A data oficial do início do verão marcou aquele que foi o segundo dia, também ele esgotado, desta 11.ª edição do Rock in Rio Lisboa, neste domingo, 21 de junho, em que o cartaz apontava para um dia verdadeiramente dedicado ao Rock. Pudemos assim verificar a movimentação da geração de Millennials pelo recinto, deixando para trás o público mais novo que esteve presente no dia anterior. No entanto, fosse pelo calor da nova estação, que não pareceu muito convidativo, fosse porque a qualidade estava guardada para mais tarde, a verdade é que no arranque deste segundo dia a Cidade do Rock permitiu, ao longo das primeiras horas de evento, inúmeros espaços vazios an anfiteatro natural do Parque Papa Francisco.
Duas bandas portuguesas, Tara Perdida no Palco SuperBock e Dealema no Palco Music Valley, foram as primeiras a dar música a este segundo dia de festival, conquistando em primeira mão aqueles que chegaram mais cedo e desafiaram as horas de maior temperatura. Os termómetros, apesar dos 32ºC que estavam marcados, com certeza subiram até aos 50ºC com estas duas primeiras aparições nacionais.
No Palco Mundo, a primeira guitarra elétrica a soar foi a de Grandson, que, mesmo com a plateia consideravelmente mais reduzida do que a visível no primeiro dia de festival, obteve um bom retorno do público, que vibrava ao som da música rock com diversos mosh pits. “Dirty”, “Darkside” e “Rain” foram temas que ecoaram neste primeiro concerto do palco principal. O vocalista, vestido com o equipamento da Seleção portuguesa, dedicou ainda a sua música de despedida, “Blood // Water”, à memória do seu amigo Oliver Tree, cantor americano que faleceu na passada semana. Momentos depois do espetáculo acabar, Grandson ainda desceu do palco para um momento de interação com os fãs.






Esvaziado o espaço em frente ao Palco Mundo, foi a vez de Sam The Kid entrar no Palco Music Valley, ele que participou na mais recente música oficial de apoio à Seleção portuguesa. Ainda que com uma plateia consideravelmente reduzida para um palco secundário, a sua energia fez match com o público enquanto tocava “Poetas de karaoke” e “Juventude”.
Mais tarde, as bandas P.O.D. e Sepultura, dois grupos com uma grande legião de fãs, atuaram também ali no palco secundário. P.O.D., com uma poderosa mistura de hard rock, hip-hop e reggae, preencheu o recinto com “Youth of the Nation” e “Boom”. Já Sepultura, com o heavy metal brasileiro que tem agarrado uma enorme legião de fãs, moveu um público imenso para ver a banda, que anunciou que este seria o seu último concerto em Portugal, uma vez que a banda já tem uma data de validade marcada. “Roots Bloody Roots” e “Refuse / Resist” foram temas que marcaram assim este agora anunciado “concerto de despedida”.
O calor ainda apertava quando, às 19h, o grupo The Pretty Reckless subiu a palco. Com a plateia ligeiramente mais composta, no entanto ainda pouco preenchida, muitos procuravam o conforto a ver o concerto sentados no chão. Após a passagem de “Make Me Wanna Die”, “Heaven Knows” e “For I Am Dead”, foi impossível não ficar indiferente à voz e ao espírito rockeiro da vocalista desta banda, Taylor Momsen, ela que outrora fora conhecida pela sua carreira de atriz.


Palco SuperBock entre mosh pits
e a nostalgia dos anos 2000
Ao longo deste segundo dia do Rock in Rio Lisboa, a festa também se fazia no Palco SuperBock, nos intervalos entre os concertos do PalcoMundo, que enchia com um público que parecia nunca ficar cansado. As atuações de Blasted Mechanism e, mais tarde, de Kaiser Chiefs, transformaram aquele que era o terceiro palco deste grande festival de Rock num verdadeiro palco principal, com milhares de rockeiros a assistir aos concertos aos saltos e com mosh pits.


Aqui, pudemos perceber que os festivaleiros tinham duas escolhas: ou andavam sempre a trocar de palco para conseguir aproveitar o máximo que este dia do Rock podia oferecer, ou garantir um bom lugar na plateia grande para o concerto no final da noite.
Mais tarde ainda, a terminar a onda de concertos do Palco SuperBock, os Hoobastank foram recebidos de plateia cheia e a saltar, naquela que foi uma viagem entre a nostalgia dos anos 2000. O grupo fechou assim este palco com os temas “The Reason”, “Crawling In The Drak” e “Out of Control”.
O relógio apontou finalmente as 21h e com elas notava-se um mar de pessoas cada vez mais composto no Palco Mundo, em ânsia pela chegada da tão esperada atuação final da noite. Mas antes disso, foi a vez dos Cypress Hill trazerem o seu talento para o Parque Papa Francisco. Estes, para além de darem uma valente aula de bateria, deram também uma lição de empatia. Ao perceber que alguém na plateia se estava a sentir mal, pararam o espetáculo e só o retomaram quando garantiram que o indivíduo tinha a devida assistência. Após a passagem de “Insane in the Brain”, Hits from the Bong” e “Tequila Sunrise”, tocaram em antemão uma nova canção do seu novo álbum, anunciado para a próxima quarta feira, dia 24 deste mês.



A noite foi avançando e o recinto já nem aparentava ter a mesma imagem das sete da tarde. O ajuntamento de pessoas começava a ser cada vez mais nítido com a aproximação das 23:15h, hora da atuação dos Linkin Park, estes que foram a causa de o segundo dia ter esgotado os seus bilhetes.
Entretanto, já a lua brilhava por cima da Ponte Vasco da Gama quando, antes de iniciar uma contagem decrescente de exatamente dez minutos para o início do espetáculo, os Linkin Park anunciaram nos ecrãs gigantes a chegada de um documentário, ‘Unshatter’, aos cinemas, algo que foi aplaudido com a euforia de quem esperou o dia todo por aquele momento. Quem chegasse ao recinto da Cidade do Rock por aquela altura dificilmente poderia imaginar que a meio dos primeiros concertos se observavam diversos espaços vazios, isto porque quando estava para iniciar o último espetáculo do cartaz deste domingo o desafio passou a ser encontrar um lugar livre.
Linkin Park terminam a noite
com a cereja no topo do bolo
A contagem finalmente estava a chegar ao fim, ouvindo-se o público, numa só voz, a contar os últimos dez segundos para o começo. Finalmente ouve-se então a voz de Emily Armstrong, vocalista que veio ocupar o lugar que Chester Bennington deixou em vazio há nove anos, após o seu falecimento. A artista, que quando integrou a banda suscitou dúvidas aos fãs, hoje veio para provar que não veio substituir ninguém, mas sim complementar algo que ficou incompleto. Com uma grande presença em palco e uma voz potente, deu vida ao temas “Crawling”, “Numb” e “Lost”, acabando com toda as dúvidas que ainda existiam de quem ainda não tinha visto a banda ao vivo após o ano de 2017.







Após diversas rodas entre aquele que era um mar de 90.000 pessoas e muitos outros mosh pits, a banda entrou na sua reta final, marcada por temas como “Papercut”, “In The End” e “Faint”. O público, não mostrando sinais de cansaço após uma hora e meia de adrenalina, abraçou as duas últimas músicas como se fosse uma missão a cumprir, ainda que com o principal destaque para “In The End”, onde o coro da plateia superou a voz da vocalista.
A noite estava quase dada como terminada quando os Linkin Park saíram de palco, deixando então um concerto memorável na memória de quem esteve presente para o apreciar e até para matar a curiosidade de quem nunca tinha visto a banda ao vivo, mesmo quando ainda tinham Chester Bennington como vocalista. No entanto, muitos foram aqueles ainda não estavam fartos de pular e se dirigiram ao Palco Bacana Play Digital Stage, à uma hora da madrugada, onde o DJ Diego Miranda, à semelhança de Alok no dia anterior, deu uma valente after party.




Passaram ainda pela Cidade do Rock neste segundo dia do festival Jimmy P, Samuel Uria e Rock Revenge Et Vous, que deram vida ao Palco Bacana Play Digital Stage, tudo isto num primeiro fim de semana de Rock In Rio 2026 que chegou assim ao fim, marcado pelos grandes nomes de Katy Perry, Charlie Puth, Pedro Sampaio, Linkin Park, Cypress Hill e Grandson.
Agora, olhando já em frente, é tempo de antecipar para o próximo fim de semana, dias 27 e 28 de junho em que mais uma vez também nós iremos marcar presença no Parque Papa Francisco, a passagem dos nomes Rod Stewart, Cyndi Lauper, 21 Savage e Central Cee, com promessas de temperaturas elevadas e muita mais música. Tendo em conta o chavão do Rock in Rio, é caso para dizer que… Nós Vamos! E vocês?









