Num jogo que reeditou um dérbi que não acontecia há mais de quatro décadas na cidade de Lisboa, o Atlético Clube de Portugal recebeu em casa emprestada, no Estádio do Restelo, o Benfica, uma partida da quarta eliminatória da Taça de Portugal que os encarnados venceram por 2-0, com golos marcados apenas na segunda parte por Richard Rios e Pavlidis. Mas para quem pensar que esta vitória do Benfica foi tranquila, até tendo em conta a diferença entre as duas formações – o Atlético milita actualmente na Liga 3 –, a verdade é que não foi, isto porque a formação de Alcântara deu luta, manteve o nulo até para lá do intervalo, e encontrou pela frente um Benfica apático, sem garra, e a deixar o seu treinador extremamente irritado com os jogadores encarnados.
Na verdade, o Benfica demorou a “entrar” no jogo, acumulou passes errados e bolas entregues ao adversário, permitindo mesmo que fosse a turma do Atlético a primeira a ter para si uma oportunidade de golo. Numa equipa em que José Mourinho apresentou três defesas – António Silva, Otamendi e Tomás Araújo, com os laterais a jogarem como médios pelas alas, alinhando Dedic no lado direito e o jovem Rodrigo Rêgo pela esquerda, uma estreia absoluta na equipa encarnada e um dos elementos que melhor jogou pelo Benfica, surgindo Aursnes e Enzo no “miolo” com uma linha avançada formada por Ivanovic, porventura o elementos menos produtivo da formação visitante, João Rêgo e Pavlidis pelo meio, a verdade é que contam-se pelos dedos de uma mão os lances devidamente organizados em que o Benfica materializou a posse de bola que teve mas de forma inconsequente.
Ao intervalo, como José Mourinho viria a revelar aos jornalistas no final da partida, o treinador dos encarnados terá dito aos seus jogadores que, se tal fosse possível, mudaria nove jogadores, deixando em campo apenas Otamendi e o estreante Rodrigo Rêgo. Sem poder fazer essa revolução no “onze”, e guardando uma substituição para uma necessidade que pudesse ter na etapa complementar, a verdade é que Mourinho operou quatro alterações na sua equipa, chamado a jogo Richard Rios, Schjelderup, Dahl e Leandro Barreiro, por troca com Enzo, Ivanovic, Tomás Araújo e João Rêgo. Ganhou com isso o Benfica mais consistência perante um Atlético que surgia cada vez mais confiante, num conjunto em que desconhecidos como Catarino, um miúdo de 17 anos, mas também Caleb ou Rodrigo Dias, deixaram boa impressão enquanto estiveram em campo.
Mourinho mudou quatro jogadores
no onze do Benfica ao intervalo








Certo é que o Benfica que no primeiro tempo jogou em ritmo de cumprimento dos tais “serviços mínimos”, conseguiu alguma energia no segundo tempo, muito por força do aparecimento de Richard Rios que deu outra alma ao meio-campo encarnado. Acabou assim o médio colombiano por merecer o prémio do primeiro golo, conseguido na resposta a um pontapé de canto aos 73 minutos, golo que Rios festejou de uma maneira original, quase que expurgando a “má sorte” que tem tido desde que chegou ao Benfica e que não o deixou mostrar na equipa da Luz a qualidade com que veio etiquetado do Palmeiras no Brasil.
A vencer por 1-0, o Benfica beneficiou de uma grande penalidade, uma falta clara cometida sobre Leandro Barreiro dentro da área da turma de Alcântara que resultou no castigo máximo favorável aos encarnados. Chamado a converter, Pavlidis rematou a bola rasteira para o lado esquerdo do guarda-redes Rodrigo Dias, este adivinhou o lado do remate mas, ainda assim, deixou a bola passar por baixo do corpo, conseguido assim o Benfica o tranquilizador segundo golo no marcador, isto quando estavam passados 77 minutos.
José Mourinho ainda fez a quinta alteração, com a entrada de Henrique Araújo para o lugar de Pavlidis, O Benfica continuou a ter mais posse de bola e a jogar no meio-campo defensivo do Atlético mas sem conseguir retirar daí quaisquer dividendos, e apenas nos últimos minutos da partida voltou a sentir-se a adrenalina do golo eminente… que não aconteceu. Primeiro foi Schjelderup a obrigar Rodrigo Dias a uma excelente defesa depois de um remate desferido à entrada da área, e pouco depois, no derradeiro minuto do jogo, uma nova falta na grande-área do Atlético, agora cometida sobre António Silva, permitiu nova grande penalidade para os encarnados.






Otamendi falhou o terceiro golo para as águias
Sem Pavlidis em campo foi Otamendi quem assumiu a transformação do penálti, mas se no primeiro que o grego converteu o guarda-redes adivinhou o lado da bola e quase defendeu, desta vez, perante o remate do argentino, o guardião do Atlético voltou a adivinhar o lado da bola, mas desta vez de forma assertiva, voando para o seu lado direito e desviando a bola para a linha de fundo.
O Benfica perdeu assim a oportunidade de fazer o terceiro golo contra o Atlético, acabando o jogo com um resultado afinal mais justo pelo que as duas equipas fizeram em campo, numa partida em que três golos para os encarnados daria uma ideia claramente errada do que teria sido o jogo a quem só olhasse para o resultado final. José Mourinho, o técnico dos encarnados, não poupou críticas aos seus jogadores pela forma displicente e nada aplicada como jogaram, nomeadamente nos primeiros 45 minutos, deixou mesmo o recado a alguns jogadores que não lhe vão bater à porta e perguntar porque não jogam pois a resposta a essas perguntas terá ficado evidente no que (não) fizeram neste jogo, e, no meio de tantas críticas, ainda teve tempo para elogiar o miúdo Rodrigo Rêgo, jogador de 20 que se estreou pela equipa principal do Benfica e que, como adiantou José Mourinho, irá viajar na próxima semana para os Países Baixos, disponível para jogar frente ao Ajax no jogo da quinta jornada da fase de liga da Champions.
Da parte do Atlético, ficou o mérito de ter apresentado uma equipa combativa, dedicada, com alguns elementos que deram tudo em campo, e que no fundo mereceram por inteiro o troféu que levaram nas mãos, não do apuramento para a próxima ronda da Taça, porque esse foi para o Benfica, mas as camisolas dos jogadores encarnados que, quase todos, responderam afirmativamente ao pedido dos homens de Alcântara para a troca amistosa de camisolas no final da partida. Afinal, cumpriu-se a festa da Taça de Portugal.









