“Houston, tivemos um problema… mas passou!” — Depois do arranque em falso com o empate frente ao Congo (1-1), que deixou um sabor amargo e gerou uma onda de críticas, a Seleção Portuguesa regressou esta terça-feira ao NRG Stadium para dar uma resposta cabal a todos os que duvidavam da sua capacidade em apresentar uma exibição convincente.
Agora diante do Uzbequistão, a Turma das Quinas não se limitou a vencer, conseguindo mesmo uma goleada por 5-0, num jogo onde a eficácia, a velocidade e a inspiração de Cristiano Ronaldo, mas também de elementos como Nuno Mendes, João Félix, João Cancelo, Vitinha e Rafael Leão, entre todos os demais, fizeram a diferença, recolocando Portugal no caminho certo no Mundial FIFA’2026.



As decisões de Martinez: o “siiiiim”
a Ronaldo e a mudança na defesa
A pressão era máxima. Após o empate 1-1 com o Congo, as vozes que pediam a alteração do onze titular, nomeadamente a substituição de Cristiano Ronaldo, ganharam eco. No entanto, o selecionador Roberto Martinez manteve-se fiel à sua aposta no capitão, uma decisão que se revelaria crucial. Como o próprio Martinez defendera antes do jogo, a equipa estava “forte e focada”, e o papel de Ronaldo como criador de espaço e finalizador era inegociável.
Para além de manter o astro no ataque, Martinez operou duas alterações significativas na equipa. A primeira, no ataque, com a entrada de João Félix no lugar de Bernardo Silva, trazendo mais mobilidade e imprevisibilidade ao setor ofensivo, e a segunda, e mais premente, na defesa: com Tomás Araújo lesionado, o técnico chamou Rúben Dias para o centro da defesa, ao lado de Renato Veiga.
O regresso do central do Manchester City à titularidade no eixo da defesa, ele que havia falhado a estreia por lesão, conferiu a solidez e autoridade necessárias para anular as investidas uzbeques, dando a tranquilidade na retaguarda indispensável para libertar os homens mais adiantados à solta no meio-campo uzbeque em direção à baliza da turma asiática. A formação asiática, que em teoria se apresentava em 3x4x3, rapidamente transformava o seu esquema táctico em 5x4x1, procurando assim fechar todos os caminhos para a baliza à guarda de Nematov.




“Estou de volta!”: a noite histórica
de Cristiano Ronaldo no Texas
Entre os elementos da Seleção de Portugal, se havia um homem com uma missão pessoal nesta noite em Houston, esse homem era Cristiano Ronaldo. Após uma exibição apagada na estreia e a concorrência feroz de outros craques no topo da lista de artilheiros, o camisola 7 entrou em campo com um faro de golo apurado, deixando desde muito cedo bem clara a sua vontade de marcar, para bem do colectivo e sem qualquer individualismo.
A resposta não se fez esperar. Logo aos 6 minutos, João Cancelo, numa das suas incursões pelo flanco direito, colocou a bola na medida certa para Ronaldo que, com um remate de primeira, inaugurou o marcador e fez história com mais uma marca ímpar: tornou-se o primeiro jogador de sempre a marcar em seis edições diferentes do Campeonato do Mundo (2006 a 2026).
O golo precoce, no que viria a ser a tão desejada abertura da garrafa de ketchup, não só quebrou o jejum pessoal do capitão, como também acalmou a equipa, que passou a dominar por completo as movimentações do jogo.
Ainda antes do intervalo, Ronaldo voltou a facturar. Aos 39 minutos, já depois de Portugal ter conseguido o segundo golo, por Nuno Mendes, Cristiano Ronaldo voltou a dar conta da sua capacidade para fazer a diferença, respondento a um passe milimétrico de Bruno Fernandes que o deixou na cara do guarda-redes uzbeque. Este nada pôde fazer, o capitão da Turma das Quinas rodou para um remate colocado, assinando o terceiro golo para Portugal o segundo para a sua conta pessoal.




Estava confirmada a tranquilidade da Seleção de Portugal com esta vantagem por 3-0, conseguida com um golo celebrado com um grito que ecoou pelo estádio – “I’m back! I’m back!” (“Estou de volta!”) –, uma declaração em forma de resposta a todos os críticos. Aos 41 anos, Ronaldo, que continua a arrastar multidões aos jogos de Portugal equipados com a “sua” camisola 7, provou que a idade é apenas um número e que a sua fome de golos e de glória permanece intacta.
Uma equipa em sintonia:
Mendes, Leão e a força coletiva
Mas a noite não foi só de Ronaldo. A exibição de Portugal foi um verdadeiro festival de bom futebol coletivo. Aos 17 minutos a equipa mostrou que também possui outras armas. Num lance de bola parada, quando todos esperavam o remate do CR7, foi Nuno Mendes quem surpreendeu a barreira uzbeque com um remate perfeito, fazendo o 2-0 e provando que a Seleção não é de todo um “one-man show”.
No segundo tempo, com o resultado controlado, Portugal geriu o jogo com inteligência. Ainda assim, a pressão ofensiva continuou a dar frutos. O quarto golo surgiu de uma forma inusitada, aos 60 minutos, quando um cruzamento de Bruno Fernandes resultou num infeliz autogolo do guarda-redes uzbeque, Abduvohid Nematov.
A fechar o marcador, já perto do fim, Rafael Leão, que entrara na segunda parte, mostrou toda a sua qualidade. Aos 87 minutos, o extremo do Milan atirou de primeira, sem hipóteses para o guarda-redes, selando o resultado de 5-0 e coroando a exibição de luxo portuguesa, que terá agora que defrontar a Colômbia na terceira e última jornada desta fase de grupos do Mundial FIFA’2026.








Ficha de Jogo
- Competição: Mundial FIFA 2026 – Grupo K (2ª Jornada)
- Local: NRG Stadium, Houston, Texas, EUA
- Data: 23 de junho de 2026
- Árbitro: Jalal Jayed (MAR)
- Resultado: Portugal 5-0 Uzbequistão
- Golos: Cristiano Ronaldo (6′ e 39′), Nuno Mendes (17′), Nematov (60′ autogolo) e Rafael Leão (87′)
- Portugal: Diogo Costa; João Cancelo (Nélson Semedo, 46′), Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes; João Neves (Bernardo Silva, 76′), Vitinha (Rafael Leão, 82′); Pedro Neto (Francisco Conceição, 46′), Bruno Fernandes, João Félix (Trincão, 63′); Cristiano Ronaldo.
- Uzbequistão: Nematov; Khusanov, Abdullaev e Ashurmatov; Karimov (Jiyanov, 90’+02′), Khamrobekov (Mozgovoy, 46′), Shukurov (Esanov, 90’+02′) e Nasrullaev (Alijonov, 46′); Fayzullaev (Sergeev, 74′), Ganiev e Shomurodov.


Portugal venceu com um resultado que não deixa dúvidas quanto à justiça do resultado, dominou por completo a formação uzbeque, e mostrou a qualidade e os automatismos que haviam estado ausentes do jogo de estreia com o Congo. Agora, frente à Colômbia de Luiz Suárez e Richard Rios, os comandados de Roberto Martinez terão certamente uma missão bem mais complicada, que estará ainda assim ao alcance dos nossos jogadores, bastando para isso que coloquem em campo a qualidade que deixaram claro esta terça-feira que está lá bem presente, assim mantenham o foco e a garra de que são capazes.









