Na manhã desta segunda-feira, quem tinha consulta marcada num centro de saúde ou hospital do SNS viu-se, em muitos casos, de mãos a abanar. O sistema informático que suporta a prescrição de medicamentos e o acesso aos processos clínicos esteve em baixo durante cerca de duas horas, e a recuperação foi lenta. A origem do problema foi uma interrupção de energia no data center da SPMS, a empresa pública que gere a informática do ministério da Saúde.
A falha começou por volta das 10h00 e só às 12h00 começaram a ser repostos alguns sistemas, mas de forma parcial . Só por volta das 15h00 é que a SPMS garantiu que praticamente todos os serviços estavam restabelecidos, incluindo o Registo Nacional de Utentes e a Prescrição Eletrónica Médica . Até lá, médicos por todo o país não conseguiram emitir uma única receita nem consultar o historial clínico dos doentes.
Quem está na linha da frente não poupa críticas. A vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá, descreveu a situação como “inaceitável” e apontou responsabilidades diretas ao Ministério da Saúde. “No fim, quem é prejudicado são sempre os mesmos, são os utentes”, lamentou, em declarações à Lusa . A dirigente sindical acrescentou que a indisponibilidade do Registo de Saúde Eletrónico “limita o ato médico” e cria “insegurança nas consultas” .
O impacto não se ficou pelos hospitais. As farmácias também sentiram o efeito, com dificuldades no acesso às prescrições eletrónicas. A situação foi sendo regularizada ao longo da tarde, mas houve utentes que não conseguiram levantar medicação nova ou antibióticos prescritos no hospital .
A SPMS explicou que ocorreram duas interrupções de energia sucessivas no data center do norte. A primeira foi resolvida de imediato, mas a segunda provocou a indisponibilidade dos sistemas . A entidade garantiu que está prevista para breve uma reformulação da arquitetura energética do centro de dados e que, até ao final do ano, deverá entrar em funcionamento uma nova infraestrutura, financiada por fundos do PRR, que assegurará redundância em tempo real dos principais sistemas do SNS .
Ainda assim, a frequência com que estas falhas acontecem levanta questões que vão além daquela manhã. Em maio, um ataque informático tinha já afetado dados de mais de 100 mil utentes . E, em junho, uma falha de energia no mesmo data center provocou perturbações semelhantes . Para quem depende do SNS no dia a dia, a sensação que fica é a de que o sistema aguenta pouco — e que, quando falha, são sempre os doentes a pagar a conta.









