Um de cada quatro adolescentes distrai-se com o telemóvel e quase metade perde controlo do tempo.
Um estudo sobre a infância e tecnologia patrocinado pela SaveFamily, empresa de origem espanhola de smartwatches, dá conta que um de cada quatro adolescentes utiliza o telemóvel como “forma de escape para esquecer os problemas, ao mesmo tempo que quase metade reconhece ter perdido o controlo do tempo que passa em frente ao ecrã.”
Em Portugal, 25% das crianças entre os 10-11 anos dispõe já de um telemóvel, uma percentagem que chega aos 75% entre os 11 e os 14, e uma utilização quase universal acima dos 15.
Jorge Álvarez, CEO da SaveFamily, alerta em comunicado que “estamos perante sistemas que fomentam uma utilização continuada e dificultam a desconexão”, o que é mais premente com a antecipação na idade de acesso ao primeiro telemóvel. Se há uma década se situava perto dos 13 ou 14 anos, hoje, um terço dos adolescentes portugueses já dispõem de um smartphone antes dos 13 anos e nalguns casos o contacto com dispositivos conectados começa ante antes dos 8 anos.
Saúde mental e escola
O relatório da SaveFamily aponta para uma relação entre o uso intensivo das redes sociais e o declínio da saúde mental, já que “os adolescentes que passam mais de três horas por dia em plataformas digitais duplicam o risco de sofrer problemas psicológicos, enquanto 17% reconhece ter tentado reduzir a sua utilização sem o conseguir.”
Em paralelo, emergem sinais do impacto no âmbito educativo e social com 11% dos jovens a admitir que o uso de telemóvel afeta negativamente o seu rendimento escolar, enquanto outros jovens asseguram que sofrem de problemas mentais tais como ansiedade associada à desconexão ou a necessidade constante de interação digital, reagindo, até, com agressividade quando se tenta privá-los do telemóvel.
“Estamos a ver como a tecnologia entra na vida dos menores sem uma progressão adaptada ao seu desenvolvimento. Isto gera uma sobre-exposição que pode ter efeitos cumulativos no seu bem-estar emocional, a sua capacidade de concentração e as suas relações sociais”, adverte Álvarez.
Em Portugal, 91% das casas com crianças conta com acesso à internet, o que reflete uma tendência de penetração elevada de tecnologia e antecipação na idade de utilização. A esta realidade junta-se o papel da inteligência artificial, que amplifica os riscos ao personalizar conteúdos e acelerar a exposição a estímulos digitais. O relatório adverte que a combinação de acesso precoce, desenho persuasivo e sistemas algorítmicos gera dinâmicas de utilização continuada que afetam de forma cumulativa o desenvolvimento cognitivo dos menores.
Neste contexto, os especialistas coincidem na necessidade de repensar o modelo atual de acesso digital. Além de limitar o tempo de utilização, a tendência atual procura atrasar a entrega do primeiro smartphone para fomentar alternativas supervisionadas e reforçar tanto a educação digital como os mecanismos de controlo.








