Um empate sem golos num jogo fraco e pouco conseguido da Seleção Nacional, frente à Colômbia, em que só não houve lugar a uma derrota lusa por uma ponta da bota de um jogador colombiano, assim se pode resumir aquele que foi o terceiro jogo de Portugal no Mundial FIFA’2026, disputado este sábado em Miami, já no início da madrugada deste domingo se tivermos em conta a hora de Portugal Continental. Depois do empate frente ao Congo, com uma exibição medíocre dos comandados de Roberto Martinez, a goleada imposta ao Uzbequistão permitia pensar que a Turma das Quinas tinha encontrado o seu melhor rumo, mas frente a um adversário de novo com peso e qualidade voltou a falhar nos momentos decisivos.
É certo que, desta vez, Portugal mostrou querer e vontade, tentando conseguir algo melhor do que o empate e fazendo-o de uma forma mais convincente, algo que não conseguiu perante o Congo. Só que perante a Colômbia de James Rodriguez, Luis Suárez e Richard Rios, a nossa Seleção ficou-se pelo querer, evidenciando ausência de soluções na finalização, falta de ideias na construção no meio-campo e permitindo que, no final, o guarda-redes Diogo Costa fosse o melhor jogador em campo, ele que evitou a vitória da Colômbia neste último jogo da fase de grupos do Mundial.

Será importante frisar que a Seleção de Portugal só não perdeu o jogo porque a Colômbia viu ser anulado um golo na fase final do jogo, por cerca de dois centímetros, vistos pelo VAR que detetou a ponta da bota de Davinson Sánchez, avançado ”cafetero” que ainda meteu a bola na baliza portuguesa quando tinha aquela ponta da bota para lá da linha do último defensor de Portugal. Contudo, mesmo empatando, a nossa Seleção terminou a fase de grupos no segundo lugar do Grupo K, com cinco pontos, tendo agora menos um jogo de descanso antes do seu jogo dos 16 avos de final, permitindo que a Colômbia terminasse na frente deste mesmo grupo com um total de sete pontos.
Curiosamente, Roberto Martinez, o selecionador espanhol que tem a seu cargo a Seleção de Portugal, diria no final da partida que este embate com a Colômbia foi “um jogo extraordinário”, classificando-o como um “teste valioso” que permitiu à Turma lusa ganhar, para já o seu “primeiro Mundial”, considerando que agora começa o “segundo Mundial” com a entrada na fase do ”mata-mata” ou os jogos a eliminar. A Turma das Quinas terá agora que viajar até Toronto, no Canadá, onde irá jogar com a Croácia. Depois, foge ao confronto imediato com a Argentina, mas terá pela frente adversários como a Espanha ou a Alemanha, isto se ultrapassar os croatas nos 16 avos de final da competição a disputar no Canadá.
Uma noite de heróis improváveis
e as decisões discutíveis de Martinez
Foi um jogo que, para todos os efeitos, mostrou uma Colômbia soberana, com 55% de posse de bola, 26 remates contra apenas 13 de Portugal e seis defesas de Diogo Costa, mais do que este tinha feito nos dois jogos anteriores combinados. O guarda-redes português foi, sem sombra de dúvida, o melhor em campo, evitando o que poderia ter sido uma derrota pesada perante a pressão colombiana.
O embate começou logo com um aviso de Jhon Córdoba, que aos primeiros minutos forçou Diogo Costa a uma defesa apertada. Portugal foi crescendo, e Bruno Fernandes esteve perto do golo, mas o remate do médio do Manchester United foi defendido in extremis por Camilo Vargas. Apesar da pressão inicial, o primeiro tempo terminou sem golos, com as duas equipas a anularem-se mutuamente.


Roberto Martinez, que normalmente prima pela aposta em João Neves, decidiu lançar Rúben Neves de início, procurando maior controlo e experiência no meio-campo. Contudo, a troca não produziu o efeito desejado, e o treinador espanhol acabou por desfazer a alteração ao intervalo, repondo a dupla de João Neves com Vitinha. Rúben Neves, embora tenha sido uma presença segura na posse, não conseguiu dar a dinâmica necessária para quebrar a organização defensiva colombiana, o que se tornou evidente na segunda parte.
James Rodriguez, o maestro colombiano, foi o cérebro da partida para a equipa sul-americana, ainda que não tenha conseguido aparecer no jogo como certamente gostaria. Aos 62 minutos, o veterano médio ofensivo ofereceu um passe a abrir para Richard Ríos, cujo remate passou perto do poste, ficando um aviso do que estava para vir, com a Colômbia a aumentar a pressão e a criar sucessivas situações de perigo.
O drama final e o VAR em destaque
Aos 90 minutos, o estádio de Miami explodiu quando Davinson Sánchez cabeceou para o fundo das redes, dando a impressão de que a Colômbia tinha resolvido a partida. Mas a alegria dos ”cafeteros” durou pouco. Após uma longa revisão do VAR, o golo foi anulado por uma posição de fora de jogo milimétrica. A ponta da bota de Sánchez estava para lá da linha do último defensor português, uma decisão que gerou alívio no banco português e revolta na bancada colombiana.
Foi o último suspiro de uma partida em que Portugal, com Cristiano Ronaldo muito isolado e pouco participativo – com apenas um remate à baliza em toda a partida –, nunca conseguiu encontrar o caminho para o golo. Ainda assim, Ronaldo criou o melhor momento ofensivo da equipa, com um impressionante pontapé de bicicleta que foi bloqueado por Santiago Arias. João Félix, por seu lado, até procurou dar criatividade ao ataque português, mas a verdade é que a Turma das Quinas nunca foi capaz de criar um caudal ofensivo que fizesse tremer a defesa colombiana.




Ficha do Jogo
Portugal 0-0 Colômbia
Data: 27 de junho de 2026
Local: Hard Rock Stadium, Miami Gardens, Flórida, EUA
Árbitro: Alireza Faghani (Austrália)
Público: 64.478 espetadores
Portugal: Diogo Costa; João Cancelo, Rúben Dias, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes; Rúben Neves (João Neves, 46′), Vitinha, Bruno Fernandes; Pedro Neto, João Félix e Cristiano Ronaldo (cap.).
(Suplentes não utilizados: Rui Silva, José Sá, Diogo Dalot, Nélson Semedo, Danilo Pereira, Otávio, Matheus Nunes, João Palhinha, Rafael Leão, Ricardo Horta, André Silva e Gonçalo Ramos).
Treinador: Roberto Martinez.
Colômbia: Camilo Vargas; Santiago Arias, Davinson Sánchez, Jhon Lucumí, Johan Mojica; Jefferson Lerma, Richard Ríos, Juan Fernando Quintero (Luis Sinisterra, 70′); James Rodríguez (cap.) (Yaser Asprilla, 75′), Luis Díaz e Jhon Córdoba (Rafael Santos Borré, 81′).
(Suplentes não utilizados: Álvaro Montero, Kevin Mier, Carlos Cuesta, Yerry Mina, Frank Fabra, Deiver Machado, Mateus Uribe, Jorge Carrascal, Jhon Durán, Roger Martínez).
Treinador: Néstor Lorenzo.


O caminho para a fase a eliminar
Com este resultado, a Colômbia confirmou a liderança do Grupo K com sete pontos, seguida de Portugal com cinco. O apuramento luso para a fase a eliminar estava garantido, mas a segunda posição trará agora um caminho mais difícil para a Seleção Nacional. O adversário dos oitavos de final será a Croácia, em Toronto, no Canadá, onde iremos encontrar um adversário muito complicado, que promete colocar à prova a capacidade de reação desta equipa.
Portugal terminou a fase de grupos com uma vitória, um empate e uma derrota, mas fica a sensação de que poderia ter feito melhor. A verdade é que, como disse Roberto Martinez, o “Mundial a sério” começa agora. Porém, para chegar longe, a Seleção vai precisar de mostrar muito mais do que mostrou em Miami, sob pena de uma desilusão ainda maior. Continuamos a acreditar, mas a nossa componente fria e menos emotiva faz-nos arrefecer todos os entusiasmos, ficando o lado emocional dos portugueses a alimentar a confiança de vai dar Portugal. Assim esperamos!









