O Sporting consentiu este sábado um penalizante empate no Estádio de Alvalade, na recepção ao Arouca, num jogo que terminou com o marcador a assinalar 2-2, isto depois dos leões terem estado a vencer por 2-0 ao intervalo, num jogo em que chegou a dar a ideia de que a turma leonina iria conseguir golear o adversário beirão. Aos 17 minutos o Sporting vencia por 2-0, com golos de Gonçalo Inácio e Luis Suárez, viu um terceiro golo ser anulado devido a uma posição irregular de Doumbia, mas o rumo do jogo virou quando, aos 54 minutos, Debast viu um cartão vermelho direto.
O Arouca, que até então tinha sido dominado pela equipa da casa, renasceu das cinzas e de uma derrota anunciada, voltou a acreditar, tirou o melhor partido de erros sucessivos dos homens do Sporting, e acabou por justificar um empate a dois golos e a consequente divisão de pontos. Aliás, o Sporting só não viu a turma beirã alcançar a cambalhota no resultado final porque, a bem da verdade, a equipa do Arouca terminou o jogo com pouca capacidade física e a contentar-se com o empate que chegou a parecer impossível.






No fim, lenços brancos nas bancadas de Alvalade mostraram de forma clara o desagrado dos adeptos leoninos perante a prestação dos pupilos do técnico Rui Borges, ele que até começou por apresentar uma equipa que parecia capaz, mas que acabou penalizado por alguns erros individuais que penalizaram o colectivo, mas também pela forma como reagiu às contrariedades. Permitiu que o Sporting recuasse no terreno, fez algumas alterações como a aposta em Pedro Lima que indicou claramente a intenção de recuar no terreno e simplesmente “aguentar”, e acabou por não conseguir mais do que empatar e impedir uma derrota que seria simplesmente vexatória em Alvalade depois de ter estado com dois golos de vantagem.
Primeira parte: o Sporting parecia ter o jogo na mão
À partida para este embate com o Arouca a equipa do Sporting era naturalmente apontada como favorita à vitória, tendo entrado a mandar no jogo e a construir desde logo um resultado favorável. Surgindo em campo num 4x3x3, com Irankunda a estrear-se no onze relegando para o banco o jovem Flávio Gonçalves que neste jogo não foi chamado a entrar dentro das quatro linhas, o Sporting tinha em Zalazar, Luis Suárez e Maxi Araújo o trio com o qual pretendia mandar no jogo.





A propósito de Maxi Araújo, que neste jogo cumpriu 100 jogos de leão ao peito, ficava evidente que seria uma pedra fulcral na movimentação dos leões. E o jogo não podia ter começado melhor já que, logo aos três minutos, Maxi cruzou da esquerda e Gonçalo Inácio, na pequena área, desviou para o 1-0, um golo de algum modo redentor para o defesa central que tinha acumulado alguns erros em partidas anteriores, nomeadamente um autogolo frente ao Manchester City no jogo referente à fase de liga da Liga dos Campeões.
Em desvantagem bem cedo na partida, o Arouca tentou responder e aos 14 minutos Djouahra acertou no poste da baliza de Rui Silva. Mas o Sporting estava por cima dos acontecimentos, tinha o domínio do jogo e mais posse de bola, e ampliou mesmo a vantagem pouco depois. Aos 17 minutos, Fresneda entrou na área pela direita e cruzou atrasado para Luis Suárez, que rematou forte para o 2-0, tendo o avançado colombiano garantido deste modo o sexto jogo consecutivo a marcar com a camisola verde e branca do Sporting.
Três minutos depois, Doumbia ainda festejou o 3-0, mas o lance foi anulado por fora de jogo. O VAR confirmou: estava em posição irregular por 54 centímetros. O Sporting controlava, o Arouca não encontrava espaços, e o intervalo chegou com a vantagem tão confortável quanto justa para a equipa da casa.
O momento da segunda parte:
a expulsão que mudou tudo
Para o segundo tempo, Rui Borges manteve o onze inicial na equipa do Sporting, respondendo Vasco Seabra com a aposta em Rukavina, um médio ofensivo que passou a surgir pelo corredor esquerdo, procurando os espaços por fora a partir dos quais pudesse criar algum perigo para os sectores mais recuados da equipa leonina. E a verdade é que o jogo viria a mudar aos 54 minutos, curiosamente num lance em que um dos intervenientes foi Rukavina.








O médio do Arouca surgiu com bola junto à linha lateral, Zeno Debast protagonizou uma entrada duríssima sobre o tornozelo do jogador arouquense quando a bola já não estava lá e o árbitro David Silva, de imediato e sem ter que esperar por qualquer indicação do VAR Helder Malheiro, mostrou o cartão vermelho direto. Debast reconheceu a forma errada como entrou no lance e nem protestou, e o Sporting ficava a partir dali reduzido a 10 unidades, quando havia mais de meia-hora de jogo pela frente.
É certo que o técnico Rui Borges reagiu de imediato e procurou minimizar prejuízos na equipa do Sporting, nomeadamente ao retirar Irankunda lançando na partida o central Eduardo Quaresma, num claro objectivo de recompor a linha defensiva dos leões, mas também é certo que permitiu que o seu conjunto recuasse por completo, entregando toda a iniciativa do jogo ao Arouca. O colombiano Luis Suárez ficou sozinho lá na frente, e as linhas leoninas passaram a viver junto à área de Rui Silva, onde o Arouca, com mais um jogador em campo, cresceu no jogo e começou a acumular lances de ataque à baliza dos leões.
Lei de Murphy está
de volta a Alvalade
Rui Silva ainda negou o golo a Barbero aos 66 minutos, com uma grande defesa, mas o Arouca acreditava e não desistia. E porque o Sporting parece atravessar de novo uma daquelas fases em que impera a lei de Murphy, em que tudo o que parece correr mal acaba por correr mesmo mal, eis que aos 81 minutos surge mais um erro de palmatória dos leões. Quaresma, que tinha entrado depois da expulsão de Debast, pisou Barbero dentro da área, num lance em que o jogador do Arouca estava de costas para a baliza e não iria ter espaço para rematar. O árbitro David Silva não assinalou qualquer infração, o jogo prosseguiu apesar de Barbero ter ficado deitado no terreno, e só na primeira paragem da partida o VAR Helder Malheiro chamou o árbitro para rever o lance.






Poucos segundo foram precisos para ver o óbvio, houve mesmo falta grosseira de Eduardo Quaresma sobre Barbero, e David Silva apontou para a marca do penálti, brindando ainda o defesa leonina com um cartão amarelo. Chamado a converter a grande penalidade, o central Fontán bateu com toda a tranquilidade, deitando Rui Silva para um lado e colocando a bola no lado contrário, fazendo assim o primeiro golo do Arouca nesta partida, passando o marcador a assinalar o 2-1.
Com dez minutos para jogar, mais o período de compensação que o árbitro determinasse, as bancadas de Alvalade estavam transformadas num enorme caldeirão de ansiedade e nervosismo, com os adeptos a anteverem que dificilmente a sua equipa iria conseguir segurar a conquista dos três pontos, tal era o desnorte que apresentava a equipa do Sporting. Não conseguia segurar a bola, não conseguia sair do seu meio-campo, era pressionado pela turma visitante, e o empate surgiu mesmo. Aos 87 minutos, Pedro Santos cruzou da direita e Dylan Nandín, na pequena área, desviou para o 2-2.
A partir dali o Sporting pouco mais conseguia fazer do que segurar o empate e impedir prejuízos maiores. Rui Borges trocou Luis Suárez por Ioannidis, Pedro Lima e Andersen ainda foram chamados ao jogo para dar alguma consistência ao meio-campo, mas o tempo para reagir era praticamente nulo, correndo o relógio mais contra o Sporting do que a favor. Aliás, o árbitro David Silva ainda deu sete minutos de compensação, mas era a equipa da casa quem parecia desejar que o jogo terminasse rapidamente para que o prejuízo não fosse maior. O certo é que o Arouca também já não tinha pilhas para muito mais e os últimos minutos deste jogo em Alvalade ficaram marcados, não por qualquer lance mais impactante, mas pelos lenços brancos com que os adeptos brindaram Rui Borges, e uma enorme assobiadela para os jogadores leoninos que assim somaram o terceiro empate na presente época à sétima jornada.





Ficha do jogo
Sporting 2-2 Arouca
Competição: 7.ª jornada da I Liga
Estádio de Alvalade
Assistência: 49.941 espectadores
Árbitro: David Silva
VAR: Helder Malheiro
Sporting: Rui Silva, Iván Fresneda, Zeno Debast, Gonçalo Inácio (C), Maxi Araújo; Sergi Altimira, Issa Doumbia (Pedro Lima, 86′); Nestor Irankunda (Eduardo Quaresma, 57′), Rodrigo Zalazar (Silas Andersen, 66′), Geny Catamo e Luis Suárez (Fotis Ioannidis, 86′)
Técnico: Rui Borges
Arouca: Arruabarrena, Tiago Esgaio (C), José Fontán, Javi Sanchez (Nandín, 87′), Lebedenko; Fukui, Van Ee (Pedro Santos, 59′); Trezza (Mansilla, 69′), Mateo Flores (Rukavina, 46′), Djouahra (Mayulu, 87′) e Barbero
Técnico: Vasco Seabra
Golos:
- 1-0 Gonçalo Inácio (03′)
- 2-0 Luis Suárez (17′)
- 2-1 Fontán (Penálti 81′)
- 2-2 Dylan Nandín
Ação disciplinar:
Cartão amarelo: Van Ee (36′), Javi Sanchez (44′), José Fontán (51′), Tiago Esgaio (61), Luis Suárez (62′), Eduardo Quaresma (80′), Maxi Araújo, (90’+04′), Mansilla (90’+04′)
Cartão vermelho: Zeno Debast (54′)




Erros defensivos deitaram
quase tudo a perder em Alvalade
No final da partida, Vasco Seabra, treinador do Arouca, foi claro: “Empurrámos o Sporting para trás. Gostava que as pessoas reconhecessem o mérito da nossa equipa”. E tinha razão, isto porque o Arouca não se limitou a aproveitar a superioridade numérica, tendo ido mesmo atrás do resultado com convicção, retirando daí o melhor desfecho já que acabou premiado com um empate que já parecia impossível de alcançar nesta deslocação a Alvalade.
Do lado do Sporting, o padrão repete-se. Foram os erros no eixo da defesa que abriram as portas ao empate. Primeiro Debast, com uma entrada desnecessária e perigosa a meio campo. Depois Quaresma, que entrou precisamente para estabilizar a defesa e acabou a cometer o penálti que relançou o Arouca.
Também é certo que Rui Borges não conseguiu motivar a equipa para segurar o ímpeto do Arouca depois da expulsão, permitiu que os seus pupilos baixassem as linhas e passassem a jogar demasiado encostados à baliza de Rui Silva, e o resultado está à vista: mais dois pontos perdidos, o terceiro empate em sete jornadas, e lenços brancos das bancadas no final.







Em cima de tudo isto, o contexto torna tudo pior para o Sporting. Este empate acontece na véspera do clássico entre FC Porto e Benfica, os dois rivais que estão à frente dos leões na tabela classificativa do campeonato da I Liga. Uma vitória teria permitido ao Sporting encostar à primeira linha da tabela classificativa, mas depois deste empate o Sporting fica com 15 pontos, a três do FC Porto e a um do Benfica, e vê os rivais poderem distanciar-se ainda mais este domingo. Uma vitória dos dragões deixa já o Sporting a seis pontos, enquanto que o triunfo do Benfica resultará num fosso de quatro pontos para as águias e três pontos para os dragões.
Já o Arouca, por seu lado, não poderia ter melhor deslocação ao Estádio de Alvalade. Garantiu um empate frente a um dos ditos grandes do futebol português e, com isso, sobe ao quinto lugar com 11 pontos, regressando a Arouca com a sensação de dever cumprido, deixando toda a pressão sobre os céus de Alvalade.









