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Derrota frente à Espanha (0-1) acaba com o sonho do Mundial para Portugal

A Seleção de Portugal foi eliminada esta segunda-feira do Mundial FIFA’2026 depois de ter sido derrotada pela Espanha por 0-1, com o golo da formação espanhola a ser apontado por Mikel Merino aos 90’+01’ minutos, ele que tinha entrado seis minutos antes numa partida que parecia destinada a seguir para prolongamento. Roberto Martinez, o selecionador de Portugal, jogou no empate, apostou todas as fichas nesse desfecho e deixou Gonçalo Ramos no banco de suplentes para poder entrar nos 30 minutos que seriam jogados caso o empate prevalecesse no fim no tempo regulamentar.

Só que apostar na sorte revelou-se pouco avisado para Martinez. Portugal não teve a melhor sorte do seu lado, a Espanha foi melhor do que a Turma das Quinas na segunda metade da partida, o selecionador espanhol Luis de la Fuente foi mais assertivo na forma como mexeu na seleção do país vizinho, e à entrada para o prolongamento a Espanha chegou mesmo ao golo que resolveu a eliminatória e atirou Portugal para fora do Mundial.

Num jogo em que Portugal até começou melhor, com um primeiro tempo em que não deu grandes espaços à Espanha, e em que Nuno Mendes, para além de anular Lamine Yamal, enviou uma bola à trave da baliza à guarda de Unai Simón com a “ajuda” de um desvio de Pedro Porro, a verdade é que os jogadores lusos não conseguiram ser assertivos, acabando mesmo por ser o guarda-redes Diogo Costa o melhor elemento em campo, com um punhado de defesas que se revelaram determinantes para levar o nulo para a segunda metade da partida. As defesas do guardião português prosseguiram na etapa complementar, ao mesmo tempo que Portugal começou a recuar as linhas defensivas, dando mais espaço à Espanha.

A lesão de Nuno Mendes
e a perda do equilíbrio

Ao estilo bem português marcado pela fatídica lei de Murphy, segundo a qual quando as coisas têm tendência a correr mal vão correr mesmo mal, as contrariedades começaram a marcar a prestação de Portugal, desde logo ao minuto 56’, quando Nuno Mendes teve que abandonar as quatro linhas por lesão, dando o seu lugar a Nélson Semedo.

Sem a presença de Nuno Mendes em campo, ficava a sensação que Roberto Martinez passava a improvisar, correndo atrás do prejuízo sem a capacidade de igualar o peso do adversário numa balança que inclinava cada vez mais para o lado espanhol. A entrada de Nélson Semedo coincidiu com uma maior ascendência espanhola, que passou a explorar com mais perigo o corredor direito.

Mexidas de Martinez
apenas infrutíferas

Acabou assim o selecionador de Portugal por determinar a saída de João Félix e João Cancelo, mas também de Vitinha, jogadores que davam a ideia de estarem em bom nível, em zonas do terreno em que nada pedia a mudança. Ao invés, ninguém entrou para a zona ofensiva, continuando Portugal sem um jogador que fosse capaz de esticar a partida e obrigasse a Espanha a jogar mais recuada. Ao invés, foi a Seleção de Portugal obrigada a defender em zonas mais recuadas, onde a Espanha acabou por construir o golo que decidiu a eliminatória.

O destaque individual de João Félix, que até havia criado algum perigo, esfumou-se com a sua substituição aos 71 minutos, dando lugar a Rafael Leão. O mesmo aconteceu com Pedro Neto, que saiu para a entrada de Francisco Conceição. Em campo manteve-se Cristiano Ronaldo, uma aposta de Martinez que manteve o capitão em campo até ao fim, mesmo quando era evidente que Cristiano já não conseguia criar desequilíbrios nem contribuir para oportunidades de golo.

Golo de Merino decidiu
o destino da “última dança”

Oyarzabal, o mesmo jogador que no primeiro tempo apareceu isolado em frente a Diogo Costa para falhar uma oportunidade clamorosa, acabou assim por ser determinante, ao minuto 90’+01’, ao fazer um passe para a entrada de Merino entre os centrais de Portugal. Sozinho em frente a Diogo Costa, Merino fez assim de forma fácil o único golo do jogo, decisivo, frente a um guarda-redes a quem já não se podia pedir que fizesse uma vez mais o impossível. O lance, construído a partir de um passe de rutura de Ferran Torres, que havia entrado minutos antes, foi a materialização da eficácia espanhola nos momentos decisivos, perante um sector defensivo de Portugal, até aí seguro, confrontado neste lance com um momento de desatenção fatal.

Portugal perdeu assim neste Mundial frente à Espanha, a Turma das Quinas acaba afastada da competição suprema da FIFA, e atrás de si ficou um enorme amargo de boca em todos os portugueses, perante a clara sensação generalizada de que a Seleção lusa tinha condições para fazer mais e melhor. Quanto a culpados, fica a convicção de que existiram erros claros por parte do selecionador Roberto Martinez, ele que, a exemplo do que aconteceu em jogos anteriores, voltou a mexer mal no onze que colocou sobre o relvado, desta feita em Dallas.

Bernardo Silva, que entrou na fase final da partida, ainda permitiu a esperança para Portugal num lance em que cabeceou a bola rente à trave da baliza de Unai Simón, mas o golo não apareceu e Portugal perdeu mesmo esta eliminatória, apelidada por muitos como a última dança – “The last dance” – do capitão Cristiano Ronaldo. O camisola 7 da Turma das Quinas, aos 41 anos, merecia, sem dúvida, outro desfecho da participação de Portugal nesta edição do Mundial. Ao invés, despediu-se do maior palco do futebol com o rosto marcado por lágrimas, num momento que ficará na memória dos adeptos, que gostariam de o ver sair do continente norte-americano com outro semblante bem distinto.


Ficha de Jogo

  • Competição: Mundial FIFA 2026 (Oitavos de final)
  • Data: 6 de julho de 2026 
  • Estádio: AT&T Stadium, Arlington, Dallas, EUA 
  • Árbitro: Anthony Taylor (ING) 
  • Resultado: Portugal 0-1 Espanha 
  • Golo: Mikel Merino (90’+1) 

Equipas:

Portugal: Diogo Costa; João Cancelo (Diogo Dalot, 71′), Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes (Nélson Semedo, 56′); João Neves, Vitinha (Bernardo Silva, 83′), Bruno Fernandes; Pedro Neto (Francisco Conceição, 83′), João Félix (Rafael Leão, 71′) e Cristiano Ronaldo.
Selecionador: Roberto Martínez 

Espanha: Unai Simón; Pedro Porro, Cubarsí, Laporte, Cucurella; Rodri, Pedri (Fabián Ruiz, 85′); Lamine Yamal, Dani Olmo (Mikel Merino, 85′), Álex Baena (Ferran Torres, 75′); e Mikel Oyarzabal (Borja Iglesias, 90+5′).
Selecionador: Luis de la Fuente 


Agora, com alguns dos principais candidatos já eliminados, como a Alemanha, o Brasil ou Portugal, restam em prova seleções particularmente fortes como a França ou a Argentina, lado a lado com a Noruega ou esta Espanha que segue em frente depois de deixar Portugal pelo caminho. Resta-nos sonhar com o futuro, acreditando que um dia irá mesmo dar Portugal, altura em que se poderá fazer o que ainda não foi feito.

texto: Jorge Reis
fotos: ©FPF

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