Num Estádio do Dragão que fervia de expectativa, o clássico da 21.ª jornada da I Liga entre FC Porto e Sporting não dececionou os que esperam o drama até ao último segundo. Num duelo que parecia destinado a ser decidido por um golo tirado de uma estreia de sonho do agora portista Fofana, transformou-se numa demonstração da resiliência leonina, fechando com um empate a ferros, com Luis Suárez a assinar o 1-1 final que deixa a luta pelo título por um lado na mesma, mas sem dúvida mais quente do que nunca.
A primeira parte foi o retrato do respeito mútuo e do tático sobre o espetacular. Tal como um jogo de xadrez de alto nível, ambas as formações pareciam mais empenhadas em não errar do que em ousar para ganhar. O meio-campo era um campo de batalha congestionado, com escassas oportunidades a despertarem os guarda-redes.











Dentro das quatro linhas, os dois técnicos apostaram nos seus onzes de gala, com Francesco Farioli, o treinador portista, a reeditar uma dupla de centrais com Bednarek e Kiwior, deixando Thiago Silva no banco, enquanto que Rui Borges, no comando dos leões, formava o meio-campo com Hjulmand e Morita, relegando João Simões para o lote de opções a poder lançar durante o jogo.
Fofana entrou, viu… e marcou!
Com as peças colocadas no tapete verde do Dragão, o melhor momento do jogo surgiu dos pés de Alan Varela, com um remate que levou a bola a passar ao lado da baliza de Rui Silva, mantendo o silêncio no marcador. Uma interrupção devido a pirotecnia nas bancadas, lançada pelos Super Dragões e criticada pelos restantes adeptos azuis e brancos que não gostaram de ver o jogo a ser interrompido daquela forma, resumiu uma etapa de pouca fluidez e muitas interrupções.












A dinâmica do jogo marcada pelo equilíbrio e pela estratégia ao invés da ousadia alterou-se com as entradas a partir dos bancos. Francesco Farioli, treinador portista, lançou a sua cartada ao trazer Seko Fofana e Rodrigo Mora e a aposta rendeu dividendos ao minuto 77. Num lance de pura insistência dentro da área leonina, com a bola a ressaltar em vários corpos em três remates que levaram a bola a encontrar sempre um jogador do Sporting pela frente, foi o recém-chegado Fofana, na sua estreia absoluta com a camisola azul e branca, quem apareceu ao quarto remate no mesmo lance para furar a resistência dos leões. O guarda-redes Rui Silva ainda tocou na bola mas não conseguiu impedir que esta fosse parar no fundo das redes, levando as bancadas do Estádio do Dragão a explodirem em júbilo, acreditando ser aquele golo o carimbo de um novo campeão permitido por um triunfo precioso.
Perante a adversidade, o Sporting mostrou a fibra que o tem caracterizado nesta fase final das partidas. Nos minutos que se seguiram, pressionou, procurou, e Francisco Trincão esteve a centímetros de conseguir festejar o empate na sequência de um remate colado ao poste. A recompensa pela persistência surgiu quando o tempo de compensação já contava nove minutos. Um cruzamento de Iván Fresneda junto à linha de fundo levou a bola a encontrar o braço de Francisco Moura dentro da área, e o árbitro Luís Godinho não hesitou em assinalar o castigo máximo. O VAR confirmou o que desde logo ficou claro, deixando em aberto para o Sporting a possibilidade de repor a igualdade sobre o último instante do jogo.









Penálti: Diogo Costa adivinhou o lado,
mas Suárez foi assertivo na recarga
Concentrado, Luis Suárez, o artilheiro colombiano, colocou a bola na marca, partiu para a bola e rematou… Diogo Costa, herói em tantas ocasiões, adivinhou o canto e defendeu… mas o que chegou a parecer uma explosão de alegria dos adeptos portistas, não passou de um mero instante, isto porque o mesmo Luis Suárez, na recarga, implacável, rematou com frieza para as redes, roubando a vitória aos dragões no derradeiro suspiro (90+10′). Foi o sexto jogo consecutivo em que os leões marcaram nos minutos finais, um testemunho da sua mentalidade indomável.
No rescaldo, as sensações eram diametralmente opostas. Farioli salientou o domínio da sua equipa durante “82 ou 83 minutos”, mas admitiu que “um penálti é um erro e a este nível este tipo de erros pagam-se caro”. Já para o Sporting, foi mais uma prova de caráter, mantendo viva uma série invicta fora de casa na liga.












Em termos de campeonato, se é verdade que tudo continua na mesma nos dois lugares da frente, também é um facto que o campeonato está agora mais aberto à discussão.
Com a divisão de pontos permitida por este empate dramático, as distâncias no topo ficam congeladas, com o FC Porto a manter a liderança com 56 pontos, quatro a mais do que o Sporting que realidade são cinco, já que em caso de empate pontual os dragões terão vantagem. Depois, na terceira posição surge tal como antes o Benfica mas agora com uma posição mais agradável, ou não tivessem sido os encarnados os grandes beneficiados da noite.










Trio da frente da I Liga
separados por sete pontos
O empate entre dragões e leões acaba por deixar as águias a apenas sete pontos do líder FC Porto, e a três do segundo classificado, o Sporting, formando uma tabela classificativa como sempre no futebol português para ser decidida a três.
O campeonato da I Liga, que parecia a caminho de uma definição antecipada com a turma da Invicta a encomendar as faixas, acabou assim por ser reaberto com estrondo em face deste empate no Estádio do Dragão. A atribuição do título, que com uma vitória do FC Porto estaria praticamente decidido, tem agora muitos pontos para serem conquistados, como gostam de dizer técnicos e jogadores, jogo a jogo, até ao fim da competição, altura em que só então iremos poder ver como isto acaba.





















