez. O avançado colombiano voltou a ser a figura da noite em Alvalade, resolvendo o jogo com uma eficácia devastadora nos primeiros 16 minutos.
Aos 6′, apareceu no local certo, ao segundo poste, para desviar um cruzamento perfeito de Trincão e fazer o 1-0. Apenas dez minutos depois, voltou a facturar, desta feita numa demonstração de oportunidade e técnica: lançado em profundidade por um fantástico passe de Morten Hjulmand, dominou com o pé esquerdo e finalizou com o direito, sem dar hipóteses a Joel Robles.
Com este bis, Suárez saltou para a frente da tabela dos melhores marcadores do campeonato, chegando aos 22 golos e superando o grego Pavlidis, do Benfica, que agora tem menos dois golos. Um feito notável que ganha contornos de afirmação pessoal numa luta direta, especialmente sabendo que Pavlidis só voltará a jogar na segunda-feira, o que dá ao colombiano a tranquilidade de ver o trono da artilharia, para já, pintado de verde e branco.






Duas partes distintas, um controlo leonino
Apesar da goleada, o jogo não foi totalmente linear. Rui Borges, no final, faria a análise ao encontro, falando em “duas partes distintas”. A primeira parte foi, de facto, um monólogo leonino em que a equipa entrou com uma energia avassaladora, pressionante e com qualidade na construção, quebrando as linhas altas do Estoril com uma facilidade tremenda. O domínio foi tal que, aos 16 minutos, o resultado já estava desenhado e Alvalade podia relaxar.
A segunda parte, porém, trouxe um Estoril mais ambicioso e um Sporting mais quebrado fisicamente. Os forasteiros, orientados por Ian Cathro, perceberam a quebra de ritmo dos leões e tentaram aproveitar. Guitane, sempre o mais perigoso, obrigou Rui Silva a uma excelente defesa aos 62 minutos, e Pedro Carvalho, pouco depois, desperdiçou uma oportunidade clara que poderia ter recolocado incerteza no marcador.








Rui Borges reconheceu as dificuldades: “Na segunda parte falhámos demasiados passes, ligações quando ganhávamos a bola, deixámos o Estoril ter um pouco mais de bola do que o que queríamos” . Apesar do susto, a dupla de centrais, com Gonçalo Inácio e Diomande em destaque, soube anular as investidas da equipa canarinha, mantendo a baliza a zeros.
Bragança fecha a conta com classe
Quando o jogo caminhava para um final mais morno do que propriamente emocionante, eis que surge o momento de inspiração que todo o sportinguista aprecia. Já nos descontos, aos 90+4′, Daniel Bragança, que tinha entrado aos 83 minutos para o lugar de Geny Catamo, recebeu de Nuno Santos, tirou Ferro da frente com um toque de classe e rematou de pé direito para fazer o 3-0 final. Foi o terceiro golo do médio na época e o prémio para a paciência de uma equipa que, mesmo sem brilhar na etapa complementar, nunca permitiu que o adversário acreditasse verdadeiramente.







A entrada de Pizzi pelo Estoril, aos 80 minutos, foi recebida com uma sonora assobiadela por parte de Alvalade, memória viva da sua longa ligação ao Benfica, um pequeno momento de rivalidade numa noite de superioridade leonina.
O que fica para a frente
Com este resultado, o Sporting soma 61 pontos e mantém viva a chama do título, ainda que dependa de um deslize do FC Porto para recuperar a liderança. A equipa de Rui Borges parece ter encontrado uma base sólida e, sobretudo, um goleador em estado de graça.




Para o Estoril Praia, a derrota trava um pouco o ímpeto de uma equipa que tem feito um campeonato tranquilo e que, com 33 pontos, ocupa o sétimo lugar, mas que em Alvalade percebeu a diferença de patamar para os candidatos ao título. A próxima jornada dirá se os leões conseguem manter a pressão, enquanto Suárez continuará a olhar para o retrovisor à espera de ver se Pavlidis consegue, ou não, responder ao desafio.









