O FC Porto apresentou-se aos sócios e adeptos com uma vitória por 2-1 frente ao Aston Villa, num jogo que serviu mais para confirmar a identidade da equipa de Francesco Farioli do que propriamente para exibir novidades revolucionárias. O resultado acaba por ser o menos relevante numa noite em que o Dragão encheu para ver os campeões nacionais, mas a exibição, ainda que com altos e baixos, deixou alguns indicadores interessantes para a temporada que se avizinha.
Bons princípios, afinação necessária
Quem esperava uma equipa em modo de pré-época, a arrastar-se até ao apito final, saiu certamente surpreendido. Desde o apito inicial, os portistas mostraram uma pressão alta que já tinha sido uma das marcas do último campeonato. A estratégia de Farioli parece clara: não mexer no que funciona, mas adicionar camadas de qualidade. E foi exatamente essa pressão que deu frutos. Aos cinco minutos, William Gomes aproveitou um ressalto na área para abrir o marcador.
Mas o Aston Villa, que venceu a última Liga Europa, não é adversário para se encolher. Aos 12 minutos, Luka Lynch empatou, num lance que expôs uma distração defensiva. O tento sofrido, no entanto, não abalou a estrutura. Pelo contrário, serviu para confirmar a resiliência que se exige a uma equipa que quer lutar por títulos. O golo da vitória, já perto do intervalo, surgiu de uma bola parada, com Pepê a aproveitar um desvio para recolocar os dragões na frente. 2-1 ao intervalo, justo pelo que as duas equipas produziram .



Novidades e apostas para o futuro
A noite também serviu para ver as caras novas. André Silva, de regresso ao clube nove anos depois, foi uma das novidades. Ainda sem entrosamento total com os companheiros, o avançado mostrou disponibilidade e teve alguns bons momentos de combinação, mas é evidente que precisa de mais minutos para recuperar a melhor forma.
Outro nome que despertou curiosidade foi Hwang In-beom. O sul-coreano, vindo do Feyenoord, entrou na segunda parte e deixou boa impressão. Numa altura em que o jogo já estava mais partido, o médio trouxe critério e até serviu Borja Sainz num lance de bom entendimento. Para já, parece uma alternativa sólida a Froholdt, que foi o motor da equipa durante grande parte do encontro.
Para além dos reforços, Farioli não hesitou em lançar miúdos da formação no meio da equipa principal. Luís Gomes, Bernardo Lima, Tiago Silva e Duarte Cunha são nomes que começam a ganhar espaço e que podem ser opções úteis ao longo da época. Num plantel mais curto do que no ano passado, a aposta na formação é uma necessidade, mas também uma oportunidade.
Diogo Costa continua
com o 99 nas costas



Uma das questões que se colocava em redor deste jogo tinha a ver com o número que o guarda-redes Diogo Costa seria apresentado, isto depois da Direção de André Villas boas ter proposto ao guarda-redes portista que passasse a envergar a camisola 2, número agora “histórico” do FC Porto o qual foi usado por João Pinto ou pelo malogrado Jorge Costa. Diogo Costa, porém, recusou esta mudança, alegando “respeito” ao FC Porto e preferindo manter o dorsal 99 que, recorde-se, já foi usado no passado pelo seu ídolo, o antigo internacional português Vítor Baía.
Acabou assim por ser sem surpresa que Diogo Costa entrou em campo como o último dos jogadores portistas apresentado na chamada do plantel ao relvado do Estádio do Dragão, envergando a camisola 99, mantendo assim o seu número bem como o estatuto de capitão dos azuis e brancos. Apesar de ser apontado como podendo ser negociável caso apareça uma proposta de acordo com o seu valor, tudo indica que Diogo Costa continue a ser o dono e senho das redes da baliza portista, pelo que o número 99 continuará entregue ao guarda-redes mais cotado entre os jogadores portugueses para a sua posição.
Ficha do Jogo
- FC Porto 2-1 Aston Villa
- Local: Estádio do Dragão
- Árbitro: Lino Godinho
- Assistência: 47.098 espectadores
Golos:
- William Gomes (5′)
- Pepê (41′)
Aston Villa:
FC Porto (Onze inicial): Cláudio Ramos; Alberto Costa, Nehuén Pérez, Jan Bednarek, Zaidu; Alan Varela, Victor Froholdt, Pablo Rosario; Pepê, André Silva, William Gomes.
Aston Villa (Onze inicial): Marco Bizot; Matty Cash, Ezri Konsa, Tyrone Mings, Ian Maatsen; Ross Barkley, Boubacar Kamara; Leon Bailey, Morgan Rogers, Jacob Ramsey; Luka Lynch.



Plantel em construção,
com olhos na Supertaça
O que se viu no relvado do Dragão acabou assim por ser um FC Porto em evolução. A identidade já está lá, a garra também, mas ainda há arestas a limar. A segunda parte, com poucas oportunidades de golo, mostrou que o ritmo não é o mesmo e que a equipa ainda está a assimilar algumas dinâmicas.
O próximo teste, frente ao São João de Ver, já no domingo, servirá para continuar a afinar esses pormenores. A verdadeira prova de fogo será a Supertaça frente ao Torreense, marcada para 1 de agosto, sendo que, até lá, Farioli terá tempo para trabalhar e, quem sabe, integrar mais algum reforço no plantel.










