SCP 1-0 FCP TP 2987

Noite de exageros e mão leve do árbitro dita vitória do Sporting frente ao FC Porto

O Sporting venceu o FC Porto por 1-0 na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, num clássico disputado no Estádio de Alvalade que ficará marcado menos pelo futebol e mais pela trapalhada disciplinar. A equipa de arbitragem liderada por Cláudio Pereira e o VAR Manuel Oliveira tiveram uma noite para esquecer, permitindo que o jogo escalasse para níveis de virilidade que os jogadores, percebendo a permissividade, trataram de explorar até ao limite. O resultado acaba por ser o menos importante de uma noite onde o que fica é a sensação de impunidade dentro das quatro linhas.

O jogo começou dividido, com o FC Porto a surgir mais perto da baliza de Rui Silva, mas com o Sporting a dar a ideia de ter o jogo controlado, ainda que ficasse mais distante da baliza de Diogo Costa. Com o passar dos minutos, os leões conseguiram instalar-se no meio-campo defensivo dos dragões, que não conseguiam sair da pressão.

Aos 14’, o FC Porto respondeu, procurando instalar-se no meio-campo do Sporting que, ainda assim, fechava muito bem os caminhos para a baliza à guarda de Rui Silva. Dois minutos depois, Fresneda rematou com a bola a passar muito perto do poste direito de Diogo Costa, num contra-ataque que esteve perto de dar o primeiro golo do jogo. Já o primeiro pontapé de canto surgiu aos 19’, para o Sporting, batido por Luís Guilherme mas sem consequências.

O jogo esteve parado cerca de oito minutos, primeiro por assistência a Bednarek, num lance em que Suárez o terá atingido com o braço esquerdo, e depois a Pepê. O encontro era eletrizante, com o árbitro a deixar jogar, o que permitiu algumas entradas mais duras. Aos 29′, Luís Guilherme caiu em zona frontal à área do FC Porto, mas o árbitro mandou-o levantar e deu indicação a Hjulmand de que o brasileiro tinha simulado. A verdade é que Cláudio Pereira não assinalou qualquer falta, mas também não mostrou um possível amarelo por simulação.

Aos 32′, Bednarek voltou a ficar no chão depois de uma discussão pela posse de bola na pequena área do FC Porto – terá sido atingido agora com a perna de Diogo Costa e teve que sair do jogo. O FC Porto teve que optar pela entrada de Kiwior, deixando ainda assim os leões durante alguns instantes a jogar contra dez. Aos 43′, Luis Suárez ficou caído depois de um lance com Pablo Rosário e reclamou grande penalidade. Cláudio Pereira nada assinalou, e o VAR Manuel Oliveira optou por não intervir num lance em que ficaram muitas dúvidas sobre se o colombiano do Sporting terá sido atingido quando se encontrava claramente dentro da área portista.

Aos 45’, um remate de William Gomes fez a bola sair pela linha de fundo, resultando em um canto para o FC Porto. O árbitro deu mais 10 minutos de compensação depois de muitas paragens prolongadas durante esta primeira metade da partida.

A comédia de erros do apito

Aos 44 minutos, o clímax da confusão. Alberto Costa viu um primeiro cartão amarelo depois de “varrer” Maxi Araújo que teatralizou a queda. Pouco depois, o lateral portista fez uma falta agora bem mais dura sobre Geny Catamo, entrada claramente para amarelo, mas porque seria o segundo amarelo e consequente vermelho o árbitro não exibiu, certamente porque sabia que o jogador tinha visto o amarelo minutos antes e teria de recolher aos balneários. Hjulmand correu para junto do árbitro, gesticulou de forma exagerada, e foi o capitão do Sporting a ver o cartão amarelo. Ficou, porém, claramente o segundo amarelo por exibir a Alberto Costa e o FC Porto, que deveria ter ficado reduzido a dez, manteve-se com os onze jogadores em campo.

Com tudo isto, faltariam cinco minutos depois deste lance dos 10 de compensação dados por Cláudio Pereira, mas a verdade é que só foram jogados dois a três minutos. O árbitro foi permitindo alguma dureza, mas chegou a uma altura em que perdeu a mão no jogo.

Se o critério do árbitro foi falível, o do VAR foi miserável. Luis Suárez, em protesto por Alberto Costa não ter visto o segundo amarelo depois da falta cometida sobre Catamo, dirigiu-se a uma das câmaras de televisão e fez gestos inequívocos de roubo. O gesto, claramente antidesportivo e passível de sanção disciplinar, foi ignorado por Cláudio Pereira e, mais grave, por Manuel Oliveira na sala do VAR. O vídeo-árbitro viu as imagens e nada fez, tendo o FC Porto anunciado no final do jogo que vai apresentar queixa ao Conselho de Disciplina .

A confusão não se ficou por aqui. Antes, Maxi Araújo e Pepê tinham visto lances de potencial amarelo mas ficaram impunes, e o próprio Suárez já deveria ter sido advertido por uma entrada antidesportiva sobre Jan Bednarek. Por outro lado, também Pepê teve uma entrada fora de tempo e pisou o pé direito de Fresneda, uma entrada negligente passível de cartão amarelo, que ficou por mostrar.

Intervalo e recomeço polémico

Depois do intervalo da partida, num jogo muito “rasgadinho” com o árbitro a sair penalizado por cometer alguns erros de simpatia, o mais significativo dos quais ao deixar por exibir o segundo cartão amarelo a Alberto Costa, recomeçou o clássico depois de o Sporting se ter atrasado imenso no regresso ao relvado, algo que deverá permitir uma multa para os leões. Francesco Farioli, que protestou juntoi da equipa de arbitragem o atraso dos leões às quatro linhas, resolveu poupar Alberto Costa que já tinha um amarelo, promovendo a entrada de Froholdt para a batalha do meio-campo.

Aos 48’, grande remate de Alan Varela do meio da rua, a enviar a bola à base do poste esquerdo da baliza de Rui Silva, permitia um calafrio nos adeptos sportinguistas num jogo que voltou a começar muito dividido, ainda que o Sporting tivesse regressado dos balneários ligeiramente melhor.

O castigo grande da noite

Aos 59′, Suárez não marcou, a bola deixou a ideia de ter batido no poste direito da baliza do FC Porto, mas é Alan Varela que tira a bola sobre a linha de golo. Ainda ficou a dúvida sobre se Varela terá tirado a bola já para lá da linha de golo, mas a bola foi mesmo ao poste. Na sequência do lance, Hjulmand acabou por ser atingido por Fofana e o árbitro não teve dúvidas em assinalar penálti. A decisão, correta, não deixou contudo de ter oposição. Farioli, na flash interview, foi direito: “O penálti é claro, mas tinha havido falta sobre o Pepê que não foi assinalada”.

Decorridos dois minutos para a discussão do lance, eis que, aos 61′, Luis Suárez marcou mesmo, de penálti, enganando Diogo Costa que caiu para o seu lado esquerdo com a bola a entrar pelo lado contrário. O colombiano fez o primeiro e único golo do jogo, desatando o nó em que o jogo se estava a transformar.

O calor da discussão do jogo prosseguia dentro das quatro linhas, agora de uma forma ainda mais evidente, e os cartões continuavam a ser exibidos, como aquele que foi atribuído a Alan Varela depois de uma falta sobre Luis Suárez. Chegavam agora as alterações nas duas equipas, com as trocas no Sporting de Morita e Luís Guilherme por João Simões e Pedro Gonçalves, ou no FC Porto em que entrou Pietuszewski para o lugar de Fofana. Os dragões tentavam agora correr atrás do prejuízo, mas era o Sporting que tinha agora o jogo mais controlado, mantendo a posse de bola no meio-campo defensivo da turma visitante.

Perante 49.396 espectadores nas bancadas do Estádio de Alvalade, e enquanto a claque Juventude Leonina experimentava aceder umas quantas tochas, o jogo prosseguia numa toada rápida. Rui Borges, o técnico dos bicampeões, fazia sair Trincão e Catamo para darem lugar a Nuno Santos e Daniel Bragança, e isto quando o jogo parecia controlado pela turma leonina frente a um FC Porto que, precisando de correr contra o tempo, mostrava alguma dificuldade em entrar com a bola controlada no meio-campo defensivo do Sporting.

Jogo prosseguiu nos bastidores

O árbitro deu mais cinco minutos de compensação, Daniel Bragança ainda assustou as hostes portistas quando correu sozinho já dentro do meio-campo do FC Porto com a possibilidade de fazer um chapéu sobre Diogo Costa, num lance em que a bola se perdeu pela linha de fundo, e o árbitro Cláudio Pereira pôde dar a indicação do final da partida em que acumulou uns quantos erros que certamente darão muito que falar nos próximos dias. Afinal, haverá certamente quem possa fazer a associação, por exemplo, de que qualquer jogador do FC Porto que tivesse sido expulso neste jogo teria ficado impedido de defrontar o Benfica no próximo domingo, altura em que será disputado mais um clássico do futebol português, na circunstância um Benfica-FC Porto a contar para o campeonato da I Liga.

Concluído o jogo, a tensão prolongou-se fora das quatro linhas. À saída do Estádio José Alvalade registaram-se confrontos entre elementos da comitiva portista e adeptos do Sporting, e algumas imagens divulgadas nas redes sociais mostram que, após provocações de alguns adeptos leoninos, houve mesmo mosquitos por cordas entre um elemento do staff do FC Porto e um adepto sportinguista.

No final, a sensação com que se fica é a de que este clássico entre o Sporting e o FC Porto ficou por resolver. Não só no resultado, que está em aberto para a segunda mão no Estádio do Dragão, a 22 de abril, mas sobretudo na convicção com que ficámos que a arbitragem não esteve à altura do desafio. Ficaram cartões por mostrar, jogadores em campo que deviam ter ido mais cedo para o balneário, e um vermelho direto ao fair-play que o VAR teimou em não ver. A Taça de Portugal segue em aberto, mas a imagem do futebol português já particularmente arruinada, saiu ainda mais pobre desta noite em Alvalade.

texto: Jorge Reis
fotos: Luis Moreira Duarte

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