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Sporting tropeça em Barcelos e perde terreno na corrida pelo título

O ano de 2026 começou com um enorme tropeção para o Sporting no Estádio Cidade de Barcelos. A equipa de Rui Borges, que chegava à última jornada da primeira volta do campeonato embalada por três goleadas consecutivas na Liga, viu-se forçada a um empate 1-1 imposto pelo resiliente Gil Vicente, resultado que coloca em causa as ambições dos leões relativamente à conquista do tri-campeonato e pode mesmo reconfigurar a luta dos três grandes pelo título nacional.

O jogo foi um espelho do que tem sido o campeonato: uma equipa grande com dificuldades para dobrar a organização férrea de um candidato surpresa aos lugares europeus. Mesmo sem o seu principal avançado, Pablo (a caminho do West Ham), o Gil Vicente de César Peixoto apresentou um 4-4-2 defensivo compacto que sufocou as faixas laterais leoninas e anulou boa parte do seu poderio ofensivo. O Sporting, privado de extremos como Pedro Gonçalves e com Ricardo Mangas lesionado de última hora, não encontrou as habituais rotas para o golo.

A exceção surgiu nos descontos da primeira parte. Num lance de rara magia num jogo truncado, Eduardo Quaresma desferiu um passe longo a “rasgar” a defesa, encontrando a diagonal de Luís Suárez. O colombiano, isolado, não perdoou e marcou o seu 15.º golo no campeonato, colocando os visitantes em vantagem no intervalo, adiantando-se este internacional colombiano na frente da lista dos melhores marcadores com mais um golo do que Pavlidis, que só joga amanhã, sábado, frente ao Estoril.

No arranque do segundo tempo o Sporting teve algumas oportunidades para fechar a discussão do jogo, mas a verdade é que a reação gilista, depois de um pequeno abanão, revelou-se notável. Com linhas mais subidas e maior pressão, “encostou o leão às cordas”. O empate pairou no ar, sendo travado por Rui Silva, decisivo em várias intervenções, nomeadamente sobre Tidjany Touré.

Expulsão de Gonçalo Inácio
foi o momento decisivo do jogo

O ponto de viragem decisivo do jogo chegou aos 79 minutos quando o central leonino Gonçalo Inácio, último homem da linha defensiva do Sporting, derrubou Gustavo Varela quando este seguia isolado para a baliza de Rui Silva. De imediato o árbitro Gustavo Correia assinalou a falta, um livre perigoso a favor do Gil Vicente, e exibiu o cartão vermelho direto ao central do Sporting, uma decisão sancionada pelo VAR Vasco Santos.

A partir dali com mais um homem dentro das quatro linhas, o cerco da equipa da casa à baliza do Sporting acabou mesmo por dar frutos e aos 87 minutos um cruzamento de Luís Esteves a partir do lado direito encontrou o recém entrado Carlos Eduardo que, saltando mais alto do que Fresneda, quando a dupla de centrais do Sporting era agora Eduardo Quaresma e o jovem Rómulo, estreante na equipa de Rui Borges, cabeceou o jogador do Gil Vicente enviando a bola para o fundo das redes da baliza do Sporting, deliciando as gentes de Barcelos.

O Sporting foi incapaz de responder, e acabou mesmo o jogo a segurar o ponto do empate ao invés de tentar encontrar caminhos para vencer, consentindo um resultado que tem claramente ramificações profundas para a classificação do campeonato. Para o Sporting (2º, 42 pontos), é uma oportunidade perdida, até porque o FC Porto (1º, 46 pontos) pode agora, caso vença o Santa Clara no domingo, alargar a vantagem para sete pontos. Já o Benfica (3º, 36 pontos) pode, com uma vitória em casa frente ao Estoril Praia este sábado, aproximar-se e ficar a apenas três pontos dos leões. Por seu turno, o Gil Vicente (4º, 28 pontos) não só bateu o seu recorde de pontos numa primeira volta como firmou-se no quarto lugar, a morder os calcanhares aos “três grandes”, ainda que esteja ao alcance do Sporting de Braga que tem menos dois pontos mas joga este sábado em casao do Estrela da Amadora.

Para agravar o cenário sportinguista, as consequências do jogo estendem-se à próxima jornada da Liga. Além de Gonçalo Inácio ter que cumprir castigo no jogo da Taça da Liga, partida em que Rui Borges terá certamente dificuldade em encontrar uma dupla de centrais assertiva, Morten Hjulmand e Maxi Araújo, depois de terem visto o seu quinto amarelo nesta partida de Barcelos, estarão suspensos para o duelo com o Casa Pia. Depois, olhando mais para a frente, e caso não queira ficar arredado da conquista do “tri”, o Sporting fica obrigado a vencer no clássico a disputar no Estádio do Dragão frente ao FC Porto, sob pena de ficar a dez pontos do conjunto orientado por Francesco Farioli.

Em resumo, o tropeço em Barcelos foi mais do que dois pontos perdidos. Foi uma demonstração de força do projeto de César Peixoto e um alerta para Rui Borges: a margem para erros na perseguição ao FC Porto, que tem feito uma primeira volta sem a todos os títulos extraordinária, é agora mínima, isto se não quisermos dizer mesmo inexistente. A janela para o título, que parecia entreaberta, surge agora mais fechada, e logo atrás dos leões vêm as águias, conscientes de que um segundo lugar dá pelo menos o acesso à milionária Liga dos Campeões. Dragões, leões e águias continuam na luta pelos melhores lugares, mas a jornada fica marcada, sem dúvida, pelo levantar de crista… do galo de Barcelos!

texto: Jorge Reis
fotos: João Mota

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