260309-prajs-mfl-0500-4622

António José Seguro homenageou Marcelo na hora da despedida

Depois de apontar valores como estabilidade, diálogo e defesa intransigente do regime democrático como faróis de orientação do seu mandato, António José Seguro, o novo chefe de Estado, agradeceu a Marcelo Rebelo de Sousa, afirmando que “fica a gratidão e o afeto de um País que sempre sentiu a sua presença no momento mais importante”.

A intervenção de Seguro perante o hemiciclo mereceu reações diversas: se o PS, pela voz de José Luís Carneiro, manifestou “total concordância”, André Ventura prometeu “trabalhar em conjunto”, mas lembrou que a estabilidade desejada “tem um limite”. Por seu turno, Paulo Raimundo, do PCP, advertiu que “a estabilidade política pode ter muita importância no discurso, mas só vale se tiver consequências na vida das pessoas”.

Família, jovens e uma manifestação

Após a sessão no parlamento, Seguro seguiu para o Mosteiro dos Jerónimos, onde depositou uma coroa de flores no túmulo de Camões, numa homenagem ao poeta que viria a citar mais tarde. A entrada no Palácio de Belém, pelas 13h35, foi um dos momentos mais fotografados do dia: de mãos dadas com a mulher e os filhos, o novo Presidente subiu a pé a rampa que dá acesso à residência oficial, num gesto de proximidade que a família fez questão de protagonizar.

Já no interior, recebeu a Banda das Três Ordens das mãos da secretária-geral da Presidência, antes do almoço com os chefes de Estado estrangeiros e antigos presidentes. Durante a tarde, os jardins de Belém abriram-se à população, e Seguro fez questão de cumprimentar dezenas de cidadãos, num registo mais informal, acedendo a pedidos de fotografias.

A aposta na juventude foi uma das marcas deste primeiro dia. O novo Presidente recebeu um grupo de alunos do Agrupamento de Escolas Ribeiro Sanches, de Penamacor – a sua terra natal – a quem tinha dirigido um convite especial para entregarem pessoalmente cartas com desafios e preocupações. Mais tarde, deslocou-se ao ISCSP, onde foi professor, para um encontro com 52 jovens (número simbólico dos anos de democracia), prometendo criar um canal permanente de auscultação através da Casa Civil: “Como é que nós conseguimos imaginar o país ou desenhar o país que queremos daqui a 10 anos? Não se trata de adiar nada, trata-se de decidir”.

Num dia aparentemente de festejo, a verdade é que nem tudo foram flores, isto porque, à porta da Assembleia da República, dezenas de jovens ativistas da Greve Climática Estudantil e do Climáximo manifestaram-se com cartazes onde se lia “Seguro escuta, os estudantes estão em luta”, exigindo o fim dos combustíveis fósseis até 2030 e acusando o novo chefe de Estado de não ter respondido a uma carta assinada por milhares de estudantes.

A despedida de Marcelo

O dia terminou como começou: com Marcelo Rebelo de Sousa no centro das atenções. No Palácio Nacional da Ajuda, António José Seguro cumpriu a tradição republicana e condecorou o antecessor com o grande-colar da Ordem da Liberdade, numa cerimónia breve, sem discursos, mas carregada de simbolismo. Estiveram presentes o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Assembleia da República e membros das Casas Civil e Militar do antigo chefe de Estado.

Fiel ao registo que anunciou em dezembro, Marcelo Rebelo de Sousa, que ao longo do dia andou às compras num supermercado e numa loja de antiguidades quando teve que “fazer tempo” para estar presente no almoço solene de tomada de posse de Seguro, entrou no prometido “deserto eterno”. À chegada à Ajuda recusou declarações e, à saída, despediu-se dos jornalistas com um irreverente pedido de selfie e um agradecimento: “Obrigado pela vossa paciência ao longo de dez anos”. Questionado se seriam as suas últimas palavras, confirmou: “Sim, é a última palavra”.

Luís Montenegro, que ao longo do dia foi saudando publicamente o novo Presidente, desejou-lhe “o maior sucesso” num mandato que o primeiro-ministro espera pautado por “cooperação institucional e política leal e produtiva, garantindo estabilidade, prosperidade e justiça social”.

O que esperar do novo mandato

Se os gestos e as palavras do primeiro dia funcionam como programa, António José Seguro quer ser um Presidente de “Portugal inteiro” – expressão que repetiu no discurso de posse –, respeitando a pluralidade do parlamento, mas exigindo responsabilidade. A nomeação da jurista Cláudia Ribeiro para a chefia interina da Casa Civil, uma consultora que vinha da estrutura de Marcelo com experiência em direito da defesa nacional e inteligência artificial, sinaliza a aposta na continuidade qualificada e na adaptação aos novos desafios tecnológicos.

O novo Presidente herda um país com problemas estruturais bem identificados – habitação, competitividade económica, desafios demográficos –, mas também com um sistema político fatigado por anos de instabilidade. “O que falta aí é coragem política e vontade política para as concretizar”, disse Seguro aos jovens no ISCSP, referindo-se às soluções que estão identificadas mas por implementar.

A sua presidência será testada nos próximos meses pela relação com o governo de Luís Montenegro e com uma oposição socialista que liderou durante anos. O apelo à estabilidade soa bem no papel, mas a realidade parlamentar, como lembrou André Ventura, “esbarra muitas vezes” nas contingências da política. Por agora, fica a imagem de um Presidente que subiu a rampa de Belém de mãos dadas com a família, que promete ouvir os jovens e que quer pôr fim à “montanha-russa” eleitoral. O resto será escrito nos próximos cinco anos.

texto: Jorge Reis / LusoNotícias
fotos: © presidencia.pt

Sondagem

Qual a sua convicção pessoal relativamente ao curso da guerra na Ucrânia?

View Results

Loading ... Loading ...

Rádio LusoSaber

Facebook

Parcerias

Subscreva a nossa Newsletter

Inscreva-se para receber nossas últimas atualizações na sua caixa de entrada!

logo_lusonoticias2
logo_lusomotores
logo_lusogolo
logo_lusoturismo
logo_lusocultura