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Portugal volta a ser bestial com triunfo de garra frente à Croácia (2-1)

Num jogo em que Portugal entrou da melhor forma, assinando a exibição mais conseguida das que assinou até agora neste Mundial FIFA’2026 na primeira parte frente à Croácia, no embate dos dezasseis-avos-de-final da competição, foi preciso sofrer para que a Turma das Quinas conseguisse garantir a vitória perante o conjunto croata, por 2-1. Com golos marcados para Portugal por Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos, tendo a Croácia conseguido o seu golo por Perisic, a Nossa Seleção teve que sofrer, isto porque consentiu o golo da Croácia que empatou o jogo a um golo, e ainda consentiu um segundo golo aos croatas depois de Gonçalo Ramos ter colocado Portugal na frente do marcador. Valeu aos portugueses o facto do VAR ter verificado a existência de uma posição irregular de Pasalic.

Tão importante quanto os melhores jogadores em campo das duas seleções, acabou por ser o VAR deste jogo, um árbitro inglês que auxiliou a equipa de arbitragem neerlandesa, e que permitiu o assinalar de uma grande penalidade favorável a Portugal, depois de um agarrão a Renato Veiga, um penálti que CR7 transformou, e o anular de quatro golos por posições irregulares, três dos quais à Croácia e um ao capitão da Turma das Quinas. A tecnologia provou assim a sua capacidade de determinar os caminhos correctos no jogo, corrigindo os erros do árbitro e, convenhamos, surgindo em momentos-chave em que, de outro modo, Portugal teria tido ainda maiores dificuldade, em levar de vencida esta seleção de Modric, Punisic, Perisic e Stanisic, só para referir alguns dos craques croatas.

A partida, realizada no Toronto Stadium, no Canadá teve um significado especial por ser a primeira vez que Portugal e Croácia se defrontavam numa fase a eliminar de um Campeonato do Mundo. Além disso, para os portugueses, teve outro significado com um peso psicológico assinalável, isto porque se cumpriu esta sexta-feira exactamente um ano sobre o acidente de viação que retirou a vida ao jovem internacional português Diogo Jota e ao seu irmão André Silva, a 3 de Julho do ano passado em Espanha. Com os portugueses a pressionarem alto sobre o meio-campo defensivo da Croácia, o encontro começou com os portugueses a assumirem o controlo da partida, com Vitinha e Bernardo Silva a comandarem as operações, dando velocidade e critério à saída para o ataque.

A aposta de Roberto Martínez em Rafael Leão, em detrimento de João Félix, que assistiu a todo o jogo do banco, trouxe verticalidade e imprevisibilidade ao flanco esquerdo, dando outros argumentos à equipa. É certo que Rafael Leão não primou propriamente pela eficácia, tendo enviado uma bola à trave acabando por não conseguir concretizar qualquer golo, mas viria a ser dele a assistência para o segundo golo de Portugal, apontado por Gonçalo Ramos, isto numa altura em que Cristiano Ronaldo já nem estava em campo e tudo apontava para que o jogo seguisse para prolongamento.

A tecnologia do VAR
no centro do espetáculo

O primeiro grande momento de controvérsia surgiu ainda na primeira parte, quando um golo de Cristiano Ronaldo foi anulado por fora de jogo. O capitão português, que mais tarde se haveria de redimir, viu o seu festejo interrompido pela decisão do VAR, que assinalou a posição irregular por uma questão de centímetros. Este seria o primeiro de quatro golos anulados, num jogo que ficou marcado pela intervenção da tecnologia.

Aos 37 minutos, a arbitragem assinalou uma grande penalidade a favor de Portugal, após um agarrão a Renato Veiga na área. Cristiano Ronaldo, com a frieza que lhe é característica, não tremeu e converteu a penalidade máxima, colocando a seleção portuguesa em vantagem. O golo, o primeiro de sempre de CR7 numa fase a eliminar de um Mundial, foi uma prova da sua capacidade de decidir nos momentos cruciais.

Segunda parte construída
com emoção e sofrimento

A segunda parte foi uma verdadeira montanha-russa de emoções. A Croácia, que nunca quis entregar o jogo nem dar-se por vencida, subiu as linhas e começou a pressionar a saída de bola portuguesa. Acabou assim por surgir o empate de forma natural, aos 65 minutos, por intermédio de Perisic, que aproveitou um momento de desconcentração da defesa portuguesa para repor a igualdade na partida. Três minutos depois a Croácia acabaria por conseguir colocar de novo a bola no fundo das redes da baliza à guarda de Diogo Costa, mas tal como tinha acontecido com Cristiano Ronaldo, também Sucic viu o seu golo ser anulado por fora-de-jogo de um ombro.

A partir daí, o jogo partiu-se. Roberto Martínez, sentindo a necessidade de dar novo fôlego à equipa, lançou Gonçalo Ramos, que havia permanecido até então no banco de suplentes. A decisão revelou-se acertada, pois foi o jovem avançado a dar nova vantagem a Portugal, aos 78 minutos, num lance de grande oportunismo na área. A alegria duraria pouco, pois a Croácia, numa recarga, marcou o que parecia ser o golo do empate a dois. No entanto, o VAR tinha a palavra final.

O momento decisivo
com Snicko em ação

Os croatas já festejavam o golo de Josko Gvardiol, que num ápice tinha recolocado a equipa no jogo, quando o árbitro foi chamado ao monitor pela equipa de vídeo-árbitro. A questão central era se Igor Matanovic teria tocado na bola antes de esta se desviar em Renato Veiga. Para responder a esta dúvida, a tecnologia ‘Snicko’ foi determinante. Este sistema, que utiliza um microchip incorporado na bola Adidas Trionda, detecta ondas sonoras e picos de vibração que indicam com precisão quando a bola é tocada.

O gráfico apresentado ao árbitro mostrou um pico inegável, confirmando o toque de Matanovic durante a trajectória da bola até Pasalic. Assim, e porque este último se encontrava em posição irregular quando Matanovic fez o que foi considerado o passe para as costas da defesa de Portugal, o lance ficou ferido de ilegalidade e o golo foi anulado. A decisão, tomada sem dúvidas já que foi assente na informação da tecnologia, acabou por selar o destino do jogo, uma partida que viria a terminar 18 minutos para além dos 90, isto apesar do árbitro ter dado inicialmente apenas 10 minutos de compensação.

A análise às opções
de Roberto Martínez

Se a escolha do onze inicial de Portugal por parte de Roberto Martínez não levantou grandes ondas, mesmo com a opção por Rafael Leão no lugar de João Félix, a forma como o selecionador mexeu na Turma das Quinas, quando era preciso anular a vantagem da Croácia, levantou aí sim alguns pontos de interrogação. Sobre a titularidade de Rafael Leão, será importante dizer que o extremo do Milan, que tem sido uma das figuras do campeonato italiano, justificou a aposta com uma exibição cheia de dinâmica, criando vários desequilíbrios pelo lado esquerdo. A sua velocidade e capacidade de drible foram uma arma importante para fixar a defesa croata e abrir espaços no meio.

Roberto Martinez, sob pressão após a fase de grupos, procurou um onze que pudesse competir fisicamente e tecnicamente com a Croácia, e a verdade é que a aposta resultou, mesmo tendo a equipa de sofrer na reta final.

Já quando foi preciso correr atrás do prejuízo, Martinez, ao minuto 63′, chamou a jogo Gonçalo Ramos, que passou a jogar lado a lado com Cristiano Ronaldo, tendo chamado à partida Francisco Conceição, Nélson Semedo e Bernardo Silva, saindo Pedro Neto, Vitinha, Cancelo e Bruno Fernandes. Foi com esta nova formação que Portugal conquistou o lance em que Renato Veiga foi carregado dentro da área de baliza da Croácia, tendo Cristiano Ronaldo batido a grande penalidade que repôs a igualdade. Por esta altura, porém, Roberto Martinez quis dar novo equilíbrio à Turma das Quinas, retirando Cristiano Ronaldo para chamar a jogo Rúben Neves, uma saída do jogo que o capitão de Portugal teve alguma dificuldade em digerir.

O certo é que CR7 foi mesmo para o banco, ao minuto 81′, tendo entrado para a formação lusa o médio Rúben Neves, uma mudança que vinha repor alguma anarquia em que havia caído a linha média de Portugal depois da saída de Vitinha. E foi já com Cristiano Ronaldo que Gonçalo Ramos conseguiu o segundo golo para Portugal, que se adiantava assim no marcador pela primeira vez nesta partida.

O árbitro, que havia dado mais 10 minutos, deixou que se jogassem mais 13, e foi aos 90’+13′ que Pasalic conseguisse introduzir a bola na baliza de Portugal, no lance que viria a ser anulado pelo VAR. Portugal conseguiu assim manter a vantagem, venceu por 2-1, acabou por conseguir o “sinal” de reflectir no resultado o número 21 do eterno Diogo Jota, e segue em frente para os oitavos-de-final do Mundial onde irá encontrar a Espanha, já na próxima segunda-feira.


Ficha de Jogo

Portugal 2-1 Croácia

Data e Hora: 2 de julho de 2026, 18:00 (hora local) 
Estádio: Toronto Stadium, Toronto 
Árbitro: Espen Eskas (Noruega)
VAR: Jarred Gillett (Inglaterra) 

Golos:

  • 1-0: Cristiano Ronaldo (37′, penálti) 
  • 1-1: Ivan Perisic (65′)
  • 2-1: Gonçalo Ramos (78′)

Portugal – Diogo Costa; João Cancelo (Nélson Semedo, 63′), Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes; João Neves, Vitinha (Francisco Conceição, 63′) e Bruno Fernandes (Bernardo Silva, 63′); Rafael Leão, Pedro Neto (Gonçalo Ramos, 63′) e Cristiano Ronaldo (Rúben Neves (81′).
Treinador: Roberto Martínez

Croácia – Livakovic; Stanisic, Pongracic, Sutalo e Vlasic (Gvardiol, 90’+02′); Baturina (Pasalic, 68′), Kovacic (Kramaric, 90’+06′) e Modric; Pedrisic, Sucic e Budimir (Matanovic, 46′).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Bruno Fernandes (Portugal) e Luka Modric (Croácia).


E agora? O derbi ibérico
nos oitavos de final

Depois da vitória de Portugal, e tendo a Espanha vencido a Áustria por 3-0, está agora agendado para os oitavos um embate ibérico, segunda-feira no Dallas Stadium, jogo que promete ser um dos jogos mais emotivos do torneio, colocando frente a frente duas das equipas com maior talento individual. Para Roberto Martínez, este jogo terá um sabor especial, uma vez que defronta o país que o viu nascer. Será um teste de fogo para as ambições de uma seleção de Portugal que, com a garra demonstrada em Toronto, provou ter argumentos para sonhar alto.

Portugal, que passou de besta a bestial do primeiro para o segundo jogo, e que regressou ao estatuto de besta após o terceiro jogo, voltou a mostrar um bom futebol, garantindo de novo a classificação de bestial. Agora terá pela frente a sempre poderosa Espanha, um adversário difícil mas que permite, ainda assim, que a Turma das Quinas tenha licença para sonhar.

Depois deste jogo com a Croácia e da forma como a nossa Seleção conseguiu dominar Modric e os seus companheiros, Portugal deve acreditar na sua capacidade, sendo certo que terá que repetir os padrões de qualidade no seu futebol, os mesmos que conseguiu evidenciar neste jogo de Toronto. A tarefa lusa não será fácil, mas o sonho comanda a vida!

texto: Jorge Reis
fotos ©FPF

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