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Portugal despejou a garrafa do ketchup sobre a Arménia com festival de golos

Numa tarde fria e particularmente chuvosa no Estádio do Dragão, onde até a Cláudia, a depressão atmosférica que tem andado por aí, fez questão de marcar presença, a Seleção de Portugal escreveu em tons realmente dourados o último capítulo da fase de qualificação para o Mundial de 2026. Depois de jogos menos convincentes, em o selecionador Roberto Martinez teimou em não conseguir colocar a nossa Seleção a jogar o que dela se esperava, Portugal tinha agora a possibilidade de mostrar a qualidade que possui e que os adeptos lhe exigiam à partida para este jogo. Sem o comando de Cristiano Ronaldo, suspenso depois da expulsão na partida frente à Irlanda, questionava-se quem ergueria o céu da equipa, e a resposta acabou por ser dada em uníssono por uma equipa faminta e talentosa, assinando com inteira justiça um estrondoso e histórico 9-1 sobre a Arménia.

O equipamento de Portugal para este jogo, por si só, era uma narrativa. O preto, austero e elegante, com os vivos em dourado a cintilar, era um manto de tributo ao primeiro grande rei do futebol português: Eusébio, a Pantera Negra. Parecia um presságio. Afinal, se a ausência de CR7 poderia sugerir um eclipse ofensivo, a Turma das Quinas decidiu honrar o passado não com saudade, mas com uma fúria goleadora que faria o Mestre sorrir. Martinez apresentou um onze com Diogo Costa entre os postes, uma defesa formada por Nélson Semedo, Rúben Dias, Renato Veiga e João Cancelo, ainda João Neves, Vitinha e Bruno Fernandes na linha média, aparecendo na frente Bernardo Silva, desta feita chamado À condição de capitão da nossa Seleção, Gonçalo Ramos, o titular que em outros jogos foi deixado tantas vezes tempo a mais sentado no banco, e Rafael Leão a entrar pelo corredor esquerdo em busca de causar desequilíbrios favoráveis a Portugal.

Foi assim com este onze que, desde o primeiro apito, Portugal assumiu o jogo e ditou o ritmo. A engrenagem, como tem sido habitual, foi movida pela inteligência e classe dos jogadores portugueses que, aos sete minutos, materializaram o domínio luso com um golo de Renato Veiga. Na sequência de um lance de bola parada, Bruno Fernandes bateu a bola sobre a barreira, Avagyan ainda defendeu, mas Veiga, de cabeça, desviou para o fundo da baliza. Inicialmente ainda foi preciso esperar pela análise do VAR, isto porque Renato Veiga estava à beira do fora-de-jogo, mas o golo foi mesmo validado e Portugal saía assim na frente do marcador com o primeiro golo de Veiga naquela que foi a sua nona internacionalização.

Em redor do jogo recordaram-se
Jorge Costa, Diogo Jota… e Eusébio

Certo é que, mesmo em desvantagem, a Arménia, porventura por ter consciência de que os últimos resultados de Portugal não tinham sido tranquilizadores, quis testar a capacidade lusa em aguentar um golpe de maior stress. Acabou assim a turma visitante por fazer o golo do empate, ao minuto 18, por Spertsyan, a responder da melhor forma a um cruzamento de Ranos a partir do lado direito do ataque arménio. Semedo ainda tentou atrapalhar Spertsyan, mas a bola assumiu uma trajectória caprichosa e traiu Diogo Costa, terminando o lance com o empate a uma bola no Dragão.

Ao invés de acusar o golo sofrido, a Turma das Quinas não esmoreceu, manteve o controlo do jogo, e justificou em pleno o segundo golo que apareceu ao minuto 28′, por Gonçalo Ramos, ele que tirou o melhor partido de. uma oferta da defesa arménia. Serobyan, o camisola 9 da formação visitante, quis fazer um atraso para o seu guarda-redes, mas não se apercebeu que o outro camisola 9 em jogo, Gonçalo Ramos, estava perto da área da Arménia. Gonçalo Ramos não se fez rogado, chegou mais depressa à bola do que o guarda-redes Avagyan, acabou mesmo por contornar este último e, com a baliza à sua mercê, enviou a bola com um remate de pé esquerdo para o segundo golo de Portugal.

E se dúvidas ainda existissem que a tarde era mesmo de Portugal, bastaram mais dois minutos para que, à meia-hora de jogo, João Neves aparecesse na melhor posição para fazer o 3-1. Nélson Semedo recuperou a bola para Portugal, combinou com Vitinha e Bruno Fernandes e este, ao permitir que a bola saltasse à sua frente, criou espaço para que aparecesse João Nevers a desferir um forte remate de pé direito que fez a bola entrar junto ao poste da baliza da Arménia, conseguindo também João Neves o seu primeiro golo com as Quinas das Seleção ao peito.

A festa instalava-se em definitivo no Estádio do Dragão, onde tinha já havido tempo para homenagear Jorge Costa, ao minuto 2′, mas também Diogo Costa, ao minuto 21′, numa tarde de bons presságios em que tudo indicava que seria ali confirmado em absoluto o apuramento de Portugal para o Mundial de 2026. Aliás, se dúvidas existissem, antes mesmo do intervalo Portugal ainda teve tempo para fazer mais dois golos… e que golos!

Anda bater João Neves
porque tu bates bem!

Ao minuto 41′, quando Portugal ganhou um livre direto em zona frontal à baliza da Arménia, Bruno Fernandes, normalmente encarregue de bater estes pontapés quando Cristiano Ronaldo prima pela ausência — com Ronaldo em campo a bola é sempre do capitão —, surpreendeu ao chamar João Neves para ser ele a cobrar a falta favorável a Portugal. O conjunto arménio formou barreira, um jogador da turma visitante deitou-se mesmo na relva atrás dos seus companheiros para impedir que a falta fosse batida de forma rasteira, mas João Neves, com um pontapé magistral, fez a bola passar sobre a barreira, em arco, e ir beijar a trave antes de entrar mais uma vez na baliza de Avagyan, o guarda-redes que nem tirou os pés do chão tal foi a qualidade do golo de João Neves.

Sobre o minuto 45′ o lateral João Cancelo ainda enviou a bola ao ferro da baliza arménia, o árbitro deu mais dois minutos de compensação e, mesmo à beira do intervalo, para fechar o resultado da primeira parte desta partida, eis que Bernardo Silva foi carregado dentro da área da formação visitante por Muradyan. O árbitro não hesitou e assinalou de imediato o castigo máximo, o VAR confirmou a grande penalidade e Bruno Fernandes, tido como o especialista dos penáltis, pelo menos na ausência de Cristiano Ronaldo, assumiu a responsabilidade de fazer o que viria a ser o quinto golo de Portugal. O camisola 8 de Portugal partiu para a bola, fez o saltinho da praxe, e rematou para a baliza quando Avagyan já se tinha atirado para o seu lado direito, enviando a bola para o lado contrário e assinando o 5-1 com que se atingiu o intervalo.

A festa no Estádio do Dragão era por esta altura total, com os adeptos lusos a terem a sensação clara de estarem a testemunhar algo especial, uma exibição de poderio tático e qualidade individual avassaladora da Turma das Quinas, frente a uma Arménia que se limitava a tentar mitigar os prejuízos para as suas cores. Só que Portugal, ao contrário do que muitos poderiam supor, não se contentou com os cinco golos do primeiro tempo e manteve a pressão sobre o último reduto de Avagyan. O selecionador da Arménia ainda operou duas alterações na sua equipa para o arranque do segundo tempo, mas Portugal continuava num nível muito superior, evidenciado desde logo ao minuto 52′, uma vez mais por Bruno Fernandes. Gonçalo Ramos fez um passe para o médio luso que milita no Manchester United e este, de primeira, com o pé direito, rematou rasteiro fazendo a bola entrar na baliza arménia junto ao poste mais distante, fazendo dessa forma o 6-1.

Forbs passou de desconhecido
ao homem da camisola 7

Roberto Martinez fez então as primeiras mudanças na Seleção de Portugal, chamando ao jogo Francisco Conceição e o jovem Carlos Forbs, com este a entrar em campo com o mítico número 7 nas costas, número usado pelo ausente Cristiano Ronaldo, mas também, no passado, por Luís Figo, saindo por essa altura Bernardo Silva e Rafael Leão. E a verdade é que os dois novos pupilos de Martinez em campo responderam a preceito, nomeadamente Forbs, que não acusou de forma alguma o facto de estar a viver ali um verdadeiro sonho, ele que foi chamado pela primeira vez à Seleção principal de Portugal.

Ao minuto 67′ Vitinha deu o seu lugar a João Félix e, quatro minutos decorridos eis que o estreante Carlos Forbs foi derrubado na área da Arménia na sequência de um lance ao primeiro toque pelo ataque de Portugal. O VAR confirmou o castigo máximo e Bruno Fernandes, novamente ele, voltou a assumir a transformação do penálti, agora com o mesmo saltinho do primeiro tempo a anteceder um remate a meia altura com a bola a entrar a meio da baliza. Estava feito o 7-1 por Bruno Fernandes, que assim assinava o seu hattrick neste jogo.

Rúben Dias e João Cancelo deram os seus lugares a Matheus Nunes e Rúben Neves, mantendo o ritmo de Portugal em alta perante uma formação da Arménia completamente arrasada, acabando Portugal por ter tempo para dilatar ainda mais o marcador a seu favor, com mais dois golos, aos 81 e aos 90 minutos. Rúben Neves enviou a bola ao ferro da baliza da Arménia e, na sequência desse lance, eis que João Neves apareceu no sítio certo e no momento exato a bater a bola para dentro da baliza adversária, assinando também ele o seu hat-trick e colocando o resultado em 8-1 favorável a Portugal.

Chico Conceição fechou a contagem
e carimbou a ida ao Mundial: 9-1

E quando alguns adeptos começavam a abandonar as bancadas doa Estádio do Dragão, onde minutos antes havia caído um verdadeiro dilúvio, a tal manifestação da depressão Cláudia que, também ela, não quis deixar de marcar presença no Dragão, eis que Francisco Conceição quis carimbar a sua passagem por esta partida ao fazer o nono golo para Portugal bem em cima do minuto 90′, com um remate rasteiro e forte à entrada da área ao qual o guarda-redes Avagyan não se conseguiu opor.

Quando o árbitro apitou para o fim os aplausos foram inteiramente merecidos pelos jogadores lusos, eles que permitiam celebrar o apuramento para o Mundial de 2026, mas celebravam também Eusébio da forma que ele mais gostaria: com futebol ofensivo, talento e golos. Portugal superava assim com louvor o teste de caráter na ausência do capitão Ronaldo, provando que esta é uma equipa com múltiplas estrelas e soluções, dotada de uma alma coletiva plena de força, assim o selecionador Roberto Martinez lhe dê condições para brilhar.

No relvado do Estádio do Dragão, Portugal não só fechou uma qualificação perfeita como enviou uma mensagem ao mundo. O presente é brilhante, e o futuro, personificado no hat-trick de um jovem de 19 anos, João Neves, é tão dourado quanto os detalhes da camisola que vestiram a Turma das Quinas nesta tarde inesquecível. O Pantera Negra sorriu… e a Turma das Quinas rugiu para o mundo do futebol.

texto: Jorge Reis
fotos: João Mota

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