PSG-Arsenal-03

Vitinha, Neves, Mendes e Ramos são bicampeões europeus com o Paris Saint-Germain

Os quatro portugueses do PSG saíram de Budapeste com um Bi na bagagem, isto depois de uma noite heróica que até podia ter corrido mal, depois de um penálti falhado por Nuno Mendes, mas que acabou em glória para o Paris Sain-Germain e os seus quatro portugueses em Budapeste, eles que viveram um sábado de glória na Puskas Arena. O Paris Saint-Germain confirmou o seu lugar na história moderna do futebol ao vencer o Arsenal nas grandes penalidades (4-3), depois de um empate a uma bola que perdurou durante os 90 minutos e o prolongamento.

Num jogo que começou a preto e branco para os franceses, com os ingleses a entrarem a matar, a defesa do título parecia uma miragem. Mas, como já é hábito nesta equipa orientada por Luis Enrique, a fé nunca se perdeu, e a glória acabou por chegar nos instantes finais, com direito a muito drama e coração nas bancadas .

A partida não podia ter começado pior para o PSG. Aos seis minutos, Kai Havertz, esse senhor das finais, aproveitou um ressalto infeliz de Marquinhos para atirar forte, colocando os “Gunners” em vantagem. Viktor Gyokeres, a grande arma de arremesso do ataque inglês, começou no banco, o que permitiu ao Arsenal fechar-se com uma muralha defensiva que anulava as constantes investidas de Kvaratskhelia e companhia. A primeira parte foi um teste de nervos para os adeptos parisienses, que viam o seu domínio territorial não se traduzir em perigo real.

Na segunda metade, a maré virou. A pressão do PSG foi aumentando e, aos 65 minutos, Ousmane Dembele não tremeu na marca da grande penalidade, após uma falta clara sobre Kvaratskhelia, e repôs a igualdade. O Arsenal sentiu o golpe, e o jogo ficou partido. Mesmo com a entrada de Gyokeres na segunda parte, a equipa de Mikel Arteta não conseguiu segurar a posse nem criar perigo, limitando-se a suportar as vagas de ataque francesas. O 1-1 no final dos 90 minutos levou o jogo para um prolongamento tenso, onde o medo de perder falou mais alto do que a ambição de vencer.

Na lotaria dos penáltis, a frieza dos portugueses foi decisiva para o bi-campeonato. Gonçalo Ramos chamou a si a responsabilidade e marcou o primeiro penálti do PSG com uma frieza impressionante, atirando para o fundo da rede e dando o exemplo para a equipa. No entanto, o coração dos portugueses quase parou quando Nuno Mendes, geralmente tão seguro, viu o seu remate ser defendido por David Raya, colocando o Arsenal de volta no jogo e deixando a eliminatória em aberto. Do outro lado, Gyokeres, que entretanto tinha entrado, não vacilou e marcou o seu penálti com estrondo, mas acabou por sair de cabeça perdida devido ao desfecho final.

A noite ficará para sempre gravada pelas lágrimas de Gabriel Magalhães, defesa-central brasileiro de 28 anos, ele que é, há várias épocas, uma das peças fundamentais do Arsenal. Neste jogo, acabou por ser ele a atirar a bola para as nuvens quando lhe competia marcar o pontapé de penálti decisivo. Gravada a ouro ficou também a noite para os quatro eleitos lusos: Nuno Mendes, João Neves, Vitinha e Gonçalo Ramos sagraram-se bicampeões europeus, repetindo a proeza da época passada. Vitinha, aliás, foi o maestro que fez a orquestra funcionar, comandando o meio-campo com uma autoridade que já é sua marca registada.

Enquanto os jogadores celebravam em Budapeste, a 1500 quilómetros de distância, Paris ardia em festa… mas também em fúria. Milhares de adeptos tomaram os Campos Elíseos, e a polícia teve imensas dificuldades em conter os ânimos, com relatos de carros destruídos bem como paragens de autocarro mesmo algumas montras partidas.

No fim, ficou a sensação de que o futebol é, realmente, uma questão de milímetros. Nuno Mendes falhou, mas a equipa não o deixou cair, e com a frieza de Gonçalo Ramos, a inteligência de Vitinha e a raça de João Neves, Portugal voltou a estar no centro da glória europeia, provando que, mesmo com o coração nas mãos nos momentos decisivos, a qualidade acaba sempre por imperar na capital francesa.

texto: Jorge Reis / LusoNotícias

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