Numa segunda-feira em que foram disputados, à mesma hora, sete jogos desta que foi a penúltima jornada do campeonato da I Liga, o Sporting, perante o Rio Ave, esteve a perder mas reagiu com autoridade com uma vitória categórica em Vila do Conde. Ao mesmo tempo, o rival da Luz cedia pontos preciosos frente ao SC Braga e permitia que os pupilos de Rui Borges, que antes tinham comprometido a conquista do segundo lugar com pontos perdidos pelo clube de Alvalade, frente ao AFS e também ao Tondela, pudessem agora festejar a reconquista, pelo menos para já, do segundo lugar na I Liga e o consequente acesso a mais uma presença na milionária Champions League da UEFA.
Num dos serões mais emocionantes da presente edição da I Liga, o Sporting deslocou-se esta segunda-feira ao Estádio dos Arcos, em Vila do Conde, e protagonizou uma reviravolta que pode vir a selar o seu destino na corrida à Liga dos Campeões. Diante de um Rio Ave aguerrido mas autodestrutivo, os leões venceram por 1-4, num jogo onde a primeira parte foi de sofrimento, mas o segundo tempo se transformou num passeio, especialmente após as expulsões que condicionaram os vilacondenses.
O triunfo solitário soube a ouro para a equipa de Rui Borges. Isto porque, em simultâneo, no Estádio da Luz, o Benfica empatava (2-2) com o SC Braga num jogo de loucos, desperdiçando a oportunidade de segurar para si o desejado segundo lugar. Com este resultado, o Sporting salta para a vice-liderança e entra na última jornada dependendo apenas de si para garantir a cobiçada entrada na Liga dos Campeões.




Do pesadelo inicial à recuperação com “ajuda” celestial
A entrada em campo do Rio Ave foi um autêntico murro no estômago do Sporting. Longe de se intimidar, a turma de Vila do Conde entrou a todo o gás e expôs as fragilidades defensivas leoninas em transição rápida. O domínio territorial começou a desenhar-se cedo e o golo parecia uma questão de tempo. E a verdade é que aos 12 minutos a recompensa chegou. Após uma perda de bola de Luís Guilherme no meio-campo, Tamble Monteiro, numa jogada de puro instinto, isolou Diogo Bezerra na direita. O extremo brasileiro não hesitou: remate cruzado, forte e colocado, sem hipótese para Rui Silva e estava feito o 1-0 com o estádio dos Arcos a celebrar.
O Sporting parecia algo perdido, com a equipa de Rui Borges presa na teia pressionante do Rio Ave sem conseguir criar perigo. Contudo, o futebol tem destas ironias, e quando tudo parecia correr mal os leões beneficiaram de dois lances que mudaram a tendência do marcador antes do intervalo. O primeiro momento aconteceu aos 33 minutos quando Luis Suárez, insistente na área, onde já tinha caído por duas vezes, a primeira numa grande penalidade que o árbitro não assinalou e a segunda no que foi entendido como uma simulação do colombiano, voltou a ser derrubado, agora por Petrasso. O árbitro assinalou a grande penalidade e Suárez, com a frieza dos grandes artilheiros, atirou para o fundo da baliza, empatando a partida.
Depois, a três minutos do intervalo, num momento que pode ser definido como “presente de grego”, o central Gustavo Mancha tentou um atraso inocente para o guarda-redes Miszta. O passe saiu descalibrado, demasiado forte, e a bola entrou mansamente na baliza vilacondense, para um caricato autogolo que consumou a reviravolta, passando o marcador a mostrar 1-2 depois de um golo que deixou os jogadores caseiros de rastos em termos psicológicos.




Segunda parte: superioridade numérica e show leonino
Se o final da primeira parte foi duro para o Rio Ave, o início da segunda foi catastrófico. A equipa ainda tentou responder, mas logo aos 52 minutos, o defensor Petrasso (já amarelado) fez falta dura sobre Luis Suárez na entrada da área. O resultado foi imediato: segundo amarelo e consequente cartão vermelho. O Rio Ave ficava reduzido a dez unidades.
A partir daí a jogar com mais um, o Sporting sentiu-se como peixe na água. Assumiu por completo o controlo da posse de bola (terminou o jogo com 64% de posse) e começou a tocar a bola de forma tranquila, à procura do espaço para matar o jogo. Esse momento chegou aos 66 minutos. Francisco Trincão, numa das noites mais inspiradas da sua época, recebeu na direita, cortou para o meio e, sem oposição efetiva devido à desorganização adversária, disparou um foguete colocado no canto da baliza para o terceiro golo leonino, deixando o Estádio dos Arcos rendido à evidência.
Para lá do já não restar nenhuma dúvida sobre o resultado, a noite do Rio Ave ainda viria a piorar. Ryan Guilherme, em dois lances consecutivos de frustração, viu dois amarelos num ápice (aos 85 minutos), sendo expulso e deixando os caseiros com apenas nove jogadores em campo. A partir daqui, e com a casa a arder, os visitantes ainda puderam fazer a festa completa, isto porque, já sobre os 90 minutos, Geovany Quenda, numa arrancada letal, aproveitou um cruzamento de Maximiliano Araújo para fechar o marcador em 1-4, dando contornos de goleada a um jogo que começara tão complicado.

O jogo da Luz que mudou o destino (provisório) do segundo lugar
Enquanto o Sporting dava este show em Vila do Conde, o drama jogava-se no Estádio da Luz. Benfica e SC Braga empatavam 2-2, num resultado profundamente desapontante para os encarnados, equipa que contestou (e muito) a arbitragem de João Pinheiro, mas que só se poderá queixar de si mesmo face à falta de soluções e ausência de eficácia no seu jogo.
As águias até começaram a segunda parte com um golo madrugador de Rafa (46′), mas a alegria durou apenas dois minutos pois Pau Victor empatou de imediato (48′). O coração dos benfiquistas gelou aos 88 minutos, quando Gorby colocou o Braga em vantagem, e foi preciso esperar pelos descontos (90’+5) para que Pavlidis conseguisse salvar um ponto de grande penalidade, um suspiro insuficiente para manter a liderança da corrida pelo desejado segundo lugar no campeonato.
Com este empate do Benfica, de o que LusoNotícias lhe dá conta de uma forma mais desenvolvida na reportagem realizada no Estádio da Luz, o Sporting ultrapassou o rival e depende apenas de si para a última jornada, altura em que irá receber em Alvalade o Gil Vicente, jogo realizado sob um cenário de fundo que parecia improvável à partida para esta penúltima ronda do campeonato da I Liga.

Ficha de Jogo
Rio Ave 1-4 Sporting
- Data: 11 de maio de 2026
- Local: Estádio dos Arcos, Vila do Conde
- Árbitro: (informação não disponível nos registos)
Marcadores:
- 0-1: Diogo Bezerra (12′)
- 1-1: Luis Suárez (35′, g.p.)
- 2-1: Gustavo Mancha (42′, p.b.)
- 3-1: Francisco Trincão (66′)
- 4-1: Geovany Quenda (90′)
Expulsões: Petrasso (52′, 2º amarelo) e Ryan Guilherme (85′, 2º amarelo) no Rio Ave.
Onzes iniciais:
- Rio Ave: Miszta; Vrousai, Petrasso, Gustavo Mancha, Abbey; Spikic, Nikitscher, Ryan Guilherme; Bezerra, Blesa, Tamble.
- Sporting: Rui Silva; E. Quaresma, Diomande, G. Inácio; Maxi Araújo, D. Bragança, Morita, Luís Guilherme; Trincão, Pote, Luis Suárez.

Tudo ou nada é no próximo sábado
Com a I Liga a aproximar-se do fim, a decisão sobre o segundo lugar ficará para a última jornada, agendada para o próximo sábado, 17 de maio. O Sporting entra na ronda final com uma vantagem de um ponto sobre o Benfica.
Os leões jogam em casa, no Estádio José Alvalade, frente ao Gil Vicente, numa partida em que apenas a vitória interessa para garantir o acesso direto à fase de grupos da Liga dos Campeões sem depender de resultados alheios.
Já o Benfica, agora no terceiro posto, desloca-se ao terreno do Estoril Praia, onde os encarnados terão de vencer e torcer por um deslize do Sporting em Alvalade para recuperar a posição que perderam nesta segunda-feira.
O cenário está traçado: ou o Sporting confirma o segundo lugar com um triunfo caseiro, ou o Benfica aproveita um tão possível quanto improvável “deslize” leonino para reverter a situação, em jogos agendados para as 20h30 do próximo sábado, partidas que irão encerrar a temporada 2025/2026, sendo certa a promessa de um sábado de emoções fortes em Portugal.









