SCP 2-1 Nacional 2089

Suárez derruba o Nacional e mantém o Sporting no trilho do título

Sob uma chuva teimosa em Alvalade, a letra fria da tabela classificativa foi quase enganada. A narrativa esperada — uma vitória confortável do Sporting para manter a pressão sobre o FC Porto — esbarrou na obstinação e numa lição tática de rara eficácia. por parte do Nacional, acabando por ser necessário o solavanque do destino, materializado no no calcanhar de um homem em transe goleador, Luis Suárez, aos 90+6 minutos, para que os leões conseguissem uma vitória sofrida por 2-1 sobre a formação que viajou da Madeira para disputar, em Lisboa, a 20.ª jornada da I Liga.

A primeira surpresa do dia foi escalada por Rui Borges. Forçado a alterações — Matheus Reis ficou ausente a cumprir castigo enquanto Morten Hjulmand foi dispensado depois de um pequeno imbróglio provocado por uma alegada proposta do Atlético de Madrid no final do mercado de inverno que agora chega ao fim —, o técnico leonino optou por uma aposta na velocidade, com Geny Catamo e Maxi Araújo nos corredores, tentando esticar o bloco insular.

Do outro lado, a resposta de Tiago Margarido resultou em uma masterclass de organização tática que definiu os primeiros 70 minutos do jogo, montando um bloco médio capaz de impedir que centrais e médios do Sporting conseguissem jogar como gostam e sem oposição.

O resultado foi um estrangulamento. Com linhas subidas e compactas, o Nacional não só anulou o centro do terreno — “secando” criativos como Pote e Francisco Trincão —, como criou as melhores oportunidades no primeiro tempo.

Empate ao intervalo foi prémio
para organização do Nacional

Aos 12 minutos, Geny Catamo salvou em cima da linha de golo o que ameaçou ser o o desbloqueio do marcador para o Nacional. Mais tarde, e ainda antes do intervalo, seria, do outro lado, o guarda-redes Kaique a negar uma oportunidade cara a cara com Suárez. A estratégia madeirense funcionava com uma precisão que deixou o próprio Rui Borges a elogiar: “Penso que o Nacional foi a equipa mais bem organizada que apanhamos em Alvalade. Dificultou-nos a vida”.

O cerco começou a quebrar-se com a entrada em campo de Trincão e do estreante Souleymane Faye. Aos 72 minutos, numa jogada rápida, Trincão rematou, Kaique defendeu, mas a bola sobrou para Pedro Gonçalves marcar o seu primeiro golo de 2026, quebrando um jejum pessoal.

Os adeptos do Sporting pensaram que estava aberto o frasco do ketchup, mas o alívio durou apenas quatro minutos já que, num lance de rápida reação, Alan Nunez, aproveitando um ressalto após remate de Gabriel Veron, empurrou a bola para as redes da baliza à guarda de Rui Silva, fazendo o 1-1 e quebrando uma série de 525 minutos que o Sporting já levava sem sofrer golos em casa no campeonato.

O jogo, a partir dali claramente partido, entrou numa fase de desespero leonino e de heróica resistência insular. Kaique voltou a ser gigante, e um golo de Suárez foi anulado por fora de jogo por meros oito centímetros. Quando tudo parecia encaminhar-se para um empate que seria um pequeno terramoto na luta pelo título, veio o momento da estrela.

Luis Suárez voltou a mostrar
credenciais de matador

Aos 90+6 minutos, Alisson, o mesmo que carimbou o passaporte de acesso direto aos oitavos de final da Liga dos Campeões e de quem se diz que irá deixar o Sporting já esta segunda-feira, acelerou pela esquerda, cruzou rasteiro e enviou a bola para a pequena-área, onde apareceu o já suspeito do costume, o colombiano Luis Suárez, claramente o homem do momento, para, com um desvio de calcanhar de pura classe, enviar a bola para o fundo da baliza e desencadear a loucura em Alvalade .

Foi o 18.º golo na Liga e o 25.º no total da temporada para o colombiano, que marca em cinco jogos consecutivos e consolida o seu estatuto de salvador da equipa. O golo valeu uma vitória e esta mantém o Sporting a quatro pontos do líder FC Porto, avivando a chama do título quando surge no horizonte mais um clássico, já na próxima jornada, entre o FC Porto e o Sporting.

E se o resultado e a frieza dos números é para muitos o que conta, o verdadeiro vencedor esta noite de domingo foi o futebol. Venceu a coragem do Nacional, que desafiou as probabilidades e quase levou um ponto de Alvalade com uma lição de organização, mas acabou por vencer, verdadeiramente, a persistência leonina e a genialidade de um matador, Luis Suárez.

Em uma fração de segundo, o avançado colombiano do Sporting decidiu que a história não seria a da resistência dos madeirenses, mas a do último suspiro de um candidato ao título que se recusa a desistir. A caça continua, mas os leões aprenderam, ou no mínimo avivaram memórias, que, nesta reta final, cada passo continuará a ser uma batalha.

texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte

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