SCP 3-0 Casa Pia 1134

Catamo desbloqueia, Bragança celebra… e o Sporting vence com regressos auspiciosos

A noite de sexta-feira em Alvalade era gélida, mas o calor da competição aquecia o relvado. O cenário era peculiar: de um lado, um Sporting fragilizado por uma constelação de lesões, forçando Rui Borges a lançar Luís Guilherme à titularidade. Do outro, o Casa Pia estreava um novo comandante, Álvaro Pacheco, de regresso ao futebol português com a sua inconfundível boina, símbolo de um desafio ambicioso. O Casa Pia até entrou melhor no jogo, mas Geny Catamo desbloqueou uma partida em que o Sporting nem sequer começou bem, mas que acabou por vencer por um justo 3-0.

Perante 34.975 espectadores nas bancadas de Alvalade, a teoria de Pacheco pareceu, durante largos minutos, um manual tático aplicado à perfeição. Os “gansos”, num compacto 5-4-1 com Cassiano isolado, comprimiram o espaço, sufocaram o meio-campo leonino e protagonizaram a melhor fase inicial. As linhas, próximas e disciplinadas, anularam qualquer ideia de construção sportinguista.

O Sporting demorava a carburar, perdido na névoa defensiva do adversário, enquanto o Casa Pia explorava transições verticais que punham Fresneda e companhia sob tensão. Livolant foi um incómodo, Nhaga ameaçou, e Patrick Sequeira, guarda-redes visitante, foi um mero espectador durante meia hora.

A má notícia para os visitantes surgiu aos 34 minutos, com a saída forçada do capitão e referência no centro da defesa, José Fonte, ele que, lesionado, foi obrigado a ceder o seu lugar ao jovem Khali. O equilíbrio, tão bem mantido até então, rachou. Quatro minutos depois, a fenda tornou-se abismo.

Geny Catamo, de regresso ao Sporting após a CAN e neste jogo a assumir a nota ofensiva mais alta dos leões, tentou um cruzamento do lado direito. O toque, mínimo, de David Sousa, imprimiu um efeito traiçoeiro na bola que enganou Sequeira e levou o esférico a entrar bem junto ao primeiro poste. Foi um golo contra a corrente, um alívio para Alvalade, a recompensa pela persistência que virou por completo o jogo.

Com a defesa adversária agora mais permeável, o Sporting despertou. E quem acordou de vez foi, novamente, Catamo. Aos 43 minutos, numa arrancada fulminante pelo corredor direito, aproveitou um passe longo e preciso de Gonçalo Inácio, apareceu sozinho frente a Sequeira e, com frieza, fez o 2-0. Em cinco minutos, o moçambicano transformara a narrativa do jogo.

Bragança voltou e marcou

O segundo tempo confirmou a nova dinâmica. O Casa Pia, obrigado a correr atrás do prejuízo, teve a sua melhor oportunidade por Tiago Morais, mas Rui Silva defendeu. Do outro lado, Trincão falhou uma oportunidade de ouro. O jogo ganhava um novo foco para o público leonino quando, aos 67 minutos, Daniel Bragança entrou em campo. Onze meses após uma lesão severa, o médio regressava debaixo de uma ovação comovente, recebendo a braçadeira de capitão das mãos de Gonçalo Inácio.

E porque o futebol gosta de histórias e a história gosta de simetrias, Daniel Bragança acabou por ser o protagonista de um curioso conjunto de simetrias… o último golo de Bragança tinha sido marcado em Outubro de 2024, frente ao Casa Pia, em Alvalade, e foi desta feita precisamente frente aos “gansos” e uma vez mais em casa do leão que o talentoso médio carimbou o seu regresso triunfal. Aos 78 minutos, após assistência de Luis Suárez, Bragança rematou sem hesitação para as redes, desencadeando a explosão de alegria nas bancadas do estádio leonino. O 3-0 era o epílogo perfeito e justo.

Pelo meio o Sporting ainda marcou outro golo, no que daria o hat trick a Geny Catamo, num lance que não contou porque o moçambicano estava em posição irregular. O Casa Pia também colocou a bola na baliza de Rui Silva, por Clau Mendes, também aqui com o golo a ser anulado por fora de jogo do avançado da turma visitante. E antes do fim Luis Suarez foi travado à margem das regras dentro da área dos gansos, num lance que só não resultou em grande penalidade porque o colombiano foi apanhado pelo VAR em posição irregular. O jogo terminou com a turma visitante reduzida a dez jogadores, após expulsão por vermelho direto exibido a Clau Mendes, e com o Sporting a gerir comodamente o resultado, um triunfo por 3-0 sem contestação.

Para o Casa Pia e Álvaro Pacheco, fica um registo de contrastes. A equipa mostrou organização, coragem e um plano que funcionou durante meia hora, justificando alguma esperança no novo ciclo. No entanto, a lesão de José Fonte revelou a fragilidade do processo, e a expulsão final manchou a imagem. As dúvidas de fundo permanecem: o exílio em Rio Maior, os recursos limitados, o “marasmo diretivo”. Pacheco trouxe ideias e atitude, mas o seu maior desafio poderá estar longe do relvado. Na noite gelada de Alvalade, os leões encontraram o calor dos golos, enquanto os gansos sentirão o frio de uma realidade que vai muito além das quatro linhas.

Já para os leões, a noite serviu para ultrapassar obstáculos. A estreia de Luís Guilherme recém-chegado do West Ham, passou sem brilho, ofuscada pela eletrizante exibição de Catamo e pelo regresso heróico de Bragança, que se juntou ao também regressado Debast em notas positivas.

A equipa leonina soube sofrer, esperar pelo momento e capitalizar as fragilidades adversárias, mantendo a pressão sobre o FC Porto que surge agora a quatro pontos de distância na tabela classificativa da I Liga, sendo que os líderes do campeonato ainda terão que jogar esta jornada em casa do Vitória de Guimarães, uma formação moralizada pela recente conquista da Taça da Liga. Tudo está em aberto no futebol luso, mas também é verdade que tudo continua na mesma, com os dragões destacados no topo da classificação e, como diz o povo, candeia que vai à frente, a do FC Porto, ilumina duas vezes.

texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte

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