Foi com um discurso de ambição confessa que Jorge Jesus se apresentou esta sexta-feira como novo selecionador nacional, na Cidade do Futebol. O técnico de 71 anos, que até 2030 terá a missão de comandar a equipa de todos os portugueses, deixou claro desde o primeiro momento que o objetivo é somar títulos e “jogar o dobro”. Bem disposto, igual a si mesmo até na forma como se dirigu aos jornalistas, Jesus recebeu do presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, a camisola da Seleção com o número 2630, indicando o período em que estará em vigor o contrato agora assinado entre Jesus e a FPF, de 2026 a 2030.
A cerimónia começou com as palavras do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, que falou no “início de uma nova era” e numa “cultura de vitória bem definida”. Jorge Jesus, por seu lado, assumiu o cargo com a convicção que lhe é reconhecida. “Sou um orgulhoso português e agora vou ser treinador de 12 milhões”, afirmou, em jeito de compromisso com o país.

Uma das principais dúvidas que pairavam sobre esta apresentação era a gestão de Cristiano Ronaldo, com quem Jesus trabalhou no Al-Nassr. O novo selecionador foi perentório: o capitão da seleção nunca será um problema. “No Al-Nassr substituí-o 16 vezes e nunca houve problemas”, lembrou, desvalorizando o tema.
Em relação a Bernardo Silva, com quem teve um desentendimento no Benfica, também fez questão de arrumar o assunto – “Não há problema nenhum” –, lembrando que foi ele, Jesus, que colocou Bernardo Silva a jogar na equipa principal do Benfica: “Foi contra o Cinfães alguns minutos num jogo da Taça de Portugal… mas jogou!”


Sobre a sia idade – 71 anos – e a possibilidade de renovação da equipa, Jorge Jesus respondeu da forma que lhe é característica. “No número está lá 71 anos, mas no que sou está lá 50”, afirmou. E, descartando uma revolução no plantel, salientou que a média de idades da seleção ronda os 28 anos. “Só seis têm idade acima dos 30 e dois são guarda-redes. Não é por aí que haverá problemas”.
O novo selecionador mostrou ainda que a sua ideia de jogo será diferente da praticada por Roberto Martínez, o técnico espanhol que até agora teve a seu cargo o comando da Seleção. “A minha ideia do jogo não tem nada que ver com o que era a ideia da Seleção. Zero”, garantiu, apontando a estreia já para 24 de setembro, contra o País de Gales, em jogo a contar para a Liga das Nações.


Com um currículo que inclui três campeonatos portugueses, uma Libertadores pelo Flamengo e títulos no Brasil e na Arábia Saudita, Jorge Jesus chega com a pressão de um país que, em 2030, será anfitrião do Mundial. A confiança, essa, não lhe falta e a afirmação da sua vontade serviu de mote a esta apresentação: “Viemos para vencer!”









