O Concurso de Piano de Oeiras está de volta para a sua oitava edição, entre 20 e 22 de junho, e promete voltar a transformar o concelho num dos epicentros da música erudita em Portugal. São esperados mais de uma centena de jovens pianistas, de várias nacionalidades, num evento que já é reconhecido como uma das principais competições ibéricas para talentos emergentes. A organização é da Associação CulturXis, com o apoio do Município de Oeiras, e a procura tem sido tanta que os dois recitais programados estão, desde já, completamente lotados.
A competição está dividida em sete categorias etárias, desde os 7 anos (categoria A) até aos 32 anos (categoria E). Esta diversidade de idades reflete bem o espírito do concurso: não é só uma prova de virtuosismo, mas também uma ponte entre gerações e culturas, com participantes vindos de vários países a cruzarem-se num projeto que alia excelência artística à formação e ao intercâmbio.
As eliminatórias vão decorrer no Auditório Municipal José de Castro, nos dias 20 e 21, e as finais, no dia 22, transferem-se para o Templo da Poesia, palco das categorias mais avançadas e do Recital de Encerramento. E não é por acaso que os músicos dão o litro: estão em jogo mais de 10 mil euros em prémios monetários. O Grande Prémio, para a Categoria E, soma 5 mil euros e ainda garante participação em três festivais internacionais. Já os vencedores das categorias C e D ganham a oportunidade de atuar num dos palcos mais emblemáticos do país: a Casa da Música, no Porto.
Por detrás de todo este sucesso está uma ideia que ganhou corpo e dimensão. “Em oito edições, mais de mil jovens pianistas subiram a este palco. O Concurso de Piano de Oeiras tornou-se aquilo que imaginámos: uma plataforma real de descoberta e projeção de talento, com impacto que vai muito além de Oeiras”, sublinha Tiago Nunes, fundador e diretor artístico do concurso.



O nível também se mede pelo júri. A presidir ao painel está o pianista espanhol Alberto Urroz, um nome com carreira internacional sólida, com passagens por salas como o Carnegie Hall e o Weill Recital Hall, em Nova Iorque, o Auditório Nacional de Madrid ou o Sejong Center, em Seul. Ao seu lado, estarão outras figuras do panorama pianístico mundial, com perfis que alternam entre a carreira de concertista e a atividade pedagógica.
E não é só dentro da competição que a música acontece. O Concerto de Abertura está marcado para o dia 20, às 21h00, no Auditório Municipal José de Castro, com o pianista português de ascendência ucraniana Máximo Klyetsun, vencedor do concurso em 2022 e que recentemente ganhou notoriedade pública com a sua participação no Got Talent Portugal. Depois de estudar na École Normale de Musique de Paris Alfred Cortot – onde alcançou a classificação máxima –, foi selecionado em 2026 para o prestigiado Arthur Rubinstein International Piano Master Competition. No programa, traz um cardápio exigente: os 24 Prelúdios de Chopin, as Variações sobre um Tema de Corelli de Rachmaninoff e a Rapsódia Húngara n.º 6 de Liszt.
Já o Recital de Encerramento, a 22 de junho, também às 21h00, no Templo da Poesia, fica a cargo do sul-coreano Youngho Park, outro vencedor do concurso de Oeiras e também do 22.º Concurso Internacional de Piano Île-de-France. O seu recital é totalmente dedicado a Beethoven, com as Sonatas “Waldstein”, Op. 53, Op. 54 e “Appassionata”. Ambos os concertos, recorde-se, já não têm bilhetes disponíveis.
O que começou como uma iniciativa local é hoje um evento com projeção internacional e um trampolim para jovens intérpretes, confirmando que Oeiras está cada vez mais na rota da música clássica e da descoberta de novos valores.









