A escalada do conflito no Médio Oriente, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e a consequente instabilidade no Estreito de Ormuz, tem vindo a provocar uma forte pressão nos mercados energéticos internacionais, reflexo que se tem feito sentir de forma evidente nos preços dos combustíveis em Portugal. E porque não se avizinha um fim para este conflito, estão já anunciados mais aumentos nos preços, nomeadamente da gasolina e gasóleo, especialmente para este último derivado do petróleo.
Nas últimas semanas, a gasolina e o gasóleo registaram aumentos significativos, com o gasóleo a subir cerca de 29 cêntimos por litro e a gasolina 95 cerca de 15 cêntimos, valores que colocam Portugal em linha com a média europeia, embora longe dos países do norte da Europa onde as subidas foram mais pronunciadas. O petróleo Brent, referência para o continente, tem oscilado em níveis elevados, ultrapassando os 85 dólares por barril, alimentado pelo receio de perturbações no fornecimento através do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Nova subida à vista
na próxima segunda-feira
Para a próxima segunda-feira, 23 de março, os consumidores portugueses deverão preparar-se para mais um agravamento nos preços dos combustíveis. De acordo com a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec), estima-se uma subida de cerca de 11 cêntimos por litro no gasóleo e de aproximadamente 8 cêntimos por litro na gasolina, confirmando a tendência de pressão ascendente que se tem verificado nas últimas semanas. Estas previsões, feitas “em baixa” face a outras notícias que falam mesmo em 10 cêntimos na gasolina e 16 no gasóleo, baseiam-se na evolução das cotações internacionais e na volatilidade dos mercados, que continuam a refletir as incertezas geopolíticas e a possibilidade de prolongamento do conflito na região.

A diferença entre os vários valores antecipados resulta do facto do Governo estar a manter um mecanismo de compensação fiscal através do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), que permite aplicar descontos temporários quando os aumentos ultrapassam determinados limites, tendo já sido acionado para o gasóleo de forma a mitigar parcialmente o impacto para as famílias.
Para além do impacto direto no abastecimento de veículos, os sucessivos aumentos dos combustíveis têm vindo a gerar preocupações mais alargadas na opinião pública e na comunicação social, que antecipa um efeito cascata na economia. O aumento dos custos de transporte, associado à escalada do preço do petróleo, tenderá a refletir-se no preço final de bens essenciais, nomeadamente nos produtos alimentares, que dependem fortemente da logística e do transporte rodoviário. A indústria portuguesa encontra-se em estado de alerta, com associações empresariais a admitirem que a subida dos custos energéticos e dos fretes marítimos poderá ter “efeitos devastadores” na economia, afetando a competitividade das empresas e pressionando as margens de lucro.
Impacto na inflação
e no crédito habitação
Outra das consequências apontadas por economistas e analistas prende-se com o possível agravamento da inflação e o eventual reflexo nas taxas de juro do crédito habitação. O Banco Central Europeu (BCE) já admitiu que um conflito prolongado no Médio Oriente poderá levar a um aumento substancial da inflação na Zona Euro, o que poderá forçar uma revisão da política monetária e, consequentemente, uma subida das taxas de juro. Embora o BCE tenha mantido os juros inalterados na última reunião, a duração do conflito será determinante para as decisões futuras, colocando em risco a estabilidade financeira das famílias que já enfrentam um contexto de elevado custo de vida.

Enquanto as tensões geopolíticas se mantiverem e a estabilidade no Estreito de Ormuz não for restabelecida, os analistas admitem que os preços dos combustíveis continuarão sob pressão nas próximas semanas, independentemente das medidas de mitigação fiscal que venham a ser adotadas. A eventualidade de um conflito mais prolongado do que o inicialmente previsto poderá agravar ainda mais o cenário, testando a resiliência da economia portuguesa e a capacidade de resposta das famílias e empresas a mais este choque externo.









