Sob o céu escuro da cidade Invicta, esta quinta-feira, o Estádio do Dragão foi palco de um desfile de erros da turma do FC Porto que ditou o seu adeus prematuro da Taça da Liga, permitindo o apuramento do Vitória de Guimarães para a Final Four da competição. Perante um conjunto vimaranense pragmático e eficaz, os portistas caíram por 1-3, numa exibição que expôs fragilidades já visíveis no triunfo magro frente ao Estoril, dias antes, e que de algum modo fez recordar na formação portista a equipa há uns meses orientada por Anselmi, muito longe da eficácia e do bom futebol entretanto conseguido na presente era de Francesco Farioli. A derrota, a primeira em competições nacionais esta época do FC Porto, não foi apenas um tropeço pontual: foi o retrato de uma equipa que surge em claro desequilíbrio.
O início da prestação portista frente ao Vitória, na verdade, até foi promissor. Aos 8 minutos, um passe longo de Pablo Rosário encontrou Gabri Veiga, que, com classe, isolou-se e aplicou um subtil chapéu ao guardião vitoriano, conseguindo um golo de belo efeito que deixava em aberto uma noite que apontava para poder ser tranquila para os comandados de Farioli. O Dragão respirou aliviado, os adeptos portistas acreditaram que aquela seria apenas mais uma noite de trabalho no escritório do futebol portista, mas a tranquilidade revelou-se efémera. Aos 23 minutos, uma penalidade assinalada a favor do Porto foi anulada pelo VAR, e a partir daí o jogo virou. O Porto, tal como acontecera contra o Estoril, mostrou-se apático, entregando a iniciativa ao adversário.
O empate no marcador surgiu de um erro infantil. Pablo Rosário, pressionado por Oumar Camara, perdeu a bola à porta da área e, na tentativa desesperada de a recuperar, derrubou o avançado, levando o árbitro a assinalar uma grande penalidade inequívoca. Nélson Oliveira, da marca de penálti, não perdoou, fez o golo que repôs a igualdade e deixou os adeptos portistas inquietos. O marcador manteve-se assim mesmo, pelo que a igualdade a um golo (1-1) ao intervalo já deixava um cheiro a crise, nomeadamente para aqueles que recordavam a prestação modesta no jogo anterior frente ao Estoril Praia.

A segunda parte do jogo no Estádio do Dragão confirmou os piores pressentimentos para os adeptos da equipa da casa. Alan Varela, último homem da defesa, hesitou na receção e viu Samu, o do Vitória, um veterano astuto, roubar-lhe a bola e marcar, isolado, o 1-2 aos 53 minutos. Foi o golpe fatal. O Porto tentou reagir – Farioli lançou Pepê e William Gomes para dar velocidade ao ataque –, mas a bola teimava em não entrar. O Vitória, frio e eficaz, depois de um primeiro golo anulado pelo VAR, acabaria por teimar em fazer o terceiro golo, matando o jogo nos minutos finais: outra penalidade, por falta infantil desta vez sobre Noah Saviolo, quando o jogador do Vitória até procurava sair da área com a bola controlada, permitiu nova oportunidade de golo que o próprio Saviolo se encarregou de confirmar, fazendo o 1-3 final.
O FC Porto não conseguiu dar a bola ao resultado desfavorável, acabando por consentir a derrota no seu terreno perante um Vitória organizado e pragmático, que segue assim para a Final Four da Taça da Liga. Já os dragões ficam de fora desta competição, curiosamente horas depois do seu presidente, André Vilas Boas, em reunião de presidentes de clubes da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, ter defendido a extinção desta competição. Ainda assim, naturalmente, o FC Porto entrara neste jogo para vencer, pelo que esta eliminação deixa a nu uma equipa às ordens de Francesco Farioli em claro declínio produtivo.
A justificação de um plantel desfalcado – com Luuk de Jong e outros titulares ausentes por motivos físicos – não esconde a falta de ideias e a fragilidade defensiva. O jogo contra o Estoril, vencido por 1-0 com dificuldade, já era um sinal: o Porto vence, mas não convence. Agora, perdeu e foi justamente castigado.

Já o Vitória, pelo contrário, deu no relvado do Estádio do Dragão uma lição de maturidade. Luís Pinto manteve o núcleo duro da equipa, e os seus jogadores souberam explorar cada deslize portista com precisão cirúrgica. A recompensa é histórica: uma presença na final four da Taça da Liga, onde enfrentará o Sporting na discussão por um lugar na final da competição que é, há que o admitir, a menos cotada no futebol português.
Para o FC Porto, a única luz ao fundo do túnel depois desta derrota é um calendário que, agora sem a Taça da Liga, fica mais leve em janeiro. Mas o alívio logístico pouco vale se a equipa não recuperar a alma. O Dragão, habituado a rugir nas noites decisivas, adormeceu em casa. E o preço, desta vez, foi a eliminação de uma competição que poderia ter sido um caminho para um título. Com uma deslocação ao terreno do Tondela já agendada para o próximo domingo, o alerta está ligado: sem urgência e sem mudanças, o inverno portista pode ser longo e gélido.









