SLB 4-2 Real Madrid 2762

Benfica vence Real Madrid e segue na Champions com Trubin como herói

Quem se delocou esta quarta-feira para assistir ao jogo entre Benfica e Real Madrid, que discutia a continuidade dos encarnados na milionária Liga dos Campeões, caso conseguisse um lugar de acesso ao playoff que antecede a discussão dos oitavos-de-final da competição, certamente não irá esquecer este jogo épico. Afinal, se uma vitória do Benfica sobre o Real Madrid por 4-2 era já motivo de celebração por parte dos adeptos encarnados, a forma como a mesma foi consegida, com um golo do guarda-redes Anatoliy Trubin já para além do último minuto de compensação dado pelo árbitro, com o Real Madrid reduzido a nove unidades dentro das quatro linhas, mostra a forma surreal como terminou este jogo que irá permanecer nas páginas de glória do Benfica e, porque não dizê-lo, do futebol português.

Na noite desta quarta-feira o Estádio da Luz não foi apenas palco de um jogo de futebol, tendo sido cenário de um daqueles momentos que ficam gravados na história do desporto, onde a lógica foi subvertida e um guarda-redes escreveu, com a cabeça, o epílogo de uma batalha épica. O Benfica venceu o Real Madrid por 4-2, num jogo em que tudo estava em jogo – a última vaga para o playoff da Liga dos Campeões –, sendo que aquele que carimbou o passaporte de acesso a tal meta foi Anatoliy Trubin, o guardião ucraniano do clube das águias que, como viria a confessar já depois da partida, em 24 anos de vida nunca tinha marcado um golo.

A chuva que caía sobre Lisboa parecia lavar qualquer vestígio de timidez da equipa de José Mourinho, que entraram de forma brilhante no jogo, a dominar o adversário como um pequeno David frente ao poderoso Golias.

Desde o primeiro minuto, as águias saíram em voo rasante e foram criando diversas oportunidades para chegar ao golo na baliza do gigante Courtois. O jovem argentino Prestianni, um furacão pelo lado esquerdo, assombrou Courtois com um remate colocado que exigiu uma defesa de outro mundo. O Benfica pressionou, criou, e viu o poste negar-lhe o golo, mas acabaria por ser o Real Madrid a marcar, claramente contra a corrente do jogo. Aos 30 minutos, Mbappé, com um cabeceamento implacável depois de aparcer ao segundo poste, deixando Dedic para trás de si, silenciou por momentos a Luz.

Mbappé abriu o marcador na noite da Luz

Parecia mais uma cena tantas vezes vistas em que as equipas portuguesas surgiam a jogar como nunca mas a perder como sempre. Falhando na eficácia, perdendo oportunidades de golo absolutamente incríveis, o Benfica acabou por consentir aquele golo do internacional francês do Real Madrid, acusando o toque e deixando a sensação de que este seria mais um jogo igual a tantos outros em que iria imperar a lei do mais forte. Só que a equipa encarnada, ao contrário do que aconteceu em outras situações, não se dobrou, continuou a acreditar e, assente sobre a garra de dois miúdos, nomeadamente Prestianni – que exibição! – e Schjelderup, acabaria por dar a volta ao marcador.

A primeira resposta ao golo do camisola 10 dos merengues foi rápida, coletiva e letal. Aos 36 minutos, Pavlidis escapou pela direita, cruzou na medida e Schjelderup, com um cabeceamento técnico, fez o empate. O norueguês, que seria eleito o homem do jogo, tornou-se a dor de cabeça constante da defesa merengue. E porque era importante passar para a frente do marcador, quando se sabia que o futuro dos encarnados na Champions estava a ser discutido em diversos jogos desta última ronda da fase de liga, os pupilos de José Mourinho tudo fizeram para chegar rapidamente a novo golo.

Num jogo em que o árbitro já tinha revertido uma grane penalidade assinalada inicialmente, quanto a nós de forma correta, mas decidido contra o Benfica por intervenção do VAR, os jogadores benfiquistas mostraram que mantinham a confiança e a gara no jogo, manietando o poderoso Real Madrid que, no primeiro tempo, apenas por uma vez conseguiu ameaçar a baliza de Trubin e só com um remate de longe. Já do lado do Benfica as oportunidades sucediam-se, Leandro Barreiro chegou a rematar à malha lateral permitindo que meio estádio tivesse gritado golo, devido a uma enorme ilusão de ótica,, ficando a sensação de que o segndo golo do Benfica poderia aparecer a qualquer instante.

Vantagem ao intervalo dava esperança ao Benfica

Antes do intervalo, o segundo golo dos encarnados apareceu mesmo, agora devido a nova grande penalidade, desta vez assinalada e confirmada pelo VAR. Tchouaméni, que até já tinha um cartão amarelo, agarrou Otamendi dentro da área de baliza do Real Madrid e impediu que o capitão do Benfica saltasse à bola, na sequência de um pontapé de canto. A grande penalidade foi assinalada e na conversão o grego Pavlidis não perdoou, colocando o Benfica em vantagem. Por esta altura a Luz rugiu, sentindo que a proeza dos seus pupilos era possível.

Depois de um intervalo em que se recordaram vitórias de outros tempos, homenageando António Simões, José Augusto e Mário João, os três presentes na tribuna presidencial dos encarnados, eles que integraram a equipa do Benfica que, em 1962, venceu o Real Madrid na final da Taça dos Campeões Europeus, era tempo dentro das quatro linhas de fazer justiça à história e à memória de vitórias antigas. Talvez por isso, o Benfica reentrou no jogo sem se contentar com o facto de estar na frente do marcador, procurando dilatar a vantagem, algo que conseguiram aos 54 minutos.

Andreas Schjelderup voltou a surgir com perigo junto à área do Real Madrid, desta vez pelo lado esquerdo, depois de uma assistência de Pavlidis, num lance iniciado por Prestianni com um passe desde o corredor contrário. O jovem norueguês tirou um adversário da sua frente, rasgou já dentro da área e, com um remate colocado no canto próximo de Courtois, fez o seu segundo golo e o terceiro da equipa encarnada.

Schjelderup e Prestianni mostravam vontade e garra ímpares

Por esta altura tudo corria bem ao Benfica que reunia condições para garantir o apuramento para o playoff. Só que o Real Madrid, apesar da apatia coletiva que caracterizou da equipa merengue, na qual ninguém defendia e deixavam a missão defensiva nas mãos do gigante Courtois durante largos períodos, tinha ainda assim uma arma chamada Kylian Mbappé. Aos 58 minutos, servido por Arda Güler, o francês voltou a deixar Dedic “nas covas” e voltou a festejar o golo, reduzindo a diferença no marcador entre as duas equipas para 3-2, chegando aos 13 golos na fase de liga e superando um recorde de Cristiano Ronaldo.

Foi então que o jogo entrou numa espiral de loucura. O Benfica aproximava-se do final da partida e precisava de mais um golo para garantir o seu objectivo, o árbitro dava mais cinco minutos de compensação e, ao mesmo tempo, o Real Madrid, desesperado, perdia a cabeça. Raúl Asencio viu o segundo amarelo aos 90+3 minutos, e Rodrygo seguiu-se-lhe poucos minutos depois, por comportamento antidesportivo.

Os merengues terminaram com nove homens e o técnico Álvaro Arbeloa assistiu, impotente, ao desmoronar da sua equipa. Curiosamente, porém, do lado do Benfica, dava a ideia de que ninguém tinha feito chegar a informação ao banco dos encarnados que era mesmo preciso mais um golo, algo que se não surgisse implicaria para a turma de José Mourinho a morte na praia. O público gritava “só mais um”, mas Mourinho fazia entrar mais um defesa para fechar a sua baliza, transmitindo a mensagem de que a missão estava cumprida… quando não estava.

Trubin foi o mago que tirou o golo da cartola

Assim, depois de Trubin ter mesmo perdido algum tempo na reposição da bola em jogo, levando os adeptos ao desespero nas bancadas, alguém terá finalmente dito aos jogadores do Benfica que era mesmo preciso marcar mais um golo, revelando-se o momento definitivo do jogo que estava guardado para os últimos segundos.

Nos descontos, com o Benfica a precisar de vencer para se qualificar, Aursnes foi carregado em zona próxima da área do Real Madrid, do lado direito do ataque. Mourinho mandou subir o seu guardião para a área adversária, Fredrik Aursnes levantou um cruzamento magistral na cobrança do pontapé livre, e Trubin, como um ponta-de-lança nato, surgiu no meio da confusão para cabecear, firme e baixo, junto ao poste esquerdo de Courtois.

Golo! O estádio explodiu. O guarda-redes, herói improvável, foi soterrado pelos companheiros numa celebração incrível, justificada pelo golo que selava a vitória por 4-2, aos 90+8 minutos, e, mais importante, que empurrava o Benfica para os playoffs da Champions deixando o Real Madrid fora do apuramento direto que antes esteve ao seu alcance. A turma merengue saiu da Luz derrotada, condenada a uma nona posição na fase de liga e a uma inesperada viagem pelos playoffs.

Do lado do Real Madrid ficaram apenas os dois golos de Mbappé e uma lição de coragem. Do lado do Benfica, ficou uma exibição soberba de raça e talento: a classe de Schjelderup, a energia inesgotável de Prestianni e, acima de tudo, a cabeça de ouro de Trubin. Em uma noite, um guarda-redes provou que, por vezes, as melhores histórias são as mais improváveis. O futebol, na sua essência, agradece… e os adeptos do Benfica também!

texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte

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