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Sporting “empurrado” para a vitória no terreno do Santa Clara

Sob o céu denso dos Açores, o Estádio de São Miguel foi palco, este sábado, de um dos episódios que, para além de ter sido um jogo de futebol, promete mais discussão e controvérsia para a presente temporada da I Liga. O Santa Clara, o anfitrião desta partida, viu a vitória escapar-lhe das mãos de forma cruel e discutível, sucumbindo por 2-1 perante um Sporting que, na senda dos grandes campeões, soube capitalizar até a mais ínfima das oportunidades, mesmo quando esta foi presenteada por um erro grosseiro da arbitragem que serviu de empurrão aos leões para a conquista dos três pontos.

Num jogo em que o Sporting foi quase sempre superior, com um valor final de posse de bola nos 74%, foi, ainda assim, a equipa da casa quem começou melhor a surpreender o adversário. Logo aos 5 minutos, Vinícius Lopes aproveitou um passe de Wendel Silva e, com frieza, abriu o marcador, despertando o querer açoriano e lançando um claro aviso aos visitantes: a equipa da casa não estava dentro das quatro linhas para simplesmente cumprir calendário.

Perante a adversidade, o Sporting procurou então acordar, numa missão que se revelou difícil e quase mesmo impossível… não fosse o “quase”. Aos 32 minutos, a primeira resposta da turma leonina surgiu pelos pés de um dos seus melhores neste jogo. Pedro Gonçalves, aproveitando um passe de Geny Catamo, não perdoou e restabeleceu a igualdade no marcador, num jogo que era agora dominado pelos leões. Até ao intervalo, a equipa de Lisboa demonstrou a sua superioridade em posse de bola e em volume ofensivo (21 remates contra 5 dos açorianos ao longo de todo o jogo), mas não conseguiu transformar esse domínio num golo que desse a vantagem no resultado.

A segunda parte foi um combate estratégico. O Santa Clara, organizado num sólido 5-4-1, defendia com todas as suas forças, enquanto o Sporting procurava incessantemente uma brecha. À beira do fim da partida, o empate parecia ser um resultado justo, ainda que amargo para ambas as equipas, nomeadamente para os guerreiros da casa que se batiam com alma, mas também para o Sporting que dominava sem que tirasse daí quaisquer consequências positivas. O relógio avançava implacável para os descontos, e o clímax de tensão instalava-se no estádio.

Seis minutos de compensação
decidiram o jogo em São Miguel

Pior ainda para o Sporting ficou todo o cenário quando, à beira do fim, aos 90’+02′, Maxi Araújo cometeu uma falta à entrada da área leonina sobre Brenner, quando este estava isolado em frente a Rui Silva e se preparava para poder fazer o segundo golo do Santa Clara. O Sporting ficava assim reduzido a 10 unidades, tendo apenas quatro dos seis minutos da compensação para encontrar uma solução relativa ao embróglio em que se encontrava.

Foi então, no auge da pressão, que se desenhou a jogada que mancharia o desfecho do encontro e que irá ser recordada, certamente, pelo menos até ao final da presente temporada. Aos 90+4 minutos, num lance que ficará para a história deste campeonato, o árbitro auxiliar assinalou um pontapé de canto a favor do Sporting, numa decisão que as imagens televisivas revelariam depois como claramente inexistente. Numa disputa de bola junto à linha lateral, a poucos metros do árbitro auxiliar que acompanhava o lance, Geovany Quenda deu um pontapé trapalhão na bola atirando esta pela linha de fundo, sem qualquer todo em outro jogador que não o extremo do Sporting. A bola saiu pela linha de fundo, deveria haver lugar a um pontapé de baliza, mas a equipa de arbitragem, num erro grosseiro, assinalou um pontapé de canto.

Os jogadores do Santa Clara protestaram, o VAR não teve qualquer intervenção no lance já que o protocolo do VAR não lhe permitia a correção daquele lance claramente errado, e o erro foi consumado, com o mesmo Quenda, o jogador que tinha enviado a bola pela linha de fundo, a assumir a cobrança do pontapé de canto. Ouviu-se o apito do árbitro, Quenda cruzou para a área da turma açoriana, a bola chegou a Morten Hjulmand e este, no meio de uma área bem preenchida por jogadores das duas equipas, subiu mais alto para pentear a bola a preceito e com isso marcar o golo que deu a vitória à turma leonina.

A reação da equipa do Santa Clara foi de incredulidade e de uma fúria justificada. A revolta foi geral, e o “sururu” materializou-se em campo de forma explosiva. Nos instantes caóticos que se seguiram ao golo, as emoções transbordaram. Adriano Firmino, com vermelho direto, e Sidney Lima, com um vermelho por acumulação de amarelos, foram ambos expulsos após uma troca de argumentos com o árbitro, num final que manchou um jogo de luta com o selo amargo da injustiça.

O apito final soou pouco depois, confirmando o 1-2 no marcador. Para o Sporting, os três pontos, conquistados com garra, mas também com uma generosa ajuda do destino (ou da arbitragem). Para o Santa Clara, a dor de uma derrota que sabe a roubo, a sensação amarga de que o futebol, por vezes, pode ser profundamente injusto. Foi uma vitória do Sporting, sem dúvida, mas foi, acima de tudo, uma crónica de uma injustiça desportiva cometida nos Açores.

texto: Jorge Reis
fotos: © X (Twitter)

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