Enquanto o tão discutido novo aeroporto da região de Lisboa continua sem data para avançar — com Alcochete a surgir como a solução aparentemente definida, mas ainda distante — o atual hub, Humberto Delgado, recebe investimentos avultados para se manter operacional e moderno. Neste enquadramento, a ANA | VINCI Airports acaba de inaugurar uma fase importante deste contínuo processo de atualização, uma inauguração que mereceu a presença do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz o titular da pasta das Infraestruturas e Habitação no governo liderado por Luís Montenegro que tem a responsabilidade direta pela pasta dos transportes e dos grandes projetos, incluindo o novo aeroporto de Lisboa.
Concluíram-se agora as obras de ampliação e modernização da área de embarque Schengen do Terminal 2, representando um investimento de 12 milhões de euros. Esta intervenção é parte de um plano mais abrangente, designado UPGRADE, que soma mais de 300 milhões de euros em obras atualmente em curso no aeroporto. Desde 2021, só no Terminal 2, já foram aplicados 20 milhões de euros.
As melhorias no Terminal 2 são visíveis: a área ganhou mais espaço, luz natural, lugares sentados e pontos de carregamento. A oferta de restauração e comércio foi alargada e o fluxo de passageiros foi reorganizado. Tecnologicamente, todas as portas de embarque estão agora equipadas com um sistema biométrico (“Biometrics by VINCI Airports”), prometendo processos mais rápidos e sem recurso a papel.







No entanto, o foco principal do investimento está no Terminal 1, onde decorre a maior fatia do montante global. Em curso está uma ampliação profunda que inclui a construção do novo “Pier Sul”, que acrescentará 33.000 m2 de área e 12 novas portas de embarque (das quais 10 serão pontes telescópicas), para além da reformulação total do núcleo central do terminal.
Estes investimentos, considerados necessários para responder ao crescimento do tráfego aéreo e para manter padrões de qualidade e eficiência, funcionam como um paliativo caro para uma infraestrutura que opera no seu limite. Eles asseguram uma experiência mais confortável para passageiros, mas não resolvem a questão de fundo: a capacidade estrutural limitada do aeroporto na Portela.
Thierry Ligonnière, CEO da ANA | VINCI Airports, sublinhou o compromisso com a melhoria da experiência de viagem, afirmando: “Este investimento reforça a capacidade do Aeroporto de Lisboa para acolher os passageiros com mais conforto e eficiência”. Enquanto isso, a solução definitiva — o novo aeroporto — permanece no horizonte, um projeto eternamente adiado que condiciona o futuro da aviação na capital portuguesa.







Refira-se que esta inauguração no Terminal 2 acontece quando no Terminal 1 a situação caótica das filas de 3 a 6 horas para entrada em Portugal a quem chega ao Aeroporto Humberto Delgado vindo de fora do Espaço Schengen, nomeadamente cidadãos extracomunitários. Esta questão, no entanto, está na alçada de outra pasta ministerial, isto porque Miguel Pinto Luz é o principal responsável pela decisão e construção do novo aeroporto, a solução de fundo, mas a crise atual das filas é gerida pelo ministério da Administração Interna, que se confronta com uma situação que expõe os limites do aeroporto existente e aumenta a pressão sobre o Governo para que se avance com a solução definitiva.
Miguel Pinto Luz, que nesta cerimónia destacou a importância de se manter o investimento no actual aeroporto, reforçou a ideia de que Portugal continua a garantir o controlo de fronteiras activas apesar de se ter suspendido o novo Sistema Europeu de Entrada e Saída (EES) por não assegurar tempos de espera eficazes.








