Carlos Gil escolheu Bia Caboz para dar voz à sua nova coleção na ModaLisboa. O designer apresenta um trabalho que parte das tradições de várias culturas — da China, da Índia, de Marrocos e de Portugal — para pensar como é que essa herança se projeta no mundo sem perder aquilo que a define. A ideia é simples de enunciar, mas complexa de executar: pegar em referências culturais distintas e transformá-las em criação contemporânea, capaz de atravessar fronteiras mantendo a sua identidade. Para isso, Carlos Gil concebeu uma apresentação que junta moda, música e performance, tendo Lisboa como cenário.
A dimensão musical vem do universo de Bia Caboz. No cruzamento que a artista faz entre o fado e outras sonoridades, Carlos Gil encontrou aquilo que procurava: uma expressão de cultura portuguesa que fala a linguagem do presente e se dirige ao mundo. Bia Caboz, intérprete de temas como “A lei do retorno”, chega à ModaLisboa depois de um verão intenso, marcado por uma agenda cheia de concertos e pela passagem pelo Rock in Rio Lisboa. O seu percurso tem sido, aliás, um exercício contínuo de afirmação da música portuguesa além-fronteiras — e é essa mesma linha que vem agora prolongar para a passerelle.

O álbum “Espiral”, com temas escritos, compostos e produzidos pela própria Bia Caboz, será a banda sonora integral do desfile. A música deixa de ser um pano de fundo para se tornar parte da narrativa da coleção, trazendo para o centro da passerelle uma identidade portuguesa com vocação internacional. Não se trata apenas de acompanhar o desfile: trata-se de o integrar, de o fazer respirar ao mesmo ritmo.
O momento culminante acontece na rua, com o Arco da Rua Augusta como pano de fundo. Bia Caboz assume a voz e os controladores numa performance ao vivo em que o fado e a música eletrónica se encontram, conduzindo em palco a componente eletrónica da sua própria música. O resultado é um espetáculo que junta a criação de Carlos Gil, o universo autoral de Bia Caboz e a força simbólica de Lisboa — tudo num só gesto.
No fundo, moda e música convergem aqui numa mesma afirmação: Portugal como lugar de origem de uma criação que pertence também ao mundo. A apresentação está marcada para 10 de outubro, às 15h00, na Rua Augusta, junto ao MUDE — Museu do Design, em Lisboa.









