Perante cerca de quinze a vinte mil adeptos nas bancadas do Estádio da Luz, o Benfica assinou uma vitória tranquila perante o Belenenses, com uma goleada de 5-1. Num jogo amigável que comelou com um minuto de silêncio em homenagem ao músico Luís represas, falecido na última quarta-feira, o Benfica, recorrendo a uma equipa construída com as segundas linhas do seu plantel e alguns dos reforços contratados para a nova época que entraram no segundo tempo, venceu sem grandes dificuldades, isto apesar de alguns lances menos conseguidos, nomeadamente em termos defensivos.
Curiosamente, esta goleada apafeceu para o Benfica depois de, há menos de 24 horas, os encarnados terem disputado e perdido o primeiro jogo oficial da época frente aos suíços do St. Gallen, por 2-1, acabando o clube da Luz por conseguir agora readquirir alguma tranquilidade.
Frente aos azuis do Restelo, equipa que irá militar na Liga 3 e que, no Estádio da Luz, apesar de derrotada, mostrou trabalho e coesão, criando pontualmente algumas dificuldades ao Benfica, claramente em busca da sua nova identidade para a temporada que agora começa, a equipa encarnada conseguiu dar uma imagem bem mais positiva do que fizera na véspera na Suíça.











O Benfica venceu, marcou muitos golos, ainda que alguns duvidosos num jogo em que não houve VAR, e conseguiu reerguer a confiança junto dos seus adeptos que ficaram naturalmente cépticos sobre as capacidades da turma às ordens de Marco Silva depois do desaire em terras helvéticas.
Aposta na formação do Seixal
e o primeiro golo de Jhon Durán
Para aquele que foi o primeiro jogo do Benfica às ordens de Marco Silva disputado no relvado do Estádio da Luz, o novo técnico dos encarnados aproveitou este particular para rodar o plantel e dar minutos a quem não tinha jogado na Suíça, além de lançar vários jovens da formação. O lateral-esquerdo José Neto foi uma das caras novas que começou o jogo, num onze claramente experimental em que também Olívio Tomé, extremo de 20 anos que tem estado a trabalhar com a equipa principal na pré-temporada, teve a oportunidade de mostrar serviço desde o início.
Por falar em extremos, pelo lado direito apareceu o também jovem extremo Prestianni, este também miúdo mas já com outro “andamento”, e que acabou por ser um dos jogadores do Benfica que mais se destacou nesta partida. Sempre muito ativo, respondendo a preceito quando foi chamado ao jogo, Prestianni acabou mesmo por apontar dois dos golos do Benfica neste jogo, deixando certamente a certeza da titularidade para jogo da próxima quinta-feira entre as opções de Marco Silva.










E se a primeira parte foi particularmente positiva para o Benfica, que chegou ao intervalo a vencer por 3-1, com golos de Anísio Cabral, Ivanovic, de grande penalidade, e Prestianni, a entrada dos reforços para o segundo tempo trouxe outro alento à equipa. Gabriel Índio e Jhon Durán, este contratado por empréstimo do Al Nassr por 6,1 milhões de euros para a temporada 2026/27, saltaram para o relvado ao intervalo e rapidamente concentraram as atenções de quem acompanhava este jogo.
O colombiano não desperdiçou a oportunidade de se apresentar aos adeptos: ao minuto 54′, após uma jogada trabalhada pela esquerda, Olívio Tomé cruzou para o primeiro poste, onde Durán apareceu a desviar para o fundo da baliza, estreando-se a marcar com a camisola encarnada. Um golo simples, que num jogo “a sério”, com VAR, talvez não tivesse sido validado — ficou a impressão que Olívio Tomé recebeu a bola em posição irregular antes de fazer a assistência para Durán —, mas que revelou o faro de artilheiro de Jhon Durán, o reforço que o clube foi buscar ao futebol saudita.










Os miúdos mostraram serviço
A aposta de Marco Silva nos jovens da formação não foi apenas uma necessidade por causa do cansaço do jogo da véspera. O treinador quer avaliar possíveis reforços para o presente e para o futuro, e este jogo serviu como um excelente teste. Para além dos golos de Prestianni e de Durán, outros jogadores entre os mais jovens tiveram oportunidades para mostrar serviço. Neto, na defesa, mostrou segurança e capacidade de subida no terreno, e o extremo Olívio Tomé, para além da assistência para o golo do colombiano, esteve sempre perigoso no flanco esquerdo.
Com esta matéria-prima, a ideia de Marco Silva parece clara: quer uma equipa competitiva, mas também quer dar espaço à formação, algo que os adeptos benfiquistas sempre valorizam.









Nota para a prestação do Belenenses, equipa que vai competir uma vez mais na Liga 3 e que, mesmo perante uma derrota pesada, não se desfez e conseguiu marcar o seu golo de honra, num lance em que a defesa encarnada ainda mostrou algumas fragilidades. A equipa os azuis do Restelo, que se prepara para uma época exigente, mostrou organização e vontade, permitindo um bom teste para o Benfica.
Já agora, e por falar em teste, nota para a prestação da equipa de arbitragem liderada por Luís Godinho, um árbitro particularmente experiente, que irá certamente estar nos grandes jogos da época que está aí à porta, e que neste jogo deixou jogar, numa partida sem casos, aliás como se esperava deste amigável de preparação para os dois conjuntos.
Ficou, ainda assim, a curiosidade do resultado ter sido construído com três golos, nomeadamente dois do Benfica (o de anísio e o de Durán) e o golo do Belenenses (por Bruninho) terem sido irregulares, com jogadores em posição de fora de jogo que, sem VAR, puderam prosseguir os lances que terminaram em golo. Sem implicações de maior, porque estamos perante um jogo amigável de preparação das duas equipas, fica ainda assim o reparo e a dúvida sobre a decisão do VAR relativamente a estes golos.









Ficha de jogo
Benfica 5-1 Belenenses
Local: Estádio da Luz
Árbitro: Luís Godinho
Equipa do Benfica (inicial): Samuel Soares, Dedic, Tomás Araújo, Rui Silva, José Neto; Prestianni, Gonçalo Moreira, Enzo, João Rego; Ivanovic e Anísio Cabral.
Jogaram ainda Diogo Ferreira, Jhon Durán, Gabriel Índio, João Capucho, Bernardes, João Fonseca, Banjaqui, Olívio Tomé e Rafael Quintas.
Equipa do Belenenses (inicial): Diego Riechelmann, Nuno Tomás, Afonso Afonso, Diogo Leitão, Tiago Moninhas, Tiago Morgado, Miguel Bandarra, Bruninho, Evandro Barros, César Soares e Ricardo Fevereiro.
Jogaram ainda Guilherme Oliveira, Bruno Dias, Juan Herrera, João Lucas, Afonso Pinto, Luís Caica, Guilherme Martins, David Monteiro, Martim Correia, Gabriel Paulino, João Simões, Diogo Maria, Diogo Lopes, Gaebriel Tafara e Francisco Faustino.
Golos…
- Anísio (1-0 02′)
- Bruninho (1-1 33′)
- Ivanovic (2-1 gp 38′)
- Prestianni (3-1 45′)
- Durán (4-1 53′)
- Prestianni (5-1 54′)








Próximo desafio:
tudo ou nada com o St. Gallen
Com ou sem VAR, a verdade é que a goleada dos encarnados deixa boas indicações, mas o foco principal do Benfica está já no jogo da próxima quinta-feira, no Estádio da Luz, frente ao St. Gallen. A equipa suíça venceu a primeira mão por 2-1 e os encarnados estão obrigados a vencer por dois golos de diferença para garantir o apuramento na Liga Europa.
O jogo da segunda mão da pré-eliminatória da Liga Europa será aquele que realmente importa e que vai ditar o início da época dos encarnados. Já o teste desta sexta-feira serviu para dar ritmo, para mostrar alternativas e, acima de tudo, para recuperar a confiança de um grupo que precisa de estar forte para dar a volta à eliminatória.















