No dia 22 de setembro assinala-se, pela primeira vez, o Dia Mundial da Dádiva de Medula Óssea. Para marcar a data, o IPO Porto juntou-se à jovem artista Rita Rocha num projeto que dificilmente passa despercebido: uma canção original, escrita e interpretada por ela, inspirada na história real de uma doente que recebeu um transplante.
“A História da Carolina” é o nome do single, e nasceu de um encontro promovido pelo Serviço de Terapia Celular do IPO Porto entre Rita Rocha e Carolina Garcez, uma mulher que passou por um transplante de medula óssea. Desse contacto direto surgiu a letra, que procura dar rosto e voz a uma realidade muitas vezes distante para quem nunca teve contacto com ela.
“Quando falamos de dádiva de medula óssea, falamos de pessoas e de histórias concretas”, explica Susana Roncon, diretora do Serviço de Terapia Celular do IPO Porto. “A história da Carolina mostra-nos o impacto que um dador pode ter na vida de um doente. Queremos chegar aos jovens de uma forma próxima e falar-lhes numa linguagem que reconheçam. A música é, neste caso, uma ponte para essa mensagem.”
Para Rita Rocha, o desafio foi maior do que o habitual. “Escrever esta canção foi um dos maiores desafios que já tive. Não só pela importância do tema, mas pela responsabilidade de contar uma história que é tão real, tão delicada e que, no fundo, podia ser a de qualquer um de nós”, conta a artista. Ainda assim, admite que foi depois de ouvir Carolina que tudo se tornou mais claro. “A história dela deu um rosto, uma voz e uma dimensão humana a algo que, por vezes, parece tão distante de nós.”

A artista deixa também um alerta: “Isto não é uma realidade que pertence apenas a quem está doente. Pode ser nossa amanhã. Pode ser do nosso irmão, do nosso filho, dos nossos pais ou do nosso melhor amigo.” E acrescenta: “Às vezes, a diferença entre uma história ter um fim e continuar pode estar numa única pessoa que decidiu dizer ‘sim’.”
O single será apresentado a 24 de setembro, no âmbito das ações de sensibilização do IPO Porto, e fica disponível a partir daí no Spotify, YouTube e restantes plataformas digitais, bem como nas redes sociais da artista e do hospital. O projeto conta com o apoio da Universal Music Portugal e da Sons em Trânsito, editora e agência de Rita Rocha, e todas as receitas de streaming revertem a favor do IPO. A letra e música são da própria artista com Pedro Marques, que assina também a produção, com mistura e masterização de Afonso Fidalgo e vídeo de Diogo Moreira.
Vale a pena perceber o que está em jogo. A medula óssea é responsável pela produção das células sanguíneas e, em determinadas doenças graves, o transplante de células progenitoras hematopoiéticas pode ser a diferença entre haver ou não tratamento possível. Em Portugal, o CEDACE — Centro Nacional de Dadores de Células, Tecidos e Órgãos — é o registo nacional de potenciais dadores e permite identificar pessoas geneticamente compatíveis com doentes que precisam de um transplante. Podem inscrever-se pessoas saudáveis entre os 18 e os 35 anos, desde que não tenham contraindicações clínicas. O processo inclui uma avaliação clínica e uma colheita de sangue para estudo da histocompatibilidade, e o registo mantém-se ativo até aos 55 anos.
No fundo, é disto que se trata: uma inscrição que pode parecer pequena, mas que, para alguém à espera, pode significar voltar para casa, fazer planos, crescer, apaixonar-se e continuar a escrever a sua própria história.









