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Sporting garante triunfo ímpar com Alisson a escrever a história em Bilbau

A luz do San Mamés, essa catedral de pedra e paixão basca para o futebol, iluminou uma noite que ficará para sempre nos anais do Sporting Clube de Portugal. Esta quarta-feira, 28 de janeiro, os leões enfrentavam uma missão aparentemente simples: vencer o Athletic Bilbao para garantir um lugar direto nos oitavos de final da Liga dos Campeões. Mas o futebol raramente segue roteiros simples e aquilo que se desenrolou foi um épico de resistência, erro e redenção, culminando num daqueles momentos que transformam jogadores em heróis e partidas em lenda, com os leões a vencerem pela primeira vez na sua história em jogos disputados no país vizinho referentes a competições da UEFA.

Os primeiros minutos foram um pesadelo. O Sporting, com alguns jogadores em claro sub-rendimento, como o capitão Morten Hjulmand, entrou em campo nervoso, hesitante, a cometer erros de passe que alimentavam a fúria basca. Aos três minutos, Oihan Sancet, aproveitando uma perda de bola, colocou os donos da casa em vantagem e San Mamés, já envolto num manto de barulho ensurdecedor, explodiu. Os leões pareciam atordoados, presos numa espiral de más decisões, acabando por ser necessário esperar por um lampejo de esperança que surgiu aos 12 minutos: num canto apurado de Maxi Araújo, Ousmane Diomande subiu como um titã e, de cabeça, recuperou o empate.

A alegria dos pupilos de Rui Borges, contudo, foi efémera, isto porque aos 28 minutos, após um erro defensivo de Matheus Reis (que entrara para substituir o lesionado Gonçalo Inácio), Gorka Guruzeta aproveitou uma recarga para repor a vantagem basca. O intervalo chegou com o Sporting a perder, aprisionado nos seus próprios fantasmas e numa atuação globalmente negativa.

Quaresma, Pote e Morita
viraram o jogo por completo

A segunda parte começou sem alterações, mas o rumo do jogo mudou radicalmente após uma dupla intervenção do destino e de Rui Borges. Por volta dos 50 minutos, Sancet, o maestro basco, saiu lesionado. Pouco depois, aos 55 minutos, o treinador português lançou a sua cartada: Pedro Gonçalves, Hidemasa Morita e Eduardo Quaresma entravam em campo e o jogo, como se tivesse sido puxado um interruptor, mudou totalmente de figurino.

De súbito, o Sporting passou a encontrar o ritmo, a coragem e a precisão, o meio-campo leonino passou a ditar o jogo, e a pressão sobre a defesa basca intensificou-se. A recompensa chegou aos 62 minutos: numa jogada rápida e inteligente, Pote combinou com Francisco Trincão que, na cara do guardião Unai Simón, tentou a sua sorte e foi feliz, conseguindo empatar a partida.

O empate, porém, não era suficiente, tornando-se imperioso ao Sporting conseguir mais um golo. Porém, o último ato estava reservado para o drama puro. O conjunto leonino, agora dominante, procurou o golo da vitória, mas os minutos iam escoando na ampulheta do tempo.

Alisson Santos saltou
do banco para o milagre

Chegámos assim aos 90+4 minutos, altura em que Luis Suárez surgiu isolado… o estádio conteve a respiração, o colombiano rematou mas a bola foi detendida por Unai Simón, deixando para alguns a ideia de que o lance estaria terminado. Só que o brasileiro Alisson Santos, que Rui Borges lançou a partir do banco três minutos antes, não pensou dessa forma e, à entrada da área, tentou também ele o remate à baliza adversária depois de tirar dois adversários do caminho. A bola viajou de forma decidida para junto do poste direito da baliza do Athletic Bilbao, longe do alcance de Simón, e só parou no fundo das redes.

Excepção feita aos poucos adeptos do Sporting presentes no recinto basco, onde o clube leonino não pôde levar adeptos devido a castigo, a verdade é que o silêncio no San Mamés foi absoluto, apenas quebrado por aqueuesl que conseguiram desafiar a proibição da UEFA para ali se infiltrarem para testemunhar a história. Pouco depois o árbitro fazia soar o seu apito dando o jogo por concluído, selando o 2-3 e permitindo que os jogadores do Sporting festejassem vitoriosos no relvado, conscientes da magnitude do que havia ali sido feito.

Na verdade, aquilo que se passou naquele relvado não foi apenas uma vitória do Sporting, sendo também a primeira ‘remontada’ vitoriosa fora de casa na história do clube na Champions, bem como o primeiro triunfo em solo espanhol em competições da UEFA. Além disso, acima de tudo, foi o bilhete direto para os oitavos de final, um lugar entre os oito melhores da Europa, poupando ao clube a incerteza de um play-off.

Entre os poucos adeptos verde e brancos que estiveram no San Mamés e os muitos que acompanharam este jogo à distância através da transmissão televisiva, ficava bem forte a chama acesa do seu amor ao Sporting depois de uma noite em que, contra todos os prognósticos, a turma de Alvalade não desistiu e, por não desistir, fez história. A crónica desta noite não é sobre um jogo de futebol; é sobre a coragem de levantar-se após uma queda e a magia de um único instante, criado por um brasileiro chamado Alisson, que elevou um clube ao lugar que ele sempre ambicionou: a mesa dos maiores da Europa.

texto: José Andrade
foto: ©Sporting CP

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