No próximo dia 25 de julho, a Galeria de Arte do Casino Estoril abre as portas à 45.ª edição do Salão Internacional de Pintura Naïf, uma das mostras mais antigas e curiosas do calendário artístico português. A inauguração está marcada para as 17h00 e, como tem sido hábito, a entrada é livre para quem quiser espreitar e conhecer as obras de arte ali expostas.
Este ano, o evento tem um sabor especial e melancólico, isto porque presta homenagem a Estrela Santos, artista que nos deixou em maio passado e que era uma figura incontornável deste movimento. Nascida no Huambo, em 1933, Estrela Santos estudou na Escola António Arroio e acabou por se render em pleno à arte naïf, aquela que se caracteriza pelo excesso de pormenor, pela ausência de perspetiva clássica e por uma paleta de cores vibrantes, quase infantil na sua pureza. Como explica Pedro Lima de Carvalho, diretor da galeria, os quadros dela tinham tudo isso — e eram inconfundíveis.
A obra de Estrela Santos viajou por dezenas de exposições, dentro e fora de Portugal, e está espalhada por museus e coleções em Guimarães, Jaén, Luanda, Rio de Janeiro e até na Fundação Evangelização e Culturas, em Lisboa. Participou ainda em várias edições deste mesmo salão desde os anos 80, o que torna esta homenagem ainda mais natural.
Além das peças de Estrela Santos, o salão reúne mais uma dezena de artistas, entre nomes conhecidos e outros que vão sendo descobertos: A. Barbosa, A. Réu, Bento Sargento, Conceição Lopes, Feliciana, Fernanda Azevedo, Gutemberg Coelho, Manuel Castro, Maria Tereza, Nell, Noemi Eshet-Rosenweig e Viorica Farkas.
A exposição fica patente até 14 de setembro, e vale a pena marcar na agenda — nem que seja para perceber como é que, sem regras de perspetiva ou proporção, se consegue dizer tanta coisa com tanta cor.









