Não, não se assuste. Esta não é aqui a referência à expressão usada na burla de telecomunicações, naquele telefonema fingido que tantas vezes serve para enganar os incautos. É, antes, um olá sentido e reconhecido, um grito de afeto que ecoa de norte a sul do país neste dia 19 de Março, o Dia do Pai.
Hoje, a figura paterna não habita apenas o imaginário das ferramentas e do jornal depois do jantar. O pai moderno é um equilibrista. Num mundo que corre a uma velocidade estonteante, ele é, tantas vezes, o porto de abrigo num mar de incertezas. Ser pai nos nossos dias é assumir a tarefa hercúlea de preparar um filho para um futuro que é uma verdadeira incógnita. É educar e proteger num tempo de crise de valores, onde o efémero tantas vezes se sobrepõe ao essencial. É dar a mão e mostrar o caminho, mesmo quando o chão treme com a crise económica que aperta o orçamento familiar e tolda os horizontes. É ter a sabedoria para aconselhar e a humildade para se calar, enquanto observa, tantas vezes com o coração apertado, os muitos problemas que afetam a juventude: a ansiedade, a pressão, a falta de perspetivas.
Por isso, nesta homenagem, olhamos para todos os pais. Para aqueles que ainda podemos abraçar, agradecendo-lhes a paciência, o suor e o amor incondicional que nos dedicaram. E, com especial ternura, lembramos aqueles que já partiram do mundo dos vivos, mas que permanecem vivos em nós. O seu legado não se mede em bens materiais, mas nas memórias guardadas no peito, nos valores incutidos e nos sentimentos eternos que deixaram. A sua ausência física é preenchida pela saudade, esse travo doce e amargo que nos lembra quem fomos e quem somos graças a eles.
Hoje, a nossa palavra é de gratidão. Um agradecimento profundo e sentido aos nossos pais. Aos pais de cada um de nós. Porque, num mundo tão volátil, eles continuam a ser a nossa âncora, a nossa origem, a nossa mais sólida referência. Ser pai é, e sempre será, um dos mais nobres e desafiantes atos de amor.
A todos, um feliz Dia do Pai.

Jorge Reis – jornalista desde 1988, numa carreira iniciada aos 22 anos na Agência Lusa depois de uma primeira aventura no mundo da rádio quando descobriu a magia da comunicação, então na Rádio Mais, passou por diversos jornais desde o Correio da Manhã, a revista Golo, ainda O Jogo, 24horas e Diário de Notícias, antes de avançar para a informação online com a LusoSaber que fundou, dirige, e onde está até hoje desde 2000. Acredita que é possível navegar contra a maré negativa que atravessa o jornalismo e insiste em querer ser livre e caminhar nas ruas enquanto português e cidadão do Mundo, sempre de cabeça levantada.









