Com os campeões europeus do PSG já disponíveis, a Seleção Nacional de Portugal realizou esta quarta-feira, 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, aquele que foi o seu derradeiro ensaio antes da estreia no Mundial’2026, garantindo novo triunfo, uma vez mais por 2-1, o resultado que já tinha conseguido frente ao Chile. Agora em Leiria, no estádio Magalhães Pessoa, recinto ainda a recuperar das muitas mazelas com que ficou depois da tempestade Kristin, Portugal venceu este segundo amigável, num jogo em que ficou claro que o selecionador Roberto Martinez ainda tem algumas dúvidas a esclarecer, nomeadamente em relação ao onze titular que poderá apresentar no jogo de estreia nos EUA, frente ao Congo daqui a uma semana, no próximo dia 17.
Para este embate com a Nigéria, o Estádio Magalhães Pessoa vestiu-se de gala nesta quarta-feira para assistir ao último ensaio-geral da Seleção Nacional rumo ao Mundial 2026. Diante de um adversário que, tal como o Chile, também não estará no Mundial a organizar de forma conjunta por Canadá, México e EUA, a Turma das Quinas venceu por 2-1, num jogo que serviu para Roberto Martínez finalmente dispor de todas as suas armas, mas que também deixou claras algumas dúvidas em relação aos jogadores no seu melhor momento de forma, nomeadamente os elementos do setor defensivo, e isto quando estamos a apenas uma semana da estreia.











Com a maioria dos jogadores do lote habitual a entrar em campo, a grande novidade foi a integração total do quarteto do Paris Saint-Germain. Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos foram poupados no triunfo sobre o Chile, no último sábado, devido à recente conquista da Liga dos Campeões, mas agora, em Leiria, já estiveram às ordens do técnico espanhol, dando outra consistência ao meio-campo e ataque, ficando claro que dificilmente Roberto Martinez irá equacionar um onze titular da Seleção sem a presença de João Neves e Vitinha no meio-campo, ou sem Nuno Mendes no lado esquerdo da defesa.
A ansiedade do capitão e a eficácia
das opções de Roberto Martínez
Antes de fazermos a nossa antevisão do que poderão ser as escolhas do selecionador tendo em conta estes dois jogos de preparação, e nomeadamente este último, será importante deixar um pouco daquilo que se passou nesta partida em Leiria, em que Portugal entrou a dominar, mas com um fantasma que voltou a pairar sobre a Turma das Quinas: a finalização. Para início de conversa será importante olhar para as opções de Roberto Martinez, com Diogo Costa entre os postes, a defesa formada por Nélson Semedo, Rúben Dias, Gonçalo Inácio e Diogo Dalot, ainda Vitinha e João Neves no “miolo”, formando uma linha de três “atiradores” – Bruno Fernandes, Trincão e Pedro Neto – no apoio a Cristiano Ronaldo, o homem mais adiantado na Seleção de Portugal.








Com este esquema tático, o domínio do jogo começou a ser conseguido por Portugal bem cedo, e as oportunidades de visar a baliza nigeriana surgiram naturalmente. Aos 8 minutos, Cristiano Ronaldo teve o que parecia ser o golo mais fácil da noite, isolado diante do guarda-redes Maduka Okoye, mas atirou ao lado, protagonizando um dos maiores frissons da noite. O capitão da Seleção Nacional não escondeu a frustração, ficando do lado do público a fé de que o abrir do frasco do ketchup por parte do CR7 poderá acontecer já frente ao Congo no primeiro jogo “a sério” nos EUA. Já a partir do banco da turma lusa, e apesar da intranquilidade inicial, o selecionador via com bons olhos a movimentação da equipa.
É que, apesar dos primeiros desencontros com a finalização, o golo para a Turma das Quinas parecia estar “escrito” no guião da partida e chegou com naturalidade para Portugal, por intermédio de um dos jogadores que mais tem lutado por um lugar no onze de Martinez. Aos 23 minutos, Diogo Dalot, numa incursão ofensiva pela direita, assistiu Pedro Neto, com o extremo, de pé trocado (canhoto), a finalizar sem dar hipóteses a Okoye: um tiro cruzado e colocado resultava em golo, mostrando a frieza que faltou no arranque.








Muralhas defensivas vacilaram
e a Nigéria deixou um aviso
Se o ataque parecia estar a ganhar forma, o setor defensivo voltou a deixar algumas preocupações junto dos adeptos presentes nas bancadas da cidade do Lis. Apenas quatro minutos depois do golo, a defesa portuguesa mostrou uma fragilidade alarmante nas costas, acabando por consentir o golo do empate para a seleção nigeriana.
Num rápido contra-ataque, a bola sobrou para Akor Adams, jogador que foi sempre uma enorme dor de cabeça para Gonçalo Inácio que, por diversas vezes, perdeu no confronto direto peranta a maior capacidade física do adversário nigeriano. Desta feita, Adams aproveitou um posicionamento defensivo descoordenado da linha de trás portuguesa, invadiu a área e, com um remate rasteiro, empatou a partida. O golo, aos 27 minutos, foi um balde de água fria na estratégia de Martínez, que pretendia dar descanso e confiança ao grupo antes da viagem para os Estados Unidos e tinha agora que voltar a acelerar para voltar para a liderança do marcador.










Com o empate ao intervalo, a sensação era de que o resultado final ainda estava em aberto, e se ficava claro que Portugal tinha condições para vencer, também era evidente que o poderio físico do adversário permitia à Nigéria condicionar a prestação lusa. Mesmo sem contar com as suas principais vedetas como Lookman ou Osimhen, mas ainda assim com um onze formado por jogadores interessantes e conhecidos no mundo do futebol, a Nigéria mostrou ser equipa competitiva e difícil de quebrar, tal como Martinez havia previsto na véspera.
Francisco Conceição
desbloqueia o marcador
Mesmo sendo “a feijões”, Portugal queria vencer esta partida, pelo que o selecionador Roberto Martinez mexeu na equipa ao intervalo, mudando nove dos onze jogadores, mantendo em campo apenas o guarda-redes Diogo Costa e o capitão Cristiano Ronaldo, com este último a ser substituído ao minuto 63′. A defesa passou a ser constituída por João Cancelo, Tomás Araújo, Renato Veiga e Nuno Mendes, o meio-campo passou a ser preenchido por Samu Costa e Rúben Neves, sobrando agora para o apoio a Cristiano Ronaldo um trio formado por Francisco Conceição, Bernardo Silva e João Félix.












O trio de jogadores nas costas do capitão de Portugal era agora mais móvel, com Félix a trazer ousadia e alguma magia, e Francisco Conceição a permitir uma lufada de ar fresco e, sobretudo, a imprevisibilidade que faltava. Aliás, viriam a ser estes dois jogadores a assumir o jogo na etapa complementar, conseguindo o golo que colocou de novo Portugal na frente do marcador, e protagonizando um lance que deu um terceiro golo para a Turma das Quinas, que a equipa de arbitragem espanhola não considerou.
Aos 75 minutos, Francisco Conceição protagonizou o lance individual da noite. Num recorte de corpo seco, enganou o marcador, infiltrou-se na área e, mesmo com pouco ângulo, disparou forte e rasteiro para o fundo das redes de Okoye. Estava feito assim um golo de “matador”, que recolocou Portugal em vantagem e deu tranquilidade a uma equipa que precisa de ganhar hábitos vencedores. Pouco depois foi João Félix a receber a bola em zona frontal à baliza da Nigéria para um remate fortíssimo, levando a bola a bater na trave para um ressalto na relva para lá da linha de golo. O árbitro espanhol que dirigiu esta partida, Mateo Ferrer, ficou à espera da indicação do VAR, mas este, estranhamente, não validou o golo, pelo que o marcador manteve a vantagem mínima para Portugal por 2-1.










Cristiano Ronaldo, já depois de também ele ter tentado o golo que lhe fugiu nesta partida uma vez mais, deu o seu lugar a Gonçalo Ramos aos 63 minutos, acabando o jogo com Portugal a gerir o resultado, uma vitória merecida por 2-1 mas que terá deixado no espírito de Roberto Martinez ainda algumas dúvidas a esclarecer.
Análise e expectativas:
O que fica para o Mundial?
A crónica deixa um sabor agridoce. Por um lado, é positivo ver que os jogadores do PSG se integraram sem problemas e que o banco de suplentes tem soluções de impacto (como Francisco Conceição) capazes de decidir jogos. Pedro Neto também parece ter ganho um estatuto importante na rotação ofensiva, acreditando que Bruno Fernandes e João Félix tem carimbo no passaporte para o onze no jogo de estreia nas costas de Cristiano Ronaldo. A dúvida surgirá no lado direito do ataque, onde poderá aparecer Bernardo Silva ou Pedro Neto.
Por outro lado, a fragilidade defensiva mostrada no golo da Nigéria é exatamente o tipo de erro que custa caro numa fase de grupos contra Colômbia ou Congo. Se Akor Adams aproveitou a desatenção, Luis Díaz ou os avançados congoleses também o farão, pelo que certamente Martinez irá apostar em Rúben Dias e Renato Veiga, a dupla que dá mais garantias à Seleção Nacional. Nuno Mendes será certamente o dono do corredor esquerdo da defesa, sobrando a dúvida à direita, com Cancelo, Nélson Semedo e Dalot a reclamarem a atenção do selecionador na escolha de um deles para o lugar em falta neste onze de estreia de Portugal nos EUA.











A Seleção parte para os EUA com a obrigação de afinar a defesa, consciente de que sofreu dois golos em dois jogos de preparação com adversários acessíveis, e perante os quais Portugal tinha condições para conseguir uma “ficha limpa”.
Com os recursos ofensivos que tem a Turma das Quinas, marcar golos é uma questão de tempo, mas não os sofrer é aquilo que pode definir o destino da equipa na competição, e se é verdade que Portugal venceu os dois amigáveis, também é um facto que não convenceu em nenhum deles. O primeiro jogo a sério é já no dia 17, contra o Congo, e tal como todos os portugueses, também nós queremos que possa dar Portugal!











Ficha de Jogo
- Competição: Amigável de preparação para o Mundial 2026
- Data: 10 de junho de 2026
- Local: Estádio Dr. Magalhães Pessoa, Leiria (Portugal)
- Árbitro: Mateo Busquets Ferrer (ESP)
- Resultado Final: Portugal 2-1 Nigéria
Golos:
- Portugal: Pedro Neto (23′), Francisco Conceição (75′)
- Nigéria: Akor Adams (27′)
Equipas:
- Portugal: Diogo Costa; Nélson Semedo (João Cancelo, 46′) (Mateus Nunes, 80′), Rúben Dias (Tomás Araújo, 46′), Gonçalo Inácio (Renato Veiga, 46′), Diogo Dalot (Nuno Mendes, 46′); Vitinha (Rúben Neves, 46′), João Neves (Samu Costa, 46′), Bruno Fernandes (Bernardo Silva, 46′); Pedro Neto (João Félix, 46′), Francisco Trincão (Francisco Conceição, 46′) e Cristiano Ronaldo (C) (Gonçalo Ramos, 64′).
- Nigéria: Maduka Okoye; Bruno Onyemaechi, Calvin Bassey, Semi Ajayi e Christian Akpan; Dele-Bashiru, Wilfred Ndidi e Alex Iwobi (C); Moses Simon, Akor Adams, e Tochukwu Nnadi. Entraram no segundo tempo Zaidu Sanusi, Terem Moffi, Frank Onyeka, Philip Otele, Abdullah Bewene e Paul Onuachu.






















