Porto Business School 002

Geopolítica e ciberataques no topo das preocupações das empresas portuguesas

A segunda edição do Barómetro do Risco Geopolítico para Empresas, desenvolvido pelo Observatório do Risco Geopolítico da Porto Business School, confirma a crescente influência da geopolítica na definição das estratégias empresariais em Portugal. O estudo identifica as principais ameaças que preocupam o tecido empresarial, tanto no curto como no médio e longo prazo, colocando os ciberataques de grande dimensão no topo da lista.

Neste contexto de ameaça híbrida com possível patrocínio estatal, os ciberataques a infraestruturas críticas e empresas surgem como o risco mais premente, uma preocupação partilhada por 63% dos inquiridos. Em segundo lugar, mantém-se o receio de uma nova crise financeira global, ainda muito presente no imaginário dos gestores, que recebem os impactos da instabilidade geopolítica como potenciais catalisadores de um colapso económico. A completar o pódio das maiores inquietações está a disrupção das cadeias de abastecimento, que sobe para a terceira posição, ultrapassando os conflitos comerciais entre os blocos ocidentais.

Os conflitos intraeuropeus, tanto na sua forma convencional como no quadro das ameaças híbridas, assumem também particular relevância, surgindo como uma preocupação significativa para a maioria das organizações. Em estreita ligação com este cenário e com as políticas da nova administração norte-americana, a possibilidade de rutura nas cadeias de abastecimento global ganha destaque. Jorge Rodrigues, co-coordenador do Observatório, explica que a “adaptação ao ‘Efeito Trump'” e a aposta na mitigação do risco por parte da União Europeia podem justificar que os conflitos comerciais entre EUA, China e UE surjam apenas em quinto lugar. No entanto, o especialista deixa um alerta: a eficácia desta estratégia poderá ser testada perante crises geopolíticas mais complexas, como a questão nuclear iraniana ou a tensão em torno de Taiwan.

O barómetro revela ainda que a perceção de risco é particularmente acentuada em empresas com forte componente internacional. Nas organizações importadoras e exportadoras, a disrupção logística é apontada como um risco elevado por 72% dos inquiridos, subindo para o primeiro lugar das suas preocupações. Já no setor da indústria transformadora, a disrupção das cadeias de abastecimento lidera o ranking, seguida pelos ciberataques e pelos conflitos na Europa. Por outro lado, empresas com investimento direto no estrangeiro não colocam a logística no seu top três de riscos, e as empresas financeiras e seguradoras destacam uma elevada apreensão com as questões energéticas.

De forma algo surpreendente, o estudo aponta para riscos potencialmente subavaliados. A negação do acesso a tecnologias, num contexto de forte competição geoeconómica sino-americana, surge apenas em oitavo lugar, enquanto a desinformação gerada pela Inteligência Artificial fica-se pela nona posição. Outras preocupações, como explosões nucleares ou biológicas, a radicalização e as migrações, completam o espetro de riscos identificados.

Perante este cenário, as empresas inquiridas revelam privilegiar estratégias de mitigação que passam pelo reforço das suas próprias capacidades. As parcerias estratégicas (44%), os tratados multilaterais (42%), o investimento em I&D (40%) e a melhoria da preparação geopolítica das equipas (37%) surgem como as principais ferramentas. “O setor empresarial pretende aumentar as suas competências e meios endógenos e não ficar apenas à espera do Estado para mitigar riscos geopolíticos”, sublinha Jorge Rodrigues, notando que o apoio estatal não é visto como uma prioridade.

Para dar resposta a esta necessidade de qualificação, a Porto Business School, em parceria com o Instituto da Defesa Nacional, prepara a 8.ª edição do open executive program “Risco Geopolítico e Estratégia para Executivos”. O programa, que arranca a 5 de março, tem candidaturas abertas até dia 2 e enquadra a geopolítica como um fator estratégico com impacto direto na sustentabilidade e competitividade das organizações.

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