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Dragão acordou na linha com triunfo no Estoril a caminho do título

Num domingo decisivo para as contas do título, o FC Porto deslocou-se ao reduto do Estoril Praia e, com uma exibição segura e eficaz, venceu por 1-3. Depois do sabor amargo do empate europeu, a equipa de Francesco Farioli voltou aos triunfos e colocou uma mão no troféu, à espera que o dérbi de Lisboa ajude a definir quem terá reais condições para chegar ao título.

O Estádio António Coimbra da Mota, na bela linha do Estoril, foi o palco escolhido para o FC Porto dar a volta à página mais cinzenta da temporada. Na quinta-feira, o empate caseiro a uma bola, frente ao Nottingham Forest do português Vítor Pereira, num jogo onde uma infelicidade defensiva travou a vitória, soube a pouco. A equipa azul e branca deu a ideia de ter ficado com o sabor amargo na boca pelo que a viagem até à costa portuguesa serviu para limpar a mente e provar que, no plano interno, os dragões não estão para brincadeiras.

Com a pressão do Sporting no horizonte, a vitória em casa dos canarinhos recoloca os azuis e brancos numa posição de força indiscutível. O caminho para o título está, como diz o povo, “escancarado”.

A “Bomba” e o “Azar” resolvem a primeira parte

Se havia receio de que a frustração europeia pesasse, ele dissipou-se rápido. Francesco Farioli, ciente da necessidade de rodar o plantel antes da segunda mão em Inglaterra, apostou num onze competitivo, destacando-se os regressos de Gabri Veiga ao onze e a aposta em Zaidu no corredor esquerdo.

A partida começou com mão portista, e o marcador foi inaugurado aos 14 minutos num lance de alta escola. Gabri Veiga, com uma exibição individual de grande nível, recebeu na esquerda e colocou um cruzamento rasteiro com “peso e medida” para a área. No segundo poste surgiu Pepê, que aplicou um desvio implacável para o primeiro golo da tarde.

A vencer por 1-0, o FC Porto não se acanhou e continuou a pressionar a saída de bola do Estoril, treinado por uma equipa técnica que tentava travar o ímpeto. Aos 32 minutos, a vantagem foi dilatada. Após uma bola parada batida novamente por Gabri Veiga, Victor Froholdt surgiu solto a cabecear. A bola ia entrar, mas o médio Xeka, na ânsia de cortar, acabou por encostar para a própria baliza, fixando o 0-2 com que se chegou ao intervalo.

Gestão, golo e reação tardia

Na segunda parte, a abordagem de Farioli foi clara: gerir o esforço e evitar surpresas. O técnico italiano mexeu (bem) no tabuleiro, lançando frescura com Deniz Gül e mantendo a equipa coesa. O Estoril ainda tentou reagir, até viu um golo ser-lhe negado por fora de jogo, mas a verdade é que a defesa portista, liderada por Diogo Costa, controlou os esforços canarinhos.

Aos 72 minutos, a eficácia portista voltou a falar mais alto. Numa jogada que começou num canto, Alberto Costa, outro dos jovens lançados por Farioli, fez a assistência para o fundo da área. Victor Froholdt, o dinamarquês que tem sido uma das revelações da época, só teve o trabalho de encostar para o 0-3, fechando a contagem e garantindo os três pontos.

Já com o jogo resolvido, e num sinal de cansaço ou desconcentração dos homens do FC Porto, o Estoril chegou ao golo de honra, à passagem do minuto 78: Yanis Begraoui recebeu na área, rodou rápido sobre a defesa e atirou sem hipótese para o guarda-redes Diogo Costa, fazendo o 1-3 final. Foi apenas um consolo estatístico para os locais, incapazes de manchar a exibição portista.

O regresso da intensidade

Olhando para a forma como o FC Porto explanou o seu jogo no tapete verde da Amoreira, o técnico Francesco Farioli surpreendeu ao apostar em Gabri Veiga como maestro. O espanhol foi o motor da equipa, participando diretamente nos dois primeiros golos e mostrando uma visão de jogo que tinha estado escondida nas últimas semanas.

Na defesa, Zaidu foi um “furacão”, dando largura à equipa e associando-se constantemente ao ataque. As substituições foram cirúrgicas: com o jogo controlado, poupou titulares como Alan Varela e Pepê (substituído aos 82′), olhando já para o duelo com o Nottingham. A equipa mostrou-se letal nas bolas paradas, um dos pontos fortes trabalhados durante a semana.

Já do lado do Esotirl Praia, a equipa canarinha, desta feita a jogar de cinza escura com o quarto equipamento do clube da linha, estreado nesta partida, tentou responder com a posse de bola, registando 55% de posse, mas revelou-se inofensiva. As tentativas de reagir com a entrada de Pizzi (aos 77′) trouxeram alguma qualidade no passe que resultou no golo de honra, mas a verdade é que a equipa pecou por demasiado respeito nos primeiros 45 minutos. A aposta inicial em Xeka a médio acabou por sair frustrada, com o autogolo que quebrou psicologicamente a equipa .

Vem aí o dérbi!

Com este resultado, o FC Porto mantém-se firme no comando da Liga Portugal. Enquanto os dragões faziam a sua obrigação, o cenário pintava-se de azul e branco com uma semana de antecipação para a jornada que aí vem. Já no domingo, depois de Sporting e FC Porto resolverem o seu futuro imediato nas provas da UEFA será altura para o dérbi de Lisboa, entre Sporting e Benfica, jogo que coloca os dois rivais diretos frente a frente e que, independentemente do resultado final, terá no FC Porto um dos vencedores por atecipação.

Na verdade, para o FC Porto o cenário é de sonho: aguarda-se um “deslize” de um dos rivais. Se o dérbi terminar empatado, a vantagem dos portistas torna-se ainda mais confortável, e se houver um vencedor, um dos rivais ficará em definitivo pelo caminho na corrida para o título. O Benfica já não terá grandes aspirações, mas uma derrota dos leões será a permissão para que o FC Porto possa marcar o desfile do campeão na Avenida dos Aliados.

Para já, a vitória no Estoril foi a resposta perfeita dos pupilos de Francesco Farioli ao “nó” na garganta deixado pela Liga Europa. A equipa azul e branca mostrou que, internamente, está blindada e o campeonato, esse, está mais do que nunca nas garras do Dragão.


Ficha de Jogo

Estoril Praia 1-3 FC Porto

Data: Domingo, 12 de abril de 2026
Estádio: António Coimbra da Mota, Estoril
Árbitro: (Informação não detalhada nas fontes)

Golos:

  • 0-1: Pepê (14′, assistência de Gabri Veiga) 
  • 0-2: Xeka (32′, p.b., na sequência de cabeceamento de Froholdt) 
  • 0-3: Victor Froholdt (72′, assistência de Alberto Costa) 
  • 1-3: Yanis Begraoui (78′, assistência de Pizzi) 

Equipas:

Estoril Praia: Joel Robles; Ricard Sánchez, Jandro Orellana (Lominadze, 77′), Tsongui, Pedro Amaral (Pedro Carvalho, 71′); Xeka (Guitane, 63′), Holsgrove (Pizzi, 77′), João Carvalho; André Lacximicant (Alejandro Marqués, 71”), Begraoui.
Treinador: Equipa técnica do Estoril
Nota: O Estoril alinhou com Xeka a médio, tendo este sido infeliz ao marcar na própria baliza.

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa, Thiago Silva, Bednarek, Zaidu (Francisco Moura, 70′); Seko Fofana (Pepê, 82′ – atenção: fonte indica Pepê saiu aos 82′ para entrada de Fofana ), Varela, Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 70′); Pepê (Seko Fofana, 82′), Deniz Gül (Terem Moffi, 70′), William Gomes.
Treinador: Francesco Farioli
*Nota: O FC Porto jogou em 4-3-3, com Gabri Veiga em evidência e Froholdt a sair do banco para marcar.*

Disciplina: Cartão amarelo para Ricard Sánchez (Estoril).

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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