A Ordem dos Engenheiros veio a público manifestar a sua profunda preocupação com as falhas recorrentes nas plataformas digitais dos Exames Nacionais – tanto a de classificação como a de digitalização – que têm impedido professores e escolas de concluir a correção das provas dentro dos prazos previstos. Esta não é uma queixa de ocasião: estamos a falar de um processo que já sofreu atrasos significativos, com o Governo a adiar a divulgação dos resultados e a segunda fase dos exames, e que tem sido marcado por sucessivos constrangimentos técnicos .
Para quem não está a par, a situação é mais grave do que parece. Este é o primeiro ano em que as provas do 11.º e 12.º anos, embora continuem a ser realizadas em papel, estão a ser corrigidas em formato digital – o que implica digitalizar as folhas de resposta e distribuí-las depois pelos professores através de uma plataforma online. O problema é que, desde o início, os sistemas informáticos têm apresentado falhas: professores queixam-se de atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das folhas de resposta e dificuldades constantes no acesso à plataforma.
Na semana passada, por exemplo, os professores ficaram sem acesso ao sistema durante várias horas devido a uma fragilidade de segurança detetada. E mesmo depois de o ministro da Educação, Fernando Alexandre, ter assegurado que “os grandes obstáculos” estavam resolvidos, a plataforma voltou a ficar indisponível para manutenção.

É neste contexto que a Ordem dos Engenheiros chama a atenção para o que considera ser a raiz do problema: o desenvolvimento destas plataformas envolve atos de engenharia que deviam ser exercidos por quem tem competências reconhecidas e está devidamente habilitado para tal. O bastonário, Fernando de Almeida Santos, foi direto: “não é aceitável que, num país com engenheiros informáticos e especialistas em sistemas de informação competentes, assistamos, de forma recorrente, a falhas em serviços públicos cruciais” . E acrescenta que a digitalização dos exames exige planeamento, testes de robustez e supervisão técnica qualificada – algo que, pelo que se tem visto, não aconteceu.
A Ordem lembra ainda que o Estado tem a obrigação de exigir serviços públicos digitais com a fiabilidade que os cidadãos merecem, e que só através do reconhecimento profissional e da consequente responsabilização técnica se conseguem evitar estes episódios. E deixa o recado: está disponível para colaborar com o Ministério da Educação na identificação das causas e na definição de soluções. Ou seja, há engenheiros em Portugal com capacidade para resolver o problema. Falta é que sejam chamados para o fazer.








