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‘Chaos’ em palco e festa no recinto: o regresso do Rock in Rio

Após dois anos de espera, as portas do Rock in Rio Lisboa voltaram a abrir, neste sábado, dia 20 de junho, no Parque Tejo, entretanto rebatizado como Parque Papa Francisco, para a 11° edição do festival, que já conta com dois dias esgotados. Este primeiro dia, com lotação cheia, recebeu os festivaleiros com bastante calor e boa música, abrindo caminho a mais um ano do festival da Cidade do Rock.

O Palco Mundo foi inaugurado pelos Calema que, com um espetáculo romântico, deixaram ao público a impossível missão de “Amar Pela Metade” o concerto dos dois irmãos. Num concerto com bailarinos, confetis e muita dança, a dupla são-tomense cantou êxitos como “A Nossa Vez”, “A Nossa Dança”, “Maria Joana” e “Onde Anda”, naquele que foi um momento de afeto entre as famílias que assistiam, numa altura em que era ainda possível ver muitas crianças pelo recinto.

Uma hora depois foi a vez de Pedro Sampaio subir ao palco e entregar a energia caótica que o próprio prometeu desde o início da sua “Chaos Tour”. Bandeiras gigantes, confetis, 10.000 leques distribuídos pelo público e uma grande equipa de bailarinos caracterizaram o conjunto da sua atuação, esta que contou ainda com uma participação especial: em um dos seus êxitos mais recentes, “Jetski”, Pedro contou com a participação especial de Melody, feito este que deixou o público eufórico.

O cantor, que há dois anos esteve presente no palco secundário, deixou ainda palavras de encorajamento: “Comecei a tocar dentro do meu quarto… virado para a minha janela. Hoje eu toco para vocês. Nunca desistam dos vossos sonhos, eu não desisti do meu.” Durante os sessenta minutos, passaram músicas como “No Chão Novinha”, “Sequência Feiticeira” e “Dançarina”.

Música ao piano Puth
tranquilidade no recinto

Já havia acontecido um espetáculo aéreo e o sol já se tinha posto quando Charlie Puth se sentou em frente ao piano naquele que seria um espetáculo muito mais calmo do que o anterior. O cantor, sem bailarinos nem músicas para tirar o pé do chão, iniciou o concerto com a canção “Beat Yourself Up” do seu mais recente álbum, “Whatever’s Clever!”. Logo de seguida seguiram-se canções como “How Long”, “Washed Up” e “LA Girls”, no entanto, a mudança de ambiente do segundo para o terceiro concerto do palco principal deixou o público mais parado do que o desejável.

De modo a conseguir uma reação mais positiva por parte da plateia, Charlie largou o piano e dirigiu-se para a frente do palco, onde agradeceu a presença das pessoas e proferiu que “o poder da música é ser uma cápsula no tempo”. Mais tarde, a noite já estava serrada quando o recinto se transformou num mar de estrelas com as milhares de lanternas acesas em “One Call Away”. As músicas onde, posteriormente, se notou uma clara aderência do público foram, sem dúvida, “We Don’t Talk Anymore”, “Attention” e “See You Again”.

Katy Perry fecha a noite com desafios,
canhão de espuma e energia no pico

A fechar a noite em grande, se o concerto do Pedro Sampaio nos mostrou aquilo que seria uma energia caótica, Katy Perry veio provar que também está ao nível. Numa performance cheia dos seus maiores hits e dinâmicas com a plateia, o público manteve-se eufórico desde o primeiro ao último segundo.

O concerto iniciou-se cerca de cinco minutos depois do previsto com uma videochamada da cantora para o Palco Mundo, onde a mesma estava a correr, preocupada com o seu atraso. Quando finalmente chega ao palco, inicia a sua performance com o êxito “California Girls”, seguindo-se as músicas “Teenage Dream” e “Last Friday Night”. Pouco depois das primeiras músicas, fez um jogo com os fãs da frontline – era sorteada uma reação a um acontecimento e quem aparecesse no ecrã gigante tinha de a representar.

Sempre em constante comunicação com o público, referiu as suas origens portuguesas, mais concretamente de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e expressou ainda a sua felicidade em ter estado presente no festival. “Estou tão feliz por estar aqui, nunca toquei para tanta gente. Eu sei que trabalham muito e pouparam dinheiro para me ver, obrigada.”

Após a passagem de músicas como “Dark Horse”, “Legendary Lovers”, “I Kissed a Girl”, “Harleys in Hawai” e o hastear de uma bandeira de Portugal, Katy Perry entrou para dentro de uma garrafa de água insuflável e atirou-se literalmente para o público. Pouco depois, trouxe um canhão de espuma em forma de protetor solar gigante. “Sei que alguns amigos vossos já disseram que eu sou maluca. Às vezes faço coisas malucas. Mas também toco todos os hits”, brincou.

A noite acabou com a famosa música “Fireworks” num verdadeiro ambiente de festa, mas antes disso revelou o lançamento da sua próxima canção. “Na próxima semana vou lançar uma nova música e acho que o meu rugido está de volta, por isso vou cantar “Roar” para vocês mais uma vez, mas de maneira diferente.”, tocando logo de seguida a versão acústica da canção.

Music Valley e SuperBock
também vibraram em português

No Palco Music Valley, passaram artistas como Maninho, Nena, Audrey Nuna e Alok. Maninho foi quem fez as honras, cantando temas como “Garota”, “Sem Limites” e “Até ao Fim”, com uma forte plateia para o receber. Na vez de Nena, passaram pelo recinto as suas músicas “O Amor Existe”, “Portas do Sol” e “Lembras-te de Mim?”, na definição daquilo que é um verdadeiro concerto emotivo.

A cantora de K-Pop Audrey Nuna foi quem se seguiu no alinhamento deste palco secundário. “Damn Right”, “Golden” e “How It’s Done” foram alguns dos temas que fizeram o público vibrar com Audrey. Já Alok veio para terminar a noite logo depois do final dos concertos do palco principal, este que traz sempre um espetáculo para os amantes de boa música eletrónica, transformando o recinto numa valente after party.

No Palco SuperBock, por mais que fosse um palco terciário, tocaram artistas como Sofia Camara, Napa, Bebe Rexha e Bárbara Bandeira, trazendo aqui também sons em português. “Who Do I Call Now”, “Girls Like You e “Starlight” foram músicas que acompanharam a performance de Sofia Camara, que abriu este palco já com bastante público à espera. Os Napa foram os segundos a entrar em palco, onde estrearam “Sortudo”, música lançada apenas um dia antes do início deste festival. Os temas que se seguiram foram acarinhados de tal forma pelo público que foi impossível algum membro da banda se ter sentido “Deslocado”.

Aos Napa seguiu-se Bebe Rexha, conhecida pelas suas canções “Say My Name”, “Me, Myself and I”, “Hey Mama” e “In The Name of Love”, que trouxe o espetáculo tão ansiado pelos fãs que já esperavam a sua primeira vinda a Portugal. Depois, a terminar a noite, Bárbara Bandeira, em constante comunicação com os fãs, cantou, a pedido de muitos, músicas mais antigas que levaram a plateia ao rubro. A cantora relembrou ainda, com nostalgia, a sua primeira vez neste festival, em 2018, com apenas 17 anos. “Eu tinha cinco ou seis músicas e mesmo assim senti o vosso apoio.”

Nota ainda para a presença neste primeiro dia do Rock in Rio Lisboa, na Cidade do Rock, de Zarko, Joyce Alane e Carol Biazin, que deixaram a sua marca, nomeadamente para quem evitar as grandes multidões que se concentraram nos palcos principais.

Este 11º Rock in Rio Lisboa prossegue este domingo, 21, um dia em que são esperados no Parque Papa Francisco nomes sonantes como os de Linkin Park, Cypress Hill, The Pretty Reckless e Grandson no Palco Mundo, ainda Sepultura, P.O.D. e Dealema no Palco Music Valley, sem esquecer também Kaiser Chiefs, Hoobastank, Blasted Mechanism e Tara Perdida no Palco SuperBock, nomes estes que tornam este dia no verdadeiro dia do Rock na presente edição deste Rock In Rio. Será que vai superar este primeiro dia dedicado ao Pop? Prometemos contar depois…

texto: Patrícia Dias Martins
fotos: Diogo Faria Reis

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