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Yazaki Saltano despede mais 163 trabalhadores

A empresa Yazaki Saltano avançou esta quinta-feira, 15 de Janeiro, para mais um despedimento coletivo de 163 trabalhadores da sua fábrica em Ovar, com efeitos imediatos a partir de hoje, sexta-feira. Este é, assim, o segundo grande despedimento na empresa em menos de um ano, depois de, em Julho de 2025, ter sido concluído um processo que dispensou 304 trabalhadores da mesma unidade.

A Yazaki, que produz componentes elétricos para a indústria automóvel, justifica a decisão com a necessidade de garantir a competitividade num setor em crise. Em comunicado, a empresa aponta para os “atuais desafios da indústria automóvel europeia” e a “crescente pressão sobre os custos”. Para se adaptar, refere estar a implementar medidas de otimização e “integração tecnológica”, o que inclui a aposta em robótica e inteligência artificial.

Se tivermos em conta o perfil dos trabalhadores, e de acordo com o sindicato, a maioria (156 dos 163) era de áreas da produção, manutenção, logística ou qualidade, com os salários mais baixos da empresa. A este propósito, o SITE – Centro Norte contesta as justificações da empresa, alegando que a Yazaki teve lucros consistentes nos últimos anos. O sindicato pede uma fiscalização mais atenta do processo.

No imediato, a Câmara Municipal de Ovar, presidida por Domingos Silva, comprometeu-se a apoiar os trabalhadores afetados, incluindo complementos de renda, apoio à medicação e um fundo de emergência. Recorde-se que esta realidade começou a ser “desenhada” em Março de 2025, altura em que foi feito um anúncio de despedimento colectivo inicial que apontava para a dispensa de 360 trabalhadores. Posteriormente, no passado mês de Julho, a empresa avançou com o despedimento de 304 colaboradores. Agora, na passada quinta-feira, foi comunicado o despedimento colectivo de mais 163 funcionários, concretizado24 horas depois.

Em síntese, em apenas sete meses, a Yazaki Saltano dispensou um total de 467 trabalhadores, justificando esta ação com a necessidade de garantir a viabilidade futura da empresa em Portugal. Contudo, este caso tem gerado preocupação social e contestação sindical.

Um declínio progressivo

Esta vaga de despedimentos na Yazaki Saltano está longe de ser um acontecimento isolado, mas antes o capítulo mais recente de um longo processo de redução no número de trabalhadores nesta empresa. Na verdade, a Yazaki chegou a empregar quase oito mil pessoas em Portugal nas décadas de 1980 e 1990, mas iniciou um plano de downsizing que a levou a fechar a unidade de Gaia em 2008. A unidade de Ovar, que tinha cerca de 2.200 trabalhadores no início da pandemia, vê agora o seu futuro novamente questionado.

Com justificação oficial, a Yazaki Saltano aponta para um duplo argumento: a crise estrutural do sector automóvel europeu e a necessidade premente de cortar custos para ser competitiva. Refere a empresa que a unidade de Ovar opera num “contexto exigente”, afectada pela quebra nas vendas de veículos eléctricos na Europa e pela forte concorrência de fabricantes chineses e norte-americanos. Esta crise levou ao encerramento de clientes na Alemanha, para quem a fábrica produzia.

Ao mesmo tempo, a Yazaki afirma que a “crescente pressão sobre os custos” a obriga a “implementar medidas de otimização de recursos e de integração tecnológica”. Isto traduz-se numa aposta em robótica e inteligência artificial, que reduz a necessidade de mão-de-obra menos especializada. A empresa argumenta que esta reestrutura é indispensável para “assegurar a viabilidade das operações em Portugal” e conseguir novos projetos.

Contra esta narrativa da empresa estão os sindicatos e alguns partidos políticos. O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras (SITE) veio já recordar que a maioria dos despedimentos recai sobre trabalhadores da produção e com salários mais baixos, questionando a fundamentação económica. O Bloco de Esquerda, que já questionou o Governo sobre o caso, acusa a Yazaki Saltano de “má gestão” e aponta o facto dos despedimentos afectarem sobretudo trabalhadores mais velhos e com vínculos precários.

Poder local propõe apoio aos despedidos

Consciente da importância desta unidade para a economia local, o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Domingos Silva, garantiu que a autarquia dará apoio aos despedidos, através de complementos de renda e o estabelecimento de um fundo de emergência. Certo é que o futuro da fábrica, outrora um dos maiores empregadores da região, permanece incerto, simbolizando os desafios que a transição tecnológica e a globalização impõem ao tecido industrial português.

Perante esta realidade, os principais agentes do setor automóvel em Portugal estão a pedir uma resposta concertada, reclamando políticas públicas que possam contribuir para uma solução global. Nesse sentido, a AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel tem vindo a apelar por políticas europeias e nacionais mais fortes para recuperar competitividade e reduzir a dependência de fornecedores estratégicos.

Pedem ainda as associações do setor que o governo promova uma revisão da fiscalidade automóvel e avance com programas de incentivo ao abate para renovar o parque e estimular o mercado interno. Para já sem uma solução imediata à vista, a situação na Yazaki é um sintoma claro das dores de uma indústria crucial para Portugal, que dá emprego a dezenas de milhares de pessoas e representa 5% do PIB nacional, num momento de viragem histórica do setor automóvel.

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