A partir da próxima segunda-feira, os portugueses vão sentir um forte impacto na carteira quando forem abastecer. De acordo com informações recolhidas junto de fontes do setor e avançadas pela comunicação social, prevê-se uma subida histórica do preço dos combustíveis, reflexo direto da escalada do conflito militar no Médio Oriente e do consequente disparo do preço do petróleo para valores acima dos 85 dólares por barril.
Os aumentos, que já estavam a ser projetados ao longo da semana, confirmam-se como os mais acentuados dos últimos anos. A grande preocupação dos consumidores e das empresas é o gasóleo, que deverá registar uma subida entre 23 e 25 cêntimos por litro. Já a gasolina simples 95 deverá sofrer um aumento mais moderado, mas ainda assim pesado, entre sete e oito cêntimos por litro.
Caso as previsões se concretizem, o preço médio do gasóleo simples deverá fixar-se perto dos 1,88 euros por litro, enquanto a gasolina simples 95 poderá ultrapassar os 1,78 euros. Esta subida desproporcional do gasóleo face à gasolina cria uma situação invulgar no mercado, tornando o combustível mais utilizado em Portugal (o gasóleo) mais caro do que a gasolina, algo que não se verificava com esta magnitude desde o início da guerra na Ucrânia.
Perante a dimensão do impacto, que promete agravar a inflação e os custos de transporte de mercadorias, o Governo já reagiu. O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, tinha garantido no debate quinzenal na Assembleia da República que o executivo interviria caso o aumento ultrapassasse os dez cêntimos . Confirmando a promessa, o Governo vai ativar um desconto extraordinário e temporário no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP).
De acordo com o Ministério das Finanças, a medida traduz-se numa redução específica de 3,55 cêntimos por litro no ISP aplicado ao gasóleo rodoviário. Este desconto visa compensar parcialmente a receita adicional de IVA que o Estado arrecadaria com o aumento do preço final, funcionando como um amortecedor para travar a escalada. O objetivo declarado do executivo é “devolver aos portugueses e às empresas” o acréscimo de receita fiscal.
No entanto, a medida é já considerada insuficiente pelas associações do setor. A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) e a EPCOL alertam que, apesar da ajuda, o desconto fica aquém do necessário para anular o choque nos preços, deixando os consumidores a suportar a maior fatia deste aumento histórico. A recomendação que resta aos automobilistas, esta sexta-feira e durante o fim de semana, é aproveitar os últimos dias com os preços antigos para encher o depósito.








