Apresentado esta sexta-feira como o novo selecionador nacional sucedendo ao espanhol Roberto Martinez, como já aqui demos conta, Jorge Jesus reúne consenso entre os portugueses que vêem nele um técnico com créditos firmados, certamente capaz de fazer melhor do que aquilo que conseguiu Martinez, o que não será difícil. Mas aceitação por parte dos portugueses relativamente a Jorge Jesus vai muito para além da qualidade técnica do técnico da Amadora, havendo um sentimento de carinho por este treinador de 71 anos que, ao longo dos anos, foi ficando famoso pelas “pérolas” deixadas no seu discurso, proferido por vezes mais com o coração do que com a cabeça. Essa forma de estar, aliás, valeu-lhe já um título do qual será difícil descolar: “Rei dos Memes”.
Para além do currículo, Jorge Jesus traz para a Seleção uma espécie de culto paralelo que os portugueses adoram. Bastará por isso uma pequena incursão no ambiente das redes sociais para rapidamente percebermos que o título de “Rei dos Memes” é algo que Jesus conquistou a pulso e ao longo de anos de conferências de imprensa e momentos na beira do campo que fogem ao guião.

A sua apresentação desta sexta-feira não foi exceção e, em poucas horas, já os reels e os vídeos editados se espalhavam pelas redes sociais, com os clássicos momentos a serem revisitados e comparados com as novas declarações.
Há um carinho genuíno nesta relação, que mistura admiração com aquele gozo afetuoso que só os portugueses sabem dar. As pérolas são tantas que já fazem parte do imaginário coletivo: o “Teikiriz” (para “take it easy”) depois de um jogo com o Arsenal , a pergunta “Levaste com um pau?” dirigida aos jogadores que simulavam faltas, ou a célebre afirmação de que o Benfica ganhou “limpinho, limpinho”. E não ficamos só por aqui, com as gafes que o próprio admite, como as contas das finais “Ganhei 17 e perdi 10”, que ele próprio já baralhou em direto, ou a tentativa de falar árabe, que se tornou um viral instantâneo. Há ainda os episódios mais caricatos, como ter expulsado o rapper 50 Cent do estádio do Restelo para conseguir treinar em paz, uma história que até ele confirma com um certo orgulho.

Curiosamente, da presença de Jorge Jesus junto dos jornalistas nesta sexta-feira foi possível extrair já alguns momentos divertidos, como a forma como Jesus deu conta da presença de uma jornalista da SIC, depois de antes não a ver por estar encadeado pelas luzes dos diretos nas televisões, ou pela forma como contou o diálogo que teve com internacional brasileiro Neymar de uma forma bem direta: “Tu finish!”
Mais do que o treinador, os portugueses vêem em Jorge Jesus um entertainer involuntário. Numa altura em que o futebol é cada vez mais politicamente correto, a autenticidade de Jorge Jesus é um sopro de ar fresco, ainda que muitas vezes à custa de “calinadas” ou de uma intensidade que parece saída de um sketch de humor. É esse o motivo pelo qual a sua chegada gera tanto entusiasmo: a sua qualidade comparada com a de Martinez é, quanto a nós, francamente superior, o que por si só não garanta que vamos ganhar títulos, mas temos a certeza absoluta de que vamos ter muito que falar e partilhar.










