O Benfica viajou até aos Açores para cumprir calendário, mas o que se esperava ser uma noite tranquila no Estádio de São Miguel transformou-se num suplício com sabor a três pontos preciosos. Na abertura da 22.ª jornada da I Liga, os encarnados venceram o Santa Clara por 2-1, numa partida que teve dois tempos radicalmente opostos e que fica marcada por um erro clamoroso de Anatoliy Trubin, capaz de transformar uma mão cheia de golos em sofrimento até ao apito final.
A primeira parte foi um monólogo encarnado. Aos 16 minutos, Tomás Araújo, improvisado no lado direito da defesa num jogo em que José Mourinho não pôde contar com Aursnes, cruzou com conta, peso e medida para o segundo poste, onde Vangelis Pavlidis, implacável, cabeceou para o 0-1.
O grego voltou a estar em destaque aos 38 minutos, numa jogada magistral pela esquerda: foi à linha de fundo e cruzou tenso para a pequena área; Gianluca Prestianni surgiu a tentar encostar, mas a bola acabou por ser desviada para a própria baliza por Paulo Victor, num autogolo que dilatava a vantagem para 2-0 e parecia sentenciar a contenda. Ao intervalo, a sensação era de dever cumprido e de olho já no próximo desafio.





Mas o futebol tem destas ironias. Mal a segunda parte arrancou, eis que aos 47 minutos Gustavo Klismahn cobrou um canto na esquerda, Gonçalo Paciência cabeceou fraco no coração da área e Trubin, num frango de todo o tamanho, deixou a bola escorregar-lhe por entre as pernas. O Benfica, que tinha aparentemente um jogo tranquilo, perdia naquele lance toda a compostura, ficando obrigado a segurar a vantagem mínima até ao final dos 90 minutos.
O 1-2 tinha chegado num ápice e devolveu os açorianos ao jogo, empurrando o Benfica para um mar de intranquilidade, e aquilo que era para ser uma gestão tranquila da vantagem transformou-se num sofrimento prolongado. À equipa de José Mourinho restou a sofrida missão de segurar o resultado como pôde até aos descontos, altura em que Lucas Soares viu ainda a cartolina vermelha por acumulação de amarelos.




Com o apito final do árbitro chegou a confirmação para o Benfica da importante conquista dos três pontos, num jogo que só correu desta forma complicada por culpa própria. Afinal, o mesmo Trubin que antes, frente ao Real Madrid, foi o grande herói dos encarnados, foi desta feita carrasco em casa própria, obrigando a tesão e trabalho suplementar a si próprio e aos seus companheiros.
A vitória do Benfica, ainda que sofrida, tem um peso específico na corrida pelo título, isto porque a turma da Luz chega aos 52 pontos, igualando provisoriamente o Sporting e colocando a pressão nos rivais, que ainda não jogaram esta jornada. Mais do que isso, permite à equipa encarar com outro espírito o desafio que se avizinha: na próxima terça-feira, a Luz recebe o Real Madrid para a primeira mão do play-off de acesso aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.


Numa semana decisiva para as aspirações europeias das águias, vencer nos Açores era obrigação. O futebol pode não ter convencido, e o susto com o frango de Trubin ainda assombra, mas os três pontos regressam no avião no saco desde os Açores até Lisboa e o foco dos pupilos de Mourinho já está no embate com o Real Madrid.









