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FC Porto eliminado em Nottingham… quando a bola não entra o querer não chega!

Há noites em que o futebol nos oferece histórias de superação e glória, e outras em que nos confronta com a amargura da injustiça e a fina linha entre a heroicidade e a frustração. Esta quinta-feira, no histórico City Ground, os 30.000 adeptos do Nottingham Forest viveram a primeira realidade; os milhões de portistas à distância sentiram a segunda.

O FC Porto acabou assim por ser eliminado da Liga Europa nos quartos de final da competição, perdendo por 1-0 diante do Forest num jogo que ficará para sempre marcado pelo minuto 5 e por uma decisão do VAR, tecnicamente correta, e que à luz dos padrões das competições caseiras até poderá ser apontada como desproporcional: a expulsão prematura de Jan Bednarek. Afinal, aquilo que os árbitros que temos por cá preferem tantas vezes ignorar, é mesmo analisado a sério nas provas da UEFA, e quando assim é de nada vale pedir desculpa depois do mal estar feito.

Com o empate a uma bola da primeira mão a prometer um duelo de três tempos, as expetativas eram altas. O técnico Francesco Farioli, num movimento de surpresa, apresentou um onze com seis alterações em relação ao último compromisso interno, apostando em Pablo Rosario e Seko Fofana no miolo, deixando Alan Varela de fora. Do outro lado, o português Vítor Pereira, velho conhecido do Dragão onde foi bicampeão, montou a sua equipa num pragmático 4-2-3-1, confiando na velocidade de Omari Hutchinson e Dan Ndoye para ferir os visitantes .

A entrada violenta de Bednarek
no minuto 5′ que mudou o destino

O jogo mal tinha aquecido quando o City Ground ficou em silêncio. Aos cinco minutos, num lance disputado a meio-campo, onde a bola nem sequer estava num lance de perigo, Jan Bednarek subiu para disputar um lance aéreo com o avançado Chris Wood. O pé do polaco, levantado de forma imprudente, atingiu o joelho do neozelandês, com uma conduta imprudente que viria a ser fatal.

Inicialmente, o árbitro holandês Danny Makkelie nem sequer assinalou falta grave. Contudo, o VAR chamou-o ao monitor e a repetição das imagens não deixava margem para dúvidas: a entrada era perigoso e colocava em risco a integridade física do jogador do Forest. Conclusão… cartão vermelho direto.

À passagem dos oito minutos (a análise do lance por parte do juíz da partida durou pouco mais de dois minutos), o FC Porto ficava reduzido a dez unidades. Francesco Farioli, no banco, escondeu o rosto nas mãos, num gesto claro de quem compreendia o erro cometido do seu defesa central. Afinal, depois daquele lance, e com a equipa azul e branca a jogar com 10 unidades, a montanha que se avizinhava era agora um penhasco.

Apenas quatro minutos depois, o castigo veio na forma de um desvio infeliz. Neco Williams cruzou rasteiro da direita, Morgan Gibbs-White rematou de primeira e a bola, traiçoeira, desviou em Fofana (que tinha recuado para central para cobrir a vaga de Bednarek), enganando por completo Diogo Costa. 1-0 no marcador, 2-1 no agregado e eliminatória fatalmente comprometida.

A partir dali, a primeira parte foi um pesadelo azul e branco. com menos um homem, os dragões defendiam com a alma, mas os Tricky Trees passeavam a bola, com Gibbs-White a comandar as operações. Pior: Chris Wood, o homem da entrada infeliz, não aguentou em campo, saindo lesionado aos 16 minutos, num duro golpe para o sonho inglês.

A raiva azul inconsequente
e o ferro que não quis colaborar

Se o primeiro tempo foi de sobrevivência para o FC Porto, o segundo foi de orgulho. Francesco Farioli mostrou a sua coragem ao intervalo e lançou quatro unidades frescas, incluindo Alan Varela e Francisco Moura, permitindo que o FC Porto deixasse de ser um mero espectador para se tornar um pesadelo para a defesa caseira.

Com apenas 10, os dragões foram à procura do golo que forçasse o prolongamento. A equipa portuguesa encostou o Forest às cordas e esteve a centímetros de forçar a prorrogação por duas vezes. Aos 56 minutos, William Gomes, solto na área, soltou um remate poderosíssimo que fez explodir o travessão da baliza de Stefan Ortega. A bola bateu na parte de baixo do ferro e saiu, mas o estádio engoliu em seco.

Parecia que a sorte, tão ingrata na primeira parte, tinha mudado de campo. Ainda assim, o FC Porto acreditava e, quando já se jogavam os últimos suspiros (aos 84 minutos), Alan Varela, numa bomba disparada de fora da área, voltou a fazer a bola embater na trave. O City Ground tremeu pela segunda vez, mas o código de barras do ferro recusou-se a colaborar e a bola não entrou.

Foi, ainda assim, um segundo tempo de rara bravura por parte do FC Porto que terminou com Diogo Costa a subir até à área do Forest na tentativa de surpreender a turma inglesa. Mesmo com um jogador a menos, Farioli conseguiu equilibrar a posse de bola e, estatisticamente, teve ocasiões mais flagrantes do que o adversário, mas, a eficácia, lado a lado com a sorte, faltaram ambas quando os dragões mais precisaram.

Aposta insuficiente de Farioli
face à gestão de Vítor Pereira

A noite foi assim um estudo de contrastes táticos. Francesco Farioli arriscou tudo ao intervalo. Com a entrada de Varela e a subida das linhas, abdicou de tentar segurar o resultado para tentar ganhá-lo. Pagou-se a expulsão, mas o discurso do balneário foi soberbo. Porém, a aposta inicial em Bednarek revelou-se um tiro nos pés. O polaco, num ato de excesso de zelo, comprometeu uma eliminatória que estava perfeitamente em aberto e que o FC Porto provou que tinha argumentos para a ultrapassar se tudo tivesse corrido sem aquele cartão vermelho.

Já o técnico português Vítor Pereira, do lado do Nottingham Forest, geriu o resultado como um verdadeiro mister português. Após o golo, o Forest não precisou de brilhar mas tão só de controlar. Apesar das dificuldades no segundo tempo, a equipa da casa mostrou resiliência, mesmo vendo dois remates adversários baterem nos ferros. De uma forma assertiva, o antigo treinador do FC Porto cumpre a sua “vingança” silenciosa, levando o Forest às meias-finais europeias 42 anos depois.

A frustração e o futuro

A eliminação dói aos dragões. Dói porque a eliminatória estava ao alcance da turma portista, mas dói, principalmente, porque o FC Porto foi superior no segundo tempo mesmo quando o Forest estava em vantagem numérica. Dói para a turma da Invicta porque dois ferros impediram o golo que levaria o jogo para prolongamento, e mais dói se pensarmos que a campanha europeia, que tinha sido positiva até aqui, termina após os lances da bola nos ferros com a sensação de “e se…?”

Com a Europa fechada, Farioli tem agora um novo capítulo da sua missão pela frente, virando-se o foco totalmente para a I Liga e para a Taça de Portugal. A frustração desta noite terá de servir como combustível para as batalhas domésticas que se avizinham. Afinal, o sonho europeu morreu em Nottingham, mas a época do FC Porto tem tudo para se permitir a um final feliz em casa.


Ficha de Jogo

Nottingham Forest (4-2-3-1): Stefan Ortega; Neco Williams, Jair Cunha, Murillo (Morato, 72′), Ola Aina; Ibrahim Sangaré, Nicolás Domínguez; Dan Ndoye (Milenkovic, 65′), Morgan Gibbs-White, Omari Hutchinson (Hudson-Odoi, 46′; Bakwa, 72′); Chris Wood (Igor Jesus, 16′).
Suplentes não utilizados: Matz Sels, Ryan Yates, James McAtee, Lorenzo Lucca, Zack Abbott.
Treinador: Vítor Pereira

FC Porto (4-3-3): Diogo Costa; Alberto Costa (Froholdt, 46′), Thiago Silva, Jan Bednarek, Zaidu (Francisco Moura, 46′); Seko Fofana, Pablo Rosario, Gabri Veiga (Kiwior, 46′); William Gomes (Deniz Gül, 66′), Terem Moffi, Borja Sainz (Alan Varela, 46′).
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa, Pepê, Prpic, Tiago Silva, Rodrigo Mora.
Treinador: Francesco Farioli

Local: City Ground, Nottingham.
Árbitro: Danny Makkelie (Holanda).
Golo: Morgan Gibbs-White (12′).
Ação disciplinar: Cartão vermelho para Jan Bednarek (8′).
Resultado Agregado: Nottingham Forest 2 – 1 FC Porto

texto: Jorge Reis
fotos: Pedro Loureiro / Avantsports

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