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Desafio do Paracetamol: a roleta-russa silenciosa que está a matar adolescentes

Há um novo desafio a percorrer as redes sociais, e este não testa a criatividade ou a destreza, mas sim a resistência do fígado. Falamos do “desafio do paracetamol”, uma tendência macabra, que se espalha como rastilho no ecossistema digital e que está a colocar em risco a vida de adolescentes um pouco por toda a Europa. Em Portugal, o alerta já foi dado pela Ordem dos Farmacêuticos e pela Ordem dos Médicos, e o alarme social é, neste momento, uma realidade que não devemos ignorar.

Em que consiste exatamente este perigo? Trata-se de uma competição perversa, amplificada por plataformas como o TikTok, onde jovens, maioritariamente entre os 11 e os 17 anos, são desafiados a ingerir doses elevadíssimas de paracetamol. A lógica é aterradora: vence quem conseguir tomar a maior quantidade do fármaco sem ser hospitalizado. Só que aquilo que começa como uma “brincadeira” viral pode, no entanto, terminar de forma trágica. O paracetamol, esse analgésico banal que repousa inofensivo nas gavetas de praticamente todas as casas portuguesas, perde a sua inocência quando consumido em overdose.

As consequências para quem entra neste desafio são devastadoras e, pior, silenciosas. A toxicidade hepática pode instalar-se sem que surjam sintomas imediatos. Nas primeiras 24 horas, o jovem pode sentir apenas náuseas, vómitos ou uma letargia, sintomas facilmente confundíveis com uma constipação. Contudo, internamente, o fígado está a ser agredido de forma irreversível. A partir do momento em que surgem dores abdominais ou complicações mais graves, o dano pode já ser tão extenso que a única solução passa por um transplante hepático urgente ou, no cenário mais negro, a morte.

A quem está a afetar? A resposta é cruel na sua simplicidade: aos nossos filhos. Em Espanha, o Hospital de Málaga já registou internamentos de crianças entre os 11 e os 14 anos. Em Lisboa, o Hospital de Santa Maria revelou dados preocupantes: nos últimos dois anos, os casos de intoxicação por paracetamol dispararam, e uma adolescente deu entrada com 10 gramas da substância no organismo — o equivalente a 20 comprimidos de uma só vez. O perigo é democrático e não escolhe classe social: 30% dos jovens internados não tinham qualquer historial de patologia psiquiátrica, mas cederam à pressão dos pares e ao apelo viral do desafio.

Perante este cenário, a grande questão coloca-se aos pais: como proteger os adolescentes de um perigo que se esconde dentro do ecrã do telemóvel? A resposta é multifacetada. Em primeiro lugar, é imperativo falar. Conversar abertamente sobre os riscos, sem tabus nem alarmismos, explicando que um medicamento não é um simples doce e que a ausência de sintomas imediatos não significa ausência de perigo. Depois, é fundamental guardar os medicamentos fora do alcance e da vista, num local seguro, e controlar as compras. Mas talvez o mais importante seja a supervisão do mundo digital. Tal como ensinamos os nossos filhos a não falar com estranhos na rua, temos de os ensinar a desconfiar dos conselhos perigosos que vêm de estranhos online.

A sociedade não pode ficar indiferente. O desafio do paracetamol é um sintoma de um problema maior: a falta de regulação eficaz das redes sociais e a vulnerabilidade de uma geração exposta a conteúdos extremos em troca de likes. Não podemos deixar que a brincadeira de mau gosto se transforme numa sentença de morte. Se suspeitar que alguém ingeriu uma dose excessiva, não espere. Ligue imediatamente para o Centro de Informação Antivenenos (800 250 250) ou para o 112. O tratamento existe, mas o tempo é o bem mais precioso — e mais escasso — quando o fígado está a ser silenciosamente destruído.

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