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Sporting goleia o Vitória (5-1) e mostra ter acordado para a luta pela Champions

O Sporting venceu esta segunda-feira o Vitória SC, de Guimarães, por um expressivo 5-1, uma goleada das antigas que voltou a mostrar um conjunto leonino sedento de vitórias e de golos, isto depois de cinco jogos sem vencer e nos quais colocou em causa dois dos objectivos para a presente temporada: ficou definitivamente aredado da corrida pelo título de campeão nacional, entretanto ganho pelo FC Porto, e deixou-se ultrapassar pelo Benfica na corrida pelo segundo lugar, a importante posição que dá acesso a uma presença na milionária Liga dos Campeões. Certo é que depois de tudo isso, os leões terão querido dar uma cabal prova de vida, rugindo bem alto como que a pretender impor a sua lei na selva do futebol português, faltando saber se ainda irão a tempo para impedir o voo das águias, tal como já deixaram há muito voar bem mais alto os dragões.

Sobre este jogo entre Sporting e Vitória SC, foi uma montanha-russa emocional em Alvalade, mas o conjunto leonino sabia o que precisava fazer: vencer e convencer. E foi exatamente isso que os 32.439 espectadores presentes viram na noite desta segunda-feira, 4 de maio, num Estádio José Alvalade que há muito não assistia a uma exibição tão categórica dos leões. A goleada por 5-1 sobre o Vitória SC permitiu ao Sporting igualar os 76 pontos do Benfica na corrida pelo segundo lugar — o bilhete dourado para a Liga dos Campeões — ainda que os encarnados mantenham a vantagem no confronto direto, fruto da vitória por 2-1 conquistada em Alvalade a 19 de abril.

A partida desta segunda-feira, disputada apenas três dias depois de Rui Borges ter renovado contrato com o clube até 2028, teve um simbolismo extra logo no momento em que o técnico apareceu em campo. O visual renovado do treinador não passou despercebido: na camisola que vestia, destacava-se bem visível a palavra “Devoção” — um dos termos que define a expressão identitária do clube. A mensagem estava lançada, e os jogadores trataram de a transformar em golos.

Os primeiros minutos: susto inicial, punho leonino

Quem olhou para os primeiros cinco minutos do encontro poderia pensar que o Vitória SC tinha vindo a Alvalade para ditar leis. A turma visitante, equipando de laranja e negro, entrou assanhada, empurrou o Sporting para o seu meio-campo e mostrou argumentos para acreditar num resultado positivo. No entanto, bastou a primeira oportunidade dos leões para o castelo vimaranense desmoronar como se fosse feito de cartas.

Aos nove minutos, numa jogada de bola parada que fez lembrar os velhos tempos de eficácia leonina, Pedro Gonçalves cobrou um livre na direção da área, Luis Suárez desviou de cabeça e Gonçalo Inácio, recuperado de lesão, apareceu na pequena área para encostar sem qualquer oposição. Primeiro remate, primeiro golo. O Sporting mostrava uma eficácia que há muito não apresentava, ainda para mais numa fase da época onde cada ponto pesa como chumbo.

Com o golo sofrido, o Vitória sentiu o choque. Os vimaranenses ficaram atordoados, e o Sporting aproveitou para assumir o controlo da partida. Geny Catamo, omnipresente no corredor direito, transformou-se no homem mais rápido dos leões, desequilibrando sempre que recebia a bola e deixando a defesa contrária em constante sobressalto.

Daniel Bragança e a arte de chapéu ao guarda-redes

Quando o Vitória começava a reanimar-se, perto dos 18 minutos, e ensaiava uma resposta ao domínio leonino — nomeadamente com um pontapé de canto que prometia perigo — eis que o Sporting voltou a golpear. Aos 23 minutos, numa jogada construída em toques rápidos pelo centro do terreno, Hidemasa Morita descobriu Daniel Bragança em posição de isolamento.

O médio, que tem vivido uma temporada de afirmação, não hesitou: com classe e frieza, atirou de chapéu sobre o guarda-redes Charles, fazendo o segundo golo leonino. Foi o sexto golo do jogador no campeonato, num registo notável para alguém que tem visto minutos limitados devido a lesões.

Neste momento, ficou evidente um padrão que se repetiria ao longo da noite: de cada vez que o Vitória sofria um golo, a equipa demorava a recompor-se, conseguia fazê-lo, dominava por breves instantes — e, no pico desse movimento de recuperação, levava outro golpe. A defesa vimaranense era de manteiga: derretia sempre que os leões aceleravam.

Oportunidades perdidas e um terceiro golo que teimava em chegar

O Sporting não se contentou com os dois golos. Aos 31 minutos, Daniel Bragança voltou a surgir isolado na cara de Charles, após fintar dois adversários na área, mas o guarda-redes esticou-se a tempo de negar o terceiro. Dois minutos depois, foi a vez de Francisco Trincão: lançado por Morita, o extremo apareceu a partir do lado esquerdo e tentou repetir o chapéu de Bragança, mas a bola passou bem rente ao poste contrário e saiu pela linha de fundo.

O Vitória, entretanto, foi mostrando que também sabia criar perigo. Aos 41 minutos, um grande remate de Miguel Nogueira, vindo do lado direito em jeito de trivela, obrigou Rui Silva a uma defesa de grande nível, atirando a bola ao poste mais distante antes de o guardião leonino intervir.

Parecia que o intervalo chegaria com os 2-0, mas o futebol tem destas coisas. Aos 45 minutos, Maxi Araújo fez um golo de calcanhar, sentando um defesa com um toque de classe, mas o árbitro levantou de imediato a bandeira para fora-de-jogo. A comunicação social e os adeptos preparavam-se para o VAR — e este acabou por validar o lance. Cinco centímetros separaram Maxi do fora-de-jogo. Chegava assim o jogo ao intervalo em Alvalade, com o Sporting a vencer por 3-0 sem contestação.

Segunda parte: gestão, eficácia e um autogolo para a história

A segunda parte trouxe alterações de ambos os lados. Rui Borges tirou Morita ao intervalo, lançando Luís Guilherme em campo — um sinal claro de que o técnico acreditava ter o jogo controlado e podia gerir esforços com a Taça de Portugal no horizonte —, ao mesmo tempo que, do lado do Vitória, surgia a aposta em Gonçalo Nogueira, numa tentativa de reanimar a equipa.

No entanto, aos 61 minutos, qualquer esperança vitoriana de reagir esfumou-se. Pedro Gonçalves, num toque de classe que só os grandes têm, picou a bola por cima da defensiva vimaranense e deixou Luis Suárez isolado. O colombiano recebeu, conduziu até Charles e, com frieza, fez o quarto golo — o 26.º deste avançado colombiano no campeonato da I Liga, reforçando a sua posição no topo dos artilheiros.

Três minutos depois, Eduardo Quaresma, que havia sido homenageado no início do jogo pelos 100 jogos oficiais pelo Sporting, atirou um golaço de primeira para o ângulo superior. O estádio explodiu, mas a celebração durou pouco: o VAR assinalou um fora-de-jogo de Maxi Araújo no lance que precedeu a jogada e o golo foi anulado, com razão.

A equipa de Rui Borges continuava, porém, a gerir o jogo com inteligência. Aos 70 minutos, saiu Geny Catamo, entrou Nuno Santos e quatro minutos depois, mais um golo: Luis Suárez, agora como assistente, serviu Luís Guilherme em profundidade; o jovem médio isolou-se e rematou de pé esquerdo para fazer o 5-0. A noite estava perfeita para a turma verde e branca.

Autogolo de Debast… porque não há bela sem senão

Faltavam seis minutos para o final do encontro quando Zeno Debast, o defesa belga que tem tido uma época irregular, protagonizou o momento mais infeliz da noite. Ao receber uma bola em posição recuada, tentou um passe atrasado para o guarda-redes Rui Silva — que estava em contrapé. O atraso foi infantil, mal medido, e a bola entrou calmamente na baliza leonina, num autogolo que deu ares de gozo ao público presente e alguma dignidade ao marcador do ponto de vista vimaranense.

O árbitro António Nobre deu três minutos de descontos, mas ninguém esperava mais golos. O resultado estava feito: 5-1 para o Sporting, que regressava às vitórias da forma mais avassaladora possível, após uma série de cinco jogos sem vencer.


Ficha de Jogo

  • Jogo: Sporting CP 5 – 1 Vitória SC
  • Local: Estádio José Alvalade, Lisboa
  • Data: 4 de maio de 2026 (Segunda-feira)
  • Árbitro: António Nobre
  • Espectadores: 32.439

Marcadores:

  • Sporting: Gonçalo Inácio (9′), Daniel Bragança (23′), Maxi Araújo (45+1′), Luis Suárez (61′), Luís Guilherme (74′)
  • Vitória SC: Zeno Debast (84′, a.g.)

Sporting: Rui Silva; Eduardo Quaresma, Zeno Debast, Gonçalo Inácio (cap.), Maxi Araújo; Hidemasa Morita (Luís Guilherme, 46′), Daniel Bragança; Geny Catamo (Nuno Santos, 70′), Francisco Trincão (Quenda, 77′), Pedro Gonçalves (Kochorashvili, 77′); Luis Suárez.

Vitória SC: Charles; Tony Strata, Thiago Balieiro, Óscar Rivas, João Mendes; Diogo Sousa, Beni Mukendi; Miguel Nogueira (Gonçalo Nogueira, 46′), Samu Silva (F. Blanco, 86′), Noah Saviolo (Telmo Arcanjo, 79′); Gustavo Silva (A. Ndoye, 62′).


A corrida pela Champions: o que falta jogar

Com esta vitória, o Sporting igualou os 76 pontos do Benfica na corrida pelo segundo lugar do campeonato, tirando partido do empate dos encarnados em Famalicão no passado sábado. No entanto, a vantagem no confronto direto — conquistada pelas águias na vitória por 2-1 em Alvalade, a 19 de abril — mantém o Benfica na segunda posição. Na prática, o clube encarnado está em vantagem: com o mesmo número de pontos, é a equipa de José Mourinho quem ocupa o lugar de acesso à Liga dos Campeões .

Resta saber o que as últimas duas jornadas reservam, sabendo que o Sporting terá que se deslocar ao terreno do Rio Ave, na 33.ª jornada, para fechar o calendário com a recepção em Alvalade da turma do Gil Vicente, conjunto que tem feito esta época uma excelente época e pretende lutar ainda pelo quinto posto e um possível lugar na Liga Conferência.

Já o Benfica, teoricamente com um calendário ainda assim mais difícil, terá que receber no Estádio da Luz o Sporting de Braga, por esta altura com o quarto lugar consolidado e as atenções viradas para a Liga Europa, tendo depois que ir na última jornada até à Amoreira, para fechar o campeonato no terreno do Estoril Praia.

Com este calendário para leões e águias, o Sporting precisa agora de vencer os seus dois compromissos — e torcer por um deslize do seu eterno rival. A vantagem encarnada no confronto direto significa que, mesmo com igualdade pontual, o segundo lugar sorrirá ao Benfica, motivo pelo qual aos leões resta acreditar, e continuar a demonstrar a devoção que Rui Borges trouxe estampada na camisola para o jogo desta segunda-feira.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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